"Cristão é meu nome e Católico é meu sobrenome. Um me designa, enquanto o outro me especifica.
Um me distingue, o outro me designa.
É por este sobrenome que nosso povo é distinguido dos que são chamados heréticos".
São Paciano de Barcelona, Carta a Sympronian, ano 375 D.C.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

7º PAPA: São Xisto I - ano 116 a 125

Papa São Xisto I (7º Papa)
Pontificado: do ano 116 ao ano 125



A Igreja comemora no dia 06 de abril a festa do Papa São Xisto I, sucessor de Santo Alexandre. São Xisto era natural de Roma e nasceu no seio da família Elvidia. Foi elevado ao trono pontifício em 155 e permaneceu governando a Igreja durante o reinado do imperador Adriano e de Antônio Pio. Seguiu as obras implementadas e também idealizadas por seus predecessores, dando perfeita continuidade aos temas que tratavam da organização e estrutura eclesiástica. 
 
Desde São Xisto I que somente mãos consagradas podem
tocar nAquilo que é sagrado
Instituiu, dentre diversas outras normas canônicas, que o bispo, antes de tomar posse em sua sede episcopal, devia exibir uma carta de apresentação ao Pontífice. Regulamentou também alguns ritos da celebração da Eucaristia, prescrevendo que o véu do cálice fosse feito de linho e que tanto o cálice como todos os paramentos sagrados, fossem tocados somente pelos sacerdotes.
A ele também se atribuem a introdução do tríplice canto do Sanctus (Santo) na missa e das cartas apócrifas que tratam da doutrina da Santíssima Trindade e do Primado da Igreja de Roma.
 
Seu governo ficou marcado pelas medidas enérgicas que tomou contra a seita dos gnósticos. A seita gnóstica define-se como seita filosófica surgida nos primeiros séculos da nossa era e diversificada em numerosos segmentos e que visava a conciliar todas as religiões e a explicar-lhes o sentido mais profundo por meio da gnose. Xisto I combateu com veemência as doutrinas maléficas do gnosticismo, ou seja, a emanação, a queda, a redenção e a mediação, que seriam exercidas por inúmeras potências celestes, entre a divindade e os homens, que feriam todos os princípios básicos da sã doutrina e os fundamentos da religião de Cristo.
 
Enviou o bispo Peregrino às Gálias para evangelizar algumas zonas que não haviam sido suficientemente tocadas pela civilização romana.

Alguns detalhes do fim de seu pontificado são nebulosos, mas em 125, é bem provável que também tenha recebido a coroa do martírio. Seu corpo foi enterrado ao lado de São Pedro, mas posteriormente, o Papa Inocêncio II (1130 – 1143) permitiu que suas relíquias fossem transladadas para Acrópolis, onde permanecem até hoje.
 
 
 
São Xisto Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!
 

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O HÁBITO NÃO FAZ O MONGE?

Para aqueles que costumam tentar justificar a não utilização do hábito eclesiástico - que por si só caracteriza desobediência às normas da Igreja - reproduzo um excelente artigo que demonstra a importância de sua utilização.

AS 7 EXCELÊNCIAS DA BATINA

 Pe. Cel. Jaime Tovar Patrón



1ª RECORDAÇÃO CONSTANTE DO SACERDOTE
 
 
Certamente que, uma vez recebida a ordem sacerdotal, não se esquece facilmente. Porém um lembrete nunca faz mal: algo visível, um símbolo constante, um despertador sem ruído, um sinal ou bandeira. O que vai à paisana é um entre muitos, o que vai de batina, não. É um sacerdote e ele é o primeiro persuadido. Não pode permanecer neutro, o traje o denuncia. Ou se faz um mártir ou um traidor, se chega a tal ocasião. O que não pode é ficar no anonimato, como um qualquer. E logo quando tanto se fala de compromisso! Não há compromisso quando exteriormente nada diz do que se é. Quando se despreza o uniforme, se despreza a categoria ou classe que este representa.

 
2ª PRESENÇA DO SOBRENATURAL NO MUNDO
 
 
 
Não resta dúvida de que os símbolos nos rodeiam por todas as partes: sinais, bandeiras, insígnias, uniformes… Um dos que mais influencia é o uniforme. Um policial, um guardião, é necessário que atue, detenha, dê multas, etc. Sua simples presença influi nos demais: conforta, dá segurança, irrita ou deixa nervoso, segundo sejam as intenções e conduta dos cidadãos. Uma batina sempre suscita algo nos que nos rodeiam. Desperta o sentido do sobrenatural. Não faz falta pregar, nem sequer abrir os lábios. Ao que está de bem com Deus dá ânimo, ao que tem a consciência pesada avisa, ao que vive longe de Deus produz arrependimento. As relações da alma com Deus não são exclusivas do templo. Muita, muitíssima gente não pisa na Igreja. Para estas pessoas, que melhor maneira de lhes levar a mensagem de Cristo do que deixar-lhes ver um sacerdote consagrado vestindo sua batina? Os fiéis tem lamentado a dessacralização e seus devastadores efeitos. Os modernistas clamam contra o suposto triunfalismo, tiram os hábitos, rechaçam a coroa pontifícia, as tradições de sempre e depois se queixam de seminários vazios; de falta de vocações. Apagam o fogo e se queixam de frio. Não há dúvidas: o “desbatinamento” ou “desembatinação” leva à dessacralização.

 
3ª É DE GRANDE UTILIDADE PARA OS FIÉIS
 
 
 
O sacerdote o é não só quando está no templo administrando os sacramentos, mas nas vinte e quatro horas do dia. O sacerdócio não é uma profissão, com um horário marcado; é uma vida, uma entrega total e sem reservas a Deus. O povo de Deus tem direito a que o auxilie o sacerdote. Isto se facilita se podem reconhecer o sacerdote entre as demais pessoas, se este leva um sinal externo. Aquele que deseja trabalhar como sacerdote de Cristo deve poder ser identificado como tal para o benefício dos fiéis e melhor desempenho de sua missão.
 
 
4ª SERVE PARA PRESERVAR DE MUITOS PERIGOS
 
 
A quantas coisas se atreveriam os clérigos e religiosos se não fosse pelo hábito! Esta advertência, que era somente teórica quando a escrevia o exemplar religioso Pe. Eduardo F. Regatillo, S.I., é hoje uma terrível realidade. Primeiro, foram coisas de pouca monta: entrar em bares, lugares de recreio, diversão, conviver com os seculares, porém pouco a pouco se tem ido cada vez a mais. Os modernistas querem nos fazer crer que a batina é um obstáculo para que a mensagem de Cristo entre no mundo. Porém, suprimindo-a, desapareceram as credenciais e a mesma mensagem. De tal modo, que já muitos pensam que o primeiro que se deve salvar é o mesmo sacerdote que se despojou da batina supostamente para salvar os outros. Deve-se reconhecer que a batina fortalece a vocação e diminui as ocasiões de pecar para aquele que a veste e para os que o rodeiam. Dos milhares que abandonaram o sacerdócio depois do Concílio Vaticano II, praticamente nenhum abandonou a batina no dia anterior ao de ir embora: tinham-no feito muito antes.


 
5ª AJUDA DESINTERESSADA AOS DEMAIS
 
Beato Rolando Rivi, mártir de Cristo que entregou sua vida por recusar deixar de usar sua batina
 
O povo cristão vê no sacerdote o homem de Deus, que não busca seu bem particular se não o de seus paroquianos. O povo escancara as portas do coração para escutar o padre que é o mesmo para o pobre e para o poderoso. As portas das repartições, dos departamentos, dos escritórios, por mais altas que sejam, se abrem diante das batinas e dos hábitos religiosos. Quem nega a uma monja o pão que pede para seus pobres ou idosos? Tudo isto está tradicionalmente ligado a alguns hábitos. Este prestígio da batina se tem acumulado à base de tempo, de sacrifícios, de abnegação. E agora, se desprendem dela como se se tratasse de um estorvo?


 
6ª IMPÕE A MODERAÇÃO NO VESTIR
 
 
 
A Igreja preservou sempre seus sacerdotes do vício de aparentar mais do que se é e da ostentação dando-lhes um hábito singelo em que não cabem os luxos. A batina é de uma peça (desde o pescoço até os pés), de uma cor (preta) e de uma forma (saco). Os arminhos e ornamentos ricos se deixam para o templo, pois essas distinções não adornam a pessoa se não o ministro de Deus para que dê realce às cerimônias sagradas da Igreja. Porém, vestindo-se à paisana, a vaidade persegue o sacerdote como a qualquer mortal: as marcas, qualidades do pano, dos tecidos, cores, etc. Já não está todo coberto e justificado pelo humilde hábito religioso. Ao se colocar no nível do mundo, este o sacudirá, à mercê de seus gostos e caprichos. Haverá de ir com a moda e sua voz já não se deixará ouvir como a do que clamava no deserto coberto pela veste do profeta vestido com pêlos de camelo.
 
 
7ª EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA AO ESPÍRITO E LEGISLAÇÃO DA IGREJA
 
 
Como alguém que tem parte no Santo Sacerdócio de Cristo, o sacerdote deve ser exemplo da humildade, da obediência e da abnegação do Salvador. A batina o ajuda a praticar a pobreza, a humildade no vestiário, a obediência à disciplina da Igreja e o desprezo das coisas do mundo. Vestindo a batina, dificilmente se esquecerá o sacerdote de seu importante papel e sua missão sagrada ou confundirá seu traje e sua vida com a do mundo.


O autor: Padre Jaime Tovar Patrón, coronel capelão, ocupou importantes responsabilidades no Vicariato Castrense. Oriundo de Extremadura, Espanha, foi grande orador sacro. Autor do livro Los curas de la Cruzada, autêntica enciclopédia dos heróicos sacerdote que desenvolveram seu trabalho pastoral entre os combatentes da gloriosa Cruzada de 1936. É, ademais, uma história do sacerdócio castrense. Faleceu em janeiro de 2004.



 - Código de Direito Canônico (1983): Livro II, I Parte, Título III, Capítulo III:

Cân. 284 Os clérigos usem hábito eclesiástico conveniente, de acordo com as normas dadas pela Conferência dos Bispos e com os legítimos costumes locais.

Cân. 285 § 1. Os clérigos se abstenham completamente de tudo o que não convém ao seu estado, de acordo com as prescrições do direito particular.

§ 2. Os clérigos evitem tudo o que, embora não inconveniente, é, no entanto, impróprio ao estado clerical.

- Convém recordar: muitos sacerdotes e religiosos mártires pagaram com seu sangue o ódio à fé e à Igreja desencadeado nas terríveis perseguições religiosas dos últimos séculos. Muitos foram assassinados simplesmente por vestirem a batina. O sacerdote que veste a batina é para todos um modelo de coerência com os ideais que professa, à vez que honra o cargo que ocupa na sociedade cristã. 

Se bem é certo que o hábito não faz o monge, também é certo que o monge veste hábito e o veste com honra. Que podemos pensar do militar que despreza seu uniforme? O mesmo que do vigário que despreza sua batina!
 

 
(Traduzido por Luís Augusto Rodrigues Domingues)
 
 
 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

SÃO RODRIGO AGUILAR ALEMÁN, mártir Cristero

HOJE É DIA DE SÃO RODRIGO AGUILAR ALEMÁN!

Fonte: Santoral Latino

Tradução e Organização: Morro por Cristo

Rodrigo Aguilar Alemán nasceu em 13 de março de 1875 em Sayula, estado de Jalisco (México). Filho de Buenaventura Aguilar e de Petra Alemán, foi batizado dois dias depois de nascido. Recebeu a confirmação na fé em 3 de abril de 1877 pelas mãos do Sr. Bispo Ignacio Montes de Oca; seu padrinho foi Florentino López.

Rodrigo foi o primogênito de doze irmãos; ainda menino, ingressou em 1888 no Seminário Auxiliar de Zapotlán o Grande, hoje Cidade Guzmán, Jalisco, onde se destacou por seu aproveitamento, talento e aplicação. Na poesia mostrava ter grande talento literário.
 
Seus escritos eram publicados nos jornais de Cidade Guzmán e traziam como temas principais o Santíssimo Sacramento, a Santíssima Virgem, a cultura cristã e o sacerdócio além de acontecimentos paroquiais.
Recebeu o diaconato no dia 1 de janeiro de 1903, no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, em Guadalajara. Foi ordenado sacerdote em 4 de janeiro de 1905 pela imposição das mãos do Arcebispo de Guadalajara, Dom José de Jesús Ortiz. Desempenhou diferentes ministérios, sendo seu primeiro cargo o de Vigário de São Pedro Analco, estado de Jalisco. Na paróquia de La Yesca, Nayarit, empreendeu missões entre índios huicholes e batizou a muitos, dentre os quais alguns anciãos de mais de 100 anos que jamais haviam ouvido falar de Jesus.

Foi designado para diferentes paróquias e seu bom caráter o ajudou a fazer muitos amigos. Em 1909 exerceu seu ministário sacerdotal em Lagos de Moreno, Jalisco; logo depois foi designado capelão da fazenda Las Margaritas, da paróquia de Atotonilco o Alto, Jalisco, onde esteve por 4 anos; também foi capelão das fazendas Palomar e Vizcarra, de Cocula, Jalisco,  região famosa por suas criações de gado, permanecendo alí outros quatro anos. Tempos depois foi enviado a Sayula, Jalisco, como Vigário Cooperador por mais 4 anos e teve sob sua responsabilidade o apostolado da oração.

Após este período passou a residir em Zapotiltic, Jalisco, como Vigário Cooperador mas devido à morte do Reverendo Padre Pomposo M. Carrillo, foi nomeado pároco em 14 de julho de 1923. Alí formou círculos de estudo e revigorou os já fundados.

Peregrinou à Terra Santa e valendo-se de suas experiências e  impressões escreveu um piedoso livro intitulado:
"Minha viagem a Jerusalem"; revelou que alí, no lugar onde segundo a tradição o "Verbo se fez Carne"
, pediu como se estivesse a pedir uma graça, a graça do martírio.
Escreveu várias poesias a Jesus Crucificado:

"Observe alí: pendendo do madeiro
sobre o cume da tremenda Gólgota:
banhado em meio ao vermelho sangue que destila
todo seu corpo pelas veias rompidas".
"Pomba solitária que suspiras
da Gólgota no cume tenebroso,
em meio ao horror e ao espanto,
que a natureza tremebunda
oferece ao vosso olhar vigoroso;
inundada num mar de disabores
e num oceano imenso de tristeza
".
 
Alí contemplou no berço do Divino Menino, o descanso para a alma e o verdadeiro Pão que nunca falta: o Pão Eucarístico anunciado inclusive pelo nome da cidade que O viu nascer: Beth-lehem, "a casa do pão". Deus se esconde neste menino; a divindade se oculta no Pão da vida.

Em 20 de março de 1925 foi designado pároco interino de União de Tula, Jalisco e também neste lugar orou por diversas vezes pedindo essa mesma graça, inclusive pedindo a seus conhecidos que incluíssem em suas orações essa sua intenção.
Implorava, com todo seu coração:


"Senhor, dai-nos a graça de padecer por Teu nome, de selar nossa fé com nosso sangue e coroar nosso sacerdócio com o martírio. "Fiat voluntas tua!" (Que se faça a Vossa vontade!).

Em União de Tula, Padre Aguilar conquistou a simpatia e o respeito de todos os que o conheceram. Paciente e caritativo para com o próximo, preocupava-se em instruir e catequizar seus fiéis, fundando diversas associações de leigos. Celebrava a Santa Missa com fervor e devoção; seu grande amor à Eucaristía lhe fazia visitar com frequência o Santíssimo; sua meditação também era feita diante do Sacrário e em tempos de plena perseguição continuava fazendo fielmente uma hora de adoração ao Santíssimo, das 10h00 as 11h00 da noite. Rezava seu breviário diariamente com recolhimento e devoção, assim como o Santo Rosário para honrar à Santíssima Virgem.
Confiava na Virgem de Guadalupe, de quem era grande devoto:
"Tudo devo à Santíssima Virgem de Guadalupe, a quem num feliz dia tive a graça de consagrar meu sacerdócio. Sob a luz de sua proteção concluí meus estudos, meu período no seminário, celebrei minha primeira Missa e fui a entregar-lhe meu coração no Monte Tepeyac".
 
Pouco tempo pôde estar à frente de sua paróquia. Após ser decretada a suspensão de culto público em agosto de 1926, o Padre Rodrigo Aguilar decidiu permanecer nos limítes de sua paróquia e em 12 de janeiro de 1927, a autoridade civil emitiu uma ordem de prisão contra ele, considerando delito o exercício de seu ministério.
Em 20 de janeiro teve que fugir de Unión de Tula, sendo abrigado num rancho próximo ao limíte municipal, onde passou a noite; porém a mesma pessoa que lhe havia dado abrigo o denunciou, tendo conseguido escapar somente até Ejutla, Jalisco, que pertencia à Diocese de Colima, chegando a este povoado em 26 de janeiro.



Ao ser decretada a suspensão do culto público, o Padre Rodrigo não abandonou seus fiéis e seguiu celebrando a Santa Missa às escondidas.
Numa ocasião, Guadalupe López Bernal que na época tinha apenas 13 anos, ia passando por uma escola que havia sido abandonada devido à mesma Revolução. Foi então que o Padre Aguilar lhe disse:


"Vem, vamos subir por uma das janelas que dá acesso à um dos salões";

Alí celebrou a Eucaristía com algumas pessoas que entraram no local da mesma forma.
Nesse dia e em alguns outros mais, ajudou o Padre Aguilar na Santa Missa pois o conhecia já que seu irmão Luis López era Sacristão, sendo que quando o visitava lhe servia como acólito.
López recorda um dos sermões que ouviu de Padre Aguilar, no qual lhes contou sobre sua viagem a Roma; desde então, passou a admirá-lo bastante, também porque era extremamente amável e excelente pregador.



Refugiou-se no Colégio de São Inácio, das religiosas Adoradoras de Jesus Sacramentado. Mesmo nos corredores do imóvel, sempre que podia celebrava a Santa Missa e administrava os sacramentos. Os fiéis de União de Tula continuavam a procurá-lo para que ele os atendesse em suas necessidades espirituais, renovando a cada semana a Reserva Eucarística, graças à valente cooperação de uma religiosa.
No ponto culminante da perseguição religiosa chegou a dizer:

"Os soldados podem nos tirar a vida, mas a fé? nunca!".
 
Na manhã de 27 de outubro de 1927, um agrupamento de aproximadamente seiscentos soldados do exército federal comandados pelo General Brigadier Juan B. Izaguirre, invadiu Ejutla. Os habitantes do povoado, deixando suas casas e suas posses, fugiram em grande parte para as montanhas escondendo-se em covas e cavernas. Vinham também as forças agraristas, entre as que militava Donato Aréchiga.
Conseguiram prender a muitos dos que fugiam e um grupo de soldados avançou diretamente ao convento das adoradoras, cuja madre superiora encontrava-se acamada, gravemente doente. Os sacerdotes Rodrigo Aguilar, Juan de la Mora e Emeterio Covarrubias, se dispuzeram a aplicar um exame de língua latina ao seminarista Jesús Garibay quando foram advertidos sobre a presença de soldados nas imediações do convento e por pouco conseguiram escapar.
O Padre Aguilar, no entanto, antes de fugir, entrou em seu quarto para buscar alguns documentos e se entreteve; destruiu os cadastros dos alunos do Seminario, gastando para isso minutos valiosos. O seminarista Garibay ficou esperando-o e ao perceber que os soldados começavam a atirar nos que fugiam, lhe pediu que se apressa-se.
O  estudante Rodrigo Ramos querendo ajudar o Padre Aguilar em sua tentativa de fuga, pois encontrava-se com os pés machucados não podendo correr nem saltar, tomou-o por um braço e o fez chegar ao estábulo, mas os soldados os encurralaram e ambos foram detidos. O Padre Rodrigo Aguilar, extenuado, disse a seu assistente:


"Chegou minha hora amigo, fuja!".
 
Os soldados, com linguajar grosseiro, perguntaram ao pároco quem era ele, ao que respondeu: "Sou sacerdote". Em meio à injúrias o prenderam. Na operação haviam sido capturados o seminarista Garibay e algumas religiosas. O Padre Aguilar ia sendo conduzido à um lugar diferente dos demais prisioneiros e presentindo seu destino, com ânimo sereno, despediu-se das religiosas dizendo-lhes:

"Nos veremos no Céu".
 
Do estábulo o levaram à casa da Ordem Terceira e às cinco da tarde foi conduzido ao Seminário e mantido no corredor com guardas que o vigiavam. As testemunhas oculares puderam presenciar a grande alegria manifestada pelo Padre Aguilar diante da proximidade de seu encontro com Deus. Seu semblante não manifestava angustia ou pavor, mas serenidade e paz.
Duas religiosas adoradoras acompanhadas de quatro soldados além do chefe dos agraristas puderam trocar algumas palavras com o réu. Os recebeu amávelmente, tranquilo e atento, não obstante o fato de encontrar-se em meio a uma turba maliciosa e feroz, que o ofendia e zombava. Às religiosas, Padre Rodrigo disse:


"Tenho fome, se possível, me tragam uns "taquitos" de feijão. As autoridades me estão exigindo documentos para comprovar minha inoscência por escrito, mas não os possuo".

Encarcerado, Padre Rodrigo passava o dia em oração.
O General quiz libertá-lo, porém Donato Aréchiga - o que liderava o contingente armado - odiava o pároco por este ter impedido um matrimônio irregular, obtendo a pena de morte para o Reverendo Padre  Rodrigo Aguilar.
À meia noite do dia 28 de outubre de 1928, festa de Cristo Rei, o Padre Aguilar foi levado à praça central de Ejutla; tranquilo, aproveitou para orar durante as horas em que aí se manteve. Em um galho de um robusto e imponente pé de manga, os soldados penduraram uma corda, corda essa que teve uma de suas extremidades segurada pelo Padre Aguilar, que a abençoou e em voz alta perdoou a seus algozes, presenteando com seu rosário que continha "terra santa" a um dos que iam executá-lo.
Após lhe colocar a corda em seu pescoço, um dos soldados, pensando colocar à prova sua fé e fortaleza, lhe gritou bem próximo a seu rosto:


"Quem vive?"… (Lhe haviam prometido que não o enforcariam caso gritasse: "Viva o Supremo Governo!").

"Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe!",
respondeu com firmeza o Padre Aguilar.
 
A corda foi puxada com força e a vítima foi suspensa no ar. Quando estava já a ponto de asfixiar-se, o desceram para que pudessem repetir-lhe a pergunta:

"Quem vive?".
Sua resposta foi a mesma:

"Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe!", respondeu sem titubear.

Pela terceira vez a cena se repetiu: novamente foi pendurado pelo pescoço e descido pelos soldados, que entre zombarias e provocações lhes perguntaram de novo:

"Quem vive?".

Com voz debilitada devido à garganta já ferida, arrastando as palavras, manteve a mesma resposta:

"Cristo Rei e Santa Maria de Guadalupe!", repitiu já agonizante.

Novamente erguido, o enforcamento lhe provocou a morte por asfixia, podendo então sua alma voar ao Céu.
Pé de manga onde ocorreu o martírio de São Rodrigo Aguilar Alemán, Jalisco - Mexico 
 
O corpo amanheceu pendurado no pé de manga situado na praça central do povoado. Foi executado sem que ocorresse qualquer proceso. Como permaneceu suspenso até o meio dia, muita gente pôde vê-lo. Trajava camiseta, calças e meias, porém sem sapatos além de trazer um sombrero de palha posto de lado. O nó da corta encontrava-se sobre sua nuca e o corpo quase tocava com os pés ao solo.
Aproximadamente às cinco da tarde,  alguns vizinhos, dentre eles os senhores Juan Ponce e Jesús Silvano García, após receberem autorização do Capitão Mata, retiraram o cadáver que se encontrava ainda pendurado. O sr. Jesús havia levado uma tábua sobre a qual puseram o corpo de São Rodrigo e para que não caísse, o amarraram à tábua com a mesma corda com que havia sido enforcado.
O transportaram ao Cemitério Municipal e o sepultaram superficialmente e sem caixão, colocando sobre seu corpo apenas a tábua em que o haviam transportado, tendo sobre seu túmulo apenas algumas pedras e flores.
O povoado de Ejutla havia se tornado praticamente deserto, uma vez que Izaguirre havia ameaçado incendiar o povoado por ser conhecido como refúgio de cristeros. Os soldados se dedicaram ao saque; do convento foram levados os ornamentos, a custódia e os vasos sagrados. Na praça queimaram imágens sagradas e assentos que tinham levado do convento.
Logo após sua morte o povo o reconheceu como um verdadeiro Mártir de Cristo. Cinco anos depois dos acontecimentos, os restos mortais do Padre Rodrigo Aguilar foram exumados para ser depositados no cruzeiro direito do Templo Paroquial de União de Tula, Jalisco.



Altar onde se encontram as relíquias de São Rodrigo Aguilar Alemán, Santuário do Sagrado Coração em Ejutla, estado de Jalisco
 
 
O Servo de Deus Rodrigo Aguilar Alemán foi beatificado pelo Papa João Paulo II na Festa de Cristo Rei, 22 de novembre de 1992, na Basílica de São Pedro em Roma, junto com seus 24 Companheiros Mártires Mexicanos.
O Beato Rodrigo Aguilar Alemán foi canonizado em 21 de maio de 2000, Ano Jubilar, pelo mesmo Papa João Paulo II. Nessa cerimônia, realizada na Praça de São Pedro e com a presença de milhares de mexicanos.

 
 
São Rodrigo Aguilar Alemán, rogai por nós!

sábado, 26 de outubro de 2013

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

SALVADORES DE BEAGLES, ADOTEM AS BARATAS DA MINHA CASA!

Reproduzo abaixo um artigo que expressa exatamente aquilo que penso com relação aos "novos incondicionais, ferrenhos e fundamentalistas defensores" dos animais. E não é exagero não, o que conheço (não apenas no mundo virtual) de gente que diz valer mais um animal do que um ser humano não é brincadeira. Ah, e que fique bem claro que gosto muito de animais (principalmente cães, se tivesse espaço em minha casa teria uma porção deles), portanto, antes que me acusem...
 
*          *          *          *          *          *          *          *          *
 

 
 
Eu assumo: a denúncia que fizeram contra mim é verídica. Eu mato baratas, e mato sem dó. Uso variados métodos: chinelada, inseticida, vassourada e golpe com havaiana de pau. E eu vou continuar matando, sempre que elas invadirem a minha cozinha.
 
Se algum daqueles vândal… ops, nobres ativistas que resgataram os bichinhos do Instituto Royal ler isso, imagino que se comoverá até às lágrimas (pra quem tá por fora, leia aqui sobre o caso). Caso algum deles deseje, pode vir resgatar as baratas da minha casa, antes que eu as aniquile. Eu telefono quando alguma delas aparecer, aí um voluntário vem e a adota. Que tal?
 
Bem, acho que as musas de Kafka continuarão a tombar sob a minha ira, sem ter quem as socorra. Pelo visto, esses ativistas são bastante seletivos quanto aos bichos que defendem. Afinal, ao contrário dos beagles e coelhos fofinhos, os pobres ratos e camundongos foram deixados pra trás na invasão do Instituto Royal.
 
Não, eu não gosto que façam testes com animais. Porém, se esses testes beneficiam pessoas doentes e reduzem a possibilidade de danos no uso de medicamentos, então, são um mal menor, necessário para evitar um mal muito maior.
 
Pra quem diz que existem métodos alternativos que substituem perfeitamente os testes com animais, keep calm e… informe-se melhor. Isso só é verdade para os cosméticos, não para medicamentos. Recomendo o ótimo artigo (ver aqui) de Octávio Menezes de Lima Junior, doutor em Biologia Celular e Molecular.
 
Os cachorros e gatos, em especial, são muito próximos do coração humano. Eles fazem companhia aos solitários, alegram doentes e crianças, guiam cegos, consolam os tristes, animam os deprimidos. Por isso, o grande afeto dos humanos por eles é belo, bem como o desejo de que não sofram. Porém, usando as palavras do meu amigo, o historiador Paulo Ricardo, “prefiro minha espécie a qualquer outra”.
 
Às vezes um remédio previamente testado em animais acaba dando problemas depois em humanos, mas o parecer geral é que esses testes são eficazes na maioria dos casos, garantindo a nossa segurança. E os cientistas que fazem esse precioso trabalho estão sendo injuriados e difamados por uma parcela da crasse artística brasileira, que os coloca no nível de sádicos monstruosos.
 
 
 
 
O roubo dos cães do Instituto Royal afetou testes de medicamentos anticâncer (não, não eram cosméticos). Sobre isso, vejam o comentário do médico Marcos Morales, um dos secretários da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal:
 
“Um trabalho que demorou anos para ser produzido, que tinha resultados promissores para o desenvolvimento do país, foi jogado no lixo. O prejuízo é incalculável para a ciência e para o benefício das pessoas”.Doutor em biofísica, Morales afirma que os cientistas “também não querem trabalhar com animais”, mas que o método é ainda o mais eficaz para testes de tratamentos médicos e vacinas.“Deixamos de usar animais e vamos testar vacinas em nossas crianças?"
Fonte: Folha de São Paulo, 22/10/2013
 
A ação dos invasores Instituto Royal foi criminosa e bocó. Se houve mesmo maus-tratos, o correto seria lutar por uma fiscalização mais rígida, e não agir como bandoleiros. Não havia qualquer prova de maus-tratos aos animais antes disso, e ainda não há. Sim, algumas cobaias podem ter a saúde comprometida, como reação adversa aos medicamentos. Ninguém acha isso bom, mas seria muito pior se tais reações afetassem um ser humano.
 
Mas tem gente que não pensa assim. Na matéria mostrada no Fantástico, no último domingo, uma das invasoras do Instituto Royal disse que É A FAVOR DE QUE OS TESTES EM MEDICAMENTOS SEJAM FEITOS EM SERES HUMANOS (!!!). Não sei se é verdade, mas dizem que essas foram as últimas palavras que essa criatura proferiu. Depois disso, se bestializou tanto que só consegue latir…
 
 
 
É justo desejar que a ciência evolua a ponto de dispensar os animais dos testes. Mas quem é radicalmente contra os testes em animais deve, por coerência, ser a favor da libertação das cobras mantidas em cativeiro em institutos de pesquisa. E aí, se um dia for picado por uma delas, agonize lentamente e MORRA sem soro antiofídico.
 
É justo defender o bem dos animais, mas isso já virou palhaçada faz tempo. As pessoas perderam totalmente a noção do que é prioritário, colocando o bem dos animais acima do bem dos irmãos da mesma espécie. Tal inversão de valores não vem do nada, não ocorre por acaso; é planejada e financiada por agentes multinacionais. Isso é feito principalmente por meio da ONG mais hipócrita do mundo, a PETA; ela recebe em seus abrigos animais “carentes”, mas em vez de destiná-los à adoção, os mata (saiba mais aqui).
 
Deixo vocês com uma das canções mais ácidas e inteligentes dos anos 1980: o “Rock da Cachorra”, de Leo Jaime, na voz de Eduardo Dusek. A letra expressa muito bem o que prega a Igreja: “Pode-se amar os animais, porém não se deve orientar para eles o afeto devido exclusivamente às pessoas” (CIC 2418).
 
Seja mais humano; seja menos canino
 
Dê guarita pro cachorro mas também dê pro menino
 
Se não um dia desses você vai amanhecer latindo. Uau! Auuuu!
 
Troque seu cachorro por uma criança pobre!

FONTE
 

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A Igreja deve mesmo se adaptar ao mundo?

É incrível como essa homilia do grande cardeal Pie de Poitiers parece ter sido escrita para os tempos em que vivemos... (os destaques são por nossa conta).

(Homilia , 25 de novembro de 1864 )

“Ouvi esta máxima , ó vós católicos cheios de temeridade ,
que adotam tão rapidamente as idéias e a linguagem do seu tempo, católicos que falam de conciliar a fé e reconciliar a Igreja com o espírito mundano e com as nova leis. E vós que aceitais com tanta confiança as atividades mais perigosas que nossa época tão orgulhosamente rotula como “Ciência “! Vejam até que ponto estais desviando do roteiro estabelecido pelo grande Apóstolo :
 
“Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tendo horror aos clamores vãos e profanos e às oposições da falsamente chamada ciência, ” ( I Tm. 6:20) . Mas tome cuidado, pois tais temeridades levam qualquer um a se desviar mais do que poderiam imaginar. E por se colocar à mercê dessas novidades profanas- obedecendo às correntes da assim chamada “ciência”- muitos acabaram por perder a fé.
 
Quem de vós meus veneráveis irmãos, que nunca ficaram tristes ou assustados ao ouvir a linguagem de certos homens que ainda se julgam ou se dizem ser filhos da Igreja? Homens que ocasionalmente se comportam como católicos e até praticam algumas devoções Católicas como se aproximar com frequência da Mesa do Senhor? Acreditais ainda que eles são filhos? Acreditais ainda que são membros da Igreja , aqueles que , envolvendo -se em frases vagas como “aspirações modernas e a força do progresso e da civilização”, que proclamam a existência de uma “consciência de leigos “, que defendem uma consciência secular e política contra a ” consciência da Igreja “, contra a qual eles assumem o direito de reagir, por sua correção e renovação?
 
Ah ! Quantos passageiros e até mesmo os pilotos, que, acreditando-se ainda estar na barca , enquanto jogam com novidades profanas e da ciência estabelecida por seu tempo, não se deram por conta que já afundaram e jazem no abismo.”
 

LOUIS-ÉDOUARD CARDEAL PIE
Bispo de Poitiers

Fonte

sábado, 19 de outubro de 2013

6º PAPA: Santo Alexandre - ano 107 a 116

Papa Santo Alexandre (6º Papa)
Pontificado: do ano 107 ao ano 116

 
Santo Alexandre I, natural de Roma, foi o sexto Papa da Igreja. Sucedeu a Santo Evaristo, no ano 107 e tinha apenas 30 anos de idade quando assumiu a cadeira de São Pedro. Apesar da idade, exercia já grande influência sobre as pessoas, pela sua extrema piedade e reconhecida santidade. É o sexto Papa da Igreja e também o sexto a tombar em defesa da fé.
 
Era com muita força que suas pregações atingiam o coração das pessoas, de forma que foi o responsável pela conversão de muitos senadores e grande parte da nobreza romana, dentre os quais um prefeito de nome Hermes e de seus entes, totalizando a conversão de mil duzentas e cinqüenta pessoas. Isto acabou culminando na sua prisão, por força de mandado expedido pelo governador Aureliano. Trancafiado na cadeia, fez muitos e grandes milagres. Certo dia, estando nela algemado, veio à noite um menino com uma tocha acesa nas mãos e lhe disse: "Siga-me, Alexandre"; e havendo feito uma oração, entendendo que era o menino um Anjo do Senhor, lhe seguiu, sem que as paredes, nem portas, nem guardas lhe impedissem a saída do cárcere. O menino lhe guiou até a casa do tribuno Quirino, onde encontrava-se preso Hermes, que muito desejava ver Santo Alexandre. Hermes havia dito a Quirino que por mais que estivesse preso, Alexandre viria à sua casa.


Chegando esta notícia a Aureliano, encheu-se de furor e ordenou que fossem atormentados os que haviam sido batizados no cárcere, mandando que trouxessem à sua presença Alexandre, com os dois presbíteros Evêncio e Teódulo e disse-lhes: "Deixemos de práticas e vamos direto ao caso"; ordenou que que os carrascos dilacerassem a Alexandre, lhe arrastassem com um potro e lhe atormentassem com golpes sua carne, bem como que queimassem seu costado com chamas acesas. Após estes tormentos, Alexandre permanecia calado. Então, Aureliano perguntou: "Por que te calas? Por que não te queixas?". Respondeu Alexandre: "Quando um cristão cala, com Deus fala".
 
Quando se encontraram, abraçaram-se os santos mártires e derramaram muitas lágrimas de consolo, e animaram-se mutuamente a morrer por Jesus Cristo. Tal fato assombrou o tribuno Quirino, que já havia ouvido alguns argumentos de Hermes e as razões da conversão e da sua fé em Jesus. Ao ser naquele momento, sua filha curada de grave enfermidade com o toque das algemas de Santo Alexandre, Quirino converteu-se também ao cristianismo, com sua filha e todos os presos que estavam no cárcere. Santo Alexandre, assim, mandou que os sacerdotes Evêncio e Teódulo os batizassem naquele dia.
 
Aos mesmos tormentos foram submetidos Evêncio e Teódulo. Evêncio, tinha 81 anos de idade, fora batizado com 11 e ordenado sacerdote aos 20. Os tormentos eram intensificados, mas ao invés de aterrorizá-los, manifestavam cada vez mais fé e amor a Deus. Aureliano, assim, mandou acender um forno e mandou fechar Alexandre e Evêncio, mas deixou Teódulo próximo à abertura da porta, para que vendo como se abrasavam, sacrificasse aos deuses pelo temor de semelhante castigo. Entretanto, Teódulo não espantou-se ao ver a chama cobrindo seus companheiros; pelo contrário, incendiado pelo amor divino, desejou ser lançado com eles que, de dentro do forno, lhe chamavam e diziam que onde estavam não havia dor e nem tormento, senão refrigério e descanso. E assim foi; as chamas não lhes causou mal algum e todos saíram do forno mais resplandescentes do que o ouro.
Não abrandou-se, porém, o coração duro e rebelde do tirano, que mandou degolar Evêncio e Teódulo. Com umas setas de aço muito agudas, mandou que fossem atravessados todos os membros do corpo de Alexandre, para que morresse mais cruelmente, sendo degolado no dia 03 de maio de 116, sob o império de Adriano.

                                              
Prática imposta por Santo Alexandre, mantida até
hoje na celebração da Santa Missa
Durante seu pontificado, Santo Alexandre estabeleceu que durante a celebração da Eucaristia fosse usado na consagração, pão sem fermento. Também decretou que antes da consagração do cálice com vinho, fosse nele mesclado um pouco de água, significando a união de Cristo com sua Igreja e, para representar a água e o Sangue que saiu do seu costado. Pronunciou excomunhão contra todos os que impedissem aos legados apostólicos, de cumprir as ordens do Sumo Pontífice. Consagrou cinco bispos, seis presbíteros e dois diáconos. Escreveu três epístolas, que são conhecidas como o "primeiro tomo dos Concílios", onde constam os aludidos decretos e ordens. Consta também outra regra muito importante, que trata da bênção da água com sal, nas cerimônias que até hoje a Igreja celebra, seu uso nos templos, casas e aposentos, contra as tentações e ciladas dos demônios, que continuamente nos perseguem com seus malignos ataques. Este costume tem sido preservado na Igreja Católica desde os primórdios, e o Senhor tem feito inumeráveis milagres, de muitas e diversas maneiras por meio da água benta, sanando todo o gênero de enfermidades, apagando fogos e incêndios, sossegando as tormentas do mar e tremores de terra, tempestades, furacões, raios do céu, e livrando corpos de demônios.
 
Santo Evaristo Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!