"Cristão é meu nome e Católico é meu sobrenome. Um me designa, enquanto o outro me especifica.
Um me distingue, o outro me designa.
É por este sobrenome que nosso povo é distinguido dos que são chamados heréticos".
São Paciano de Barcelona, Carta a Sympronian, ano 375 D.C.
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

BEATO LUIS MAGAÑA SERVIN, rogai por nós!

Hoje é dia do Beato Luis Magaña Servín, mártir Cristero.

Arandas, povoado localizado na região de "Los Altos" de Jalisco, é uma terra que, como quase todas as terras de nossa nação mexicana, tem um legado histórico interessante.
Em seu tempo, pertenceu à Diocese de Valladolid, hoje Arquidiocese de Morelia, Michoacán, cujas terras pertenciam a um cavalheiro espanhol chamado Andrés de Villanueva, quem em meados do século XVII, fundou a primeira comunidade não precisamente indígena, mas sim miscigenada entre nativos, espanhóis e alguns franceses. Por essa razão, as pessoas dessa região de "Los Altos" de Jalisco mantém alguns traços  europeus: pele clara, cabelo loiro, estatura alta e - em geral - olhos claros.
Luis foi uma criança tranquila. Não gostava de se envolver em confusões, ainda que adorasse as brincadeiras infantis daquele tempo: bolinhas de gude, rodar pião, yo-yo, "las ramitas". Mais tarde, se apaixonou pelo jogo de beisebol.

Já um pouco mais crescido, passou a ajudar a seu pai Raymundo na "tenería" (n.d.t. local onde se curtem e preparam peles, "curtume"); com empenho e espírito de sacrifício, levantava-se bem cedo e ia à Missa das 5 da manhã, juntamente com seu pai, em seguida tomava café e ia à escola. Pela tarde, ajudava nas atividades de curtume, rezava o rosário em família, jantava e então ia para a cama.

Assim eram todos os dias, seguindo um horário fixo e disciplinado; duas vezes por semana ia aprender o catecismo, ensinado por uma catequista, onde aprendia palavra por palavra as respostas do livro do padre Ripalda.

"Cresceu muito parecido ao seu pai - recorda Ignacio González López - sendo seu braço direito em tudo, chegando inclusive a ficar à frente da "teneria". Ainda que Luis trabalhasse em meio aos couros malcheirosos, estava sempre alegre e bem-humorado".
Várias testemunhas afirmaram ser Luis muito conhecido e apreciado pelo seu interesse nas questões sociais, impulsionado pela leitura da encíclica Rerum Novarum que Sua Santidade o Papa Leão XIII publicou em 1891. Juan Camarena Vázquez assegurou que ele pertencia à Associação de Santa María de Guadalupe, que reunia os obreiros, camponeses e artesãos.

O ancião Sr. Salvador Navarrete Navarro, recorda que Luis Magaña gostava de conversar sobre os problemas sociais, sobre a política do governo e das coisas referentes ao povo. Em sua casa se reuniam e se planejavam todos os movimentos. Luis era apaixonado pelas causas sociais e colocava em prática a justiça social no trato humano e amigável com seus trabalhadores. Em sua pequena empresa, tratava generosamente a seus ajudantes e trabalhadores e, frequentemente lhes emprestava dinheiro.

Leigo Mártir de Arandas - Jalisco - 1902-1928

"Luis era fiel ao seu turno da noite - afirma seu primo irmão, o Sr. José Magaña López. Luis tirava daí toda sua força e entusiasmo para a defesa da Igreja. Luis se levantava às cinco da manhã para estar na Paróquia já na primeira Missa". Todas as testemunhas de então afirmaram que Luis Magaña era de Missa e comunhão diária. Primeiro cumprir com Deus e depois com todos os demais.

Envolvido com tantas atividades na paróquia, era de se esperar que Luis fosse muito amigo dos párocos e vigários de Arandas. O Sr. Ignacio González López, seu amigo desde a infância, diz que: "Luis dava palestras aos companheiros, era o braço direito do pároco Padre Amando J. de Alba, além de ser totalmente entregue às coisas de Deus. Como organizava tudo de maneira excelente! Juntava grupos de jovens para ajudar aos mais pobre".

Ainda assim, Luis não descuidava seu trabalho nem sua família. Recorda dom Maximiliano Navarrete Navarro, empregado por mais de 20 anos nos Correios de então, no trajeto Arandas-Atotonilco, Jalisco: "Os Magaña saíam a vender os couros curtidos. Eu os levava ao correio para Atotonilco e conversava com Seu Raymundo e seu filho. Luis sempre foi bom com vendas  desde bem pequeno. Me lembro que rezava durante o caminho. Logo após, me contava como ia o negócio, em quê e como trabalhava... Mas ao que me lembre nunca o ouvi queixar-se de alguém ou que estivesse inconformado com alguém. As vezes me contava, durante a viagem, os sermões que havia ouvido no domingo"...

"Muito gentis e sinceros em tudo, eram também generosos comigo. Sempre me pagavam a comida. Em seguida, Luis ia sozinho e nunca regressava com mercadoria, porque era um ótimo comerciante. Ainda assim, nada "pão duro". Eu mesmo o vi ajudar aos pobres que lhe pediam dinheiro".



Grande era sua devoção à Virgem Maria. Em 27 de novembro de 1921, Luis esteve presente no  ato de desagravo que se realizou em Arandas pelo ataque explosivo diante a imagem da Virgem de Guadalupe em sua Basílica na Vila de Guadalupe na Cidade do México.

Sendo Arandas centro de inumeráveis associações religiosas, Luis Magaña desde bem jovem se inscreveu na Associação Católica da Juventude Mexicana, sendo um dos que fundaram a ACJM naquela localidade.

Em 7 de janeiro de 1922, visitou Arandas o líder da ACJM (também Beato e Mártir) Anacleto Gonzáles Flores em uma espécie de "turnê" de propaganda católica.

Luis pôde ver, escutar e admirar de perto o "Mestre", grande defensor da liberdade religiosa dos católicos, o guerreiro de Cristo que com a palavra e a caneta queria renovar a sociedade mexicana.

Mais tarde, em 7 de novembro daquele mesmo ano, Luis Magaña foi uno dos fundadores da Adoração Noturna em Arandas, associação que tinha como objetivo fazer a guarda e oração diante de Jesus Sacramentado durante as horas da noite.
Luis era um homem pacífico. No entanto, quando se instalou o conflito cristeio na região de "los Altos", entre 10 e 14 de janeiro de 1927, Luiz não se alistou nas filas de combatentes cristeros (como fez a maioria), mas antes permaneceu em Arandas para organizar o apoio aos que estavam no acampamento de Cerro Gordo. Assim nos conta o  Sr. José magaña Lópes, primo de Luis: "Viram como meu primo era bom para convencer as pessoas... Ele juntava de tudo, até mesmo armas e munição, e depois nos mandava com o correio de seu grande amigo Pancho. Carregava de pães o lombo de burros que tinha e também punha munição e outras necessidades para os que estávamos armados. Todos os dias nos chegavam coisas de uma forma ou outra. Luis sabia o risco que estava correndo e ainda assim resolveu corrê-lo".
Em 1927, para impedir a ajuda que era prestada aos cristeros, a autoridade militar ordenou que quando terminasse a colheita de milho, todas as famílias que vivessem nos pequenos povoados e nos ranchos, deviam se concentrar em algum centro importante que estivesse sob a autoridade do Governo.

Deste modo, qualquer pessoa que se encontrasse fora, isolada, seria considerada rebelde e fora da lei, podendo ser fuzilada sem maiores explicações. Tal procedimento obrigava os camponeses pacíficos a abandonar suas colheitas e suas casas.
Tal problema não demorou a alcança-lo. Luis era muito esperto e bom para se esconder. Ainda assim, o general Zenón Martínez não o encontrando, por infelicidade, deu de cara com seu irmão Delfino, a quem tomou por refém. Era a manhã do dia 9 de fevereiro de 1928 quando  soldados se apresentaram na casa de dom Raymundo Magaña trazendo a ordem do general para prender Luis.

Como não o encontraram, detiveram seu irmão Delfino que era dois anos mais novo que Luis, e disseram ao sr. Raymundo seu pai, que se Luis não se apresentasse naquele mesmo dia, fuzilariam a Delfino, que era solteiro. Luis, por outro lado, era casado, tendo um filho pequenino e esperando outro que logo nasceria. Isso muito preocupou a seu Raymundo.

Quando  ao meio dia chegou Luis em sua casa, encontrou seus pais e sua esposa chorando. Lhe contaram o ocorrido e Luis, como sempre tranquilo e sereno, compreendendo perfeitamente a angústia de seu pai, interveio com sagacidade, dizendo-lhes:
"Fiquem tranquilos. Vou falar com o general Martínez para averiguar o que acontece e lhes prometo trazer de volta a Delfino. No mais, provavelmente me enviarão a Guadalajara, onde tudo se resolverá".
Tomou seu banho, se barbeou e saiu de seus aposentos com seu resplandecente terno escuro, que havia comprado em Guadalajara para seu casamento e que havia guardado para o dia do triunfo. Sentou-se à mesa com sua família e comeu tranquilamente. Era sua última refeição. Ao terminar, levantou-se, se pôs de joelhos diante de seus pais e lhes pediu a benção. Em seguido os confortou dizendo-lhes que logo voltaria.

Ao se recompor, estendeu os braços e os abraçou a todos, um a um. Pegou em seus braços seu filho pequeno, Gilberto, de apenas dez meses, o apertou junto ao peito e o beijou; deu um forte abraço em sua esposa Elvira que chorando soluçava, e se foi. Era por volta de três horas da tarde, hora en que Luis seguiu pela Rua Juárez, a que sempre tomava para descer à praça ou à paróquia. Naquele tempo, a Sra. María Alvizo e seus familiares estavam concentrados numa casa da Rua Juárez. Ela lembra que viu Luis descer, e como se conheciam de muitos anos porque seu pai, Benito Alvizo, havia sido padrinho de casamento de Luis, lhe perguntou aonde ia vestido tão elegante, como se fosse à alguma festa. Após saber do que se tratava, lhe disse:
"Não vá, porque vão te fuzilar!"

Então Luis, abrindo os braços e olhando para o céu, respondeu:


"Que felicidade, dentro de uma hora estarei nos braços de Deus"

Luis foi direto ao antigo escritório paroquial, onde agora se encontrava o escritório do quartel militar. Ao chegar à porta, perguntou aos soldados que a guardavam se poderia falar com o general Martínez. De imediato um oficial o prendeu e o conduziu escoltado ao Hotel Centenário onde estava hospedado o general.

"- Quem é você?" - perguntou de forma autoritária o general Zenón Martínez.
" - Meu general, eu sou Luis Magaña, a quem o senhor procura" - disse sem tremer, olhando nos olhos do militar - aquele que foi preso é meu irmão, e ele nada deve. Os senhores procuravam a mim, assim que deixem-no livre".

O general Martínez, ao se encontrar diante deste valente rapaz, se pôs a observa-lo. Deve ter sido uma cena suprema aquele momento: Luis, um jovem magro, de rosto fino, vestido como que para uma festa, valente, generoso, calmo, encarando de frente, com os olhos fixos no homem rude, sem sequer piscar.

O militar se levantou de sua poltrona, trocou algumas palavras com seu tenente e, dirigindo-se a Luis, lhe disse em tom um tanto desconcertado:

"- Bem, jovenzinho. Vamos ver se você é mesmo tão valente como parece."
E dirigindo-se ao oficial, lhe ordenou:

-"Soltem ao outro e fuzilem a este aqui, imediatamente, no pátio da igreja".
Eram cerca de quatro da tarde. As ruas estavam quase desertas. Era uma hora "preguiçosa" para o povo que, talvez sonolento com o peso da comida ingerida no almoço, dormia a "siesta", sendo que apenas umas poucas mulheres apuradas de trabalho e obrigações, se concentravam em seus trabalhos domésticos.



O pelotón de oito soldados e o tenente saíram do hotel atrás dos presos: Luis Magaña e "Pancho la Muerte", seu fiel mensageiro a quem haviam capturado anteriormente. Cruzaram a praça pequena, entraram no átrio da paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe de Arandas e os colocaram à esquerda do portal. O tenente tentou lhe vendar os olhos, porém Luis não quis.
O militar lhe perguntou qual seria sua última vontade. Luis Magaña tinha suas mãos atadas às costas. Levantou seus olhos as céus e, diante do grupo de soldados e curiosos que haviam se reunido para presenciar a execução, Luis expressou suas últimas palavras.

A Sra. María Mercedes Torres assegura ter escutado as palavras de Luis e sua solene declaração:


"Nunca fui cristero (soldado) nem rebelde, como vocês me acusam. Agora, se é de cristão que me acusam, sim o sou! Soldados que vão me fuzilar: Quero lhes dizer que desde este momento vocês estão perdoados, e lhes prometo que ao chegar na presença de Deus, serão os primeiros por quem vou pedir.
Viva Cristo Rey!
Viva Santa Maria de Guadalupe!"

O padre J. Guadalupe Navarro, então seminarista de dezoito anos, estava naquele momento no posto na esquina do pequeno portal, próximo ao escritório atual e ouviu perfeitamente as palavras de ordem:

- "Preparar as armas... Apontar... FOGO!".
Ressoou por todo o povo uma forte detonação em meio ao trágico silêncio dessa tarde. Encerrada em sua casa, a mãe do mártir, Conchita, desmaiou quando ouviu os disparos, como  conta sua neta, Esperanza Magaña. No átrio da igreja ficaram dois corpos inertes. Era a tarde do dia 9 de fevereiro de 1928.



BEATO LUIS MAGAÑA SERVÍN, Rogai por nós!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

SÃO MATEO CORREA MAGALLANES, rogai por nós!

Hoje é dia de San Mateo Correa Magallanes, mártir Cristero.



O Padre, Sacerdote de Cristo, Mateo Correa Magallanes
Nasceu em uma família bastante pobre e humilde. Recebeu a educação primária em uma escola de Jerez - estado de Zacatecas - e em seguida na cidade de Guadalajara, onde viveu durante três anos.

Logo depois, se inscreveu no Seminário de Zacatecas, onde foi admitido gratuitamente, desempenhando a função de porteiro do edifício que abrigava a instituição.

Passado esse período, por sua boa conduta e aplicação nos estudos, lhe foi concedida uma bolsa para ser aluno interno e assim concluir seus estudos.

Foi ordenado sacerdote no dia 20 de agosto de 1893 e celebrou sua primeira missa cantada na paróquia de Fresnillo - Zacatecas, quando tinha vinte sete anos de idade.

Durante os 34 anos de sua vida sacerdotal percorreu todos os rincões da diocese, pois sempre estava disposto a trabalhar onde quer que lhe enviasse seu bispo, mesmo nos locais onde outros não  haviam aceitado; por isso seus companheiros o apelidaram "O Andarilho", pois percorreu praticamente toda a diocese de Zacatecas.

Após vários anos de ministério, foi nomeado pároco de Concepción del Oro - Zacatecas, onde  administrou o sacramento da comunhão ao Beato Miguel Agustín Pro S.J., além de administrar o batismo ao irmão deste, Humberto, ambos também mortos durante a perseguição religiosa.




Retornou a Colotlán - Jalisco, onde viveu três anos e, em fevereiro de 1926 foi destinado a Valparaíso - Zacatecas, onde esteve durante o último ano de sua vida e teve que suportar a perseguição constante e implacável dos militares, comandados pelo general Eulogio Ortiz, que era cruel, sanguinário e tinha ódio mortal aos sacerdotes.

São Mateo Correa Magallanes quando jovem seminarista




Em 2 de março de 1926 chegou a Valparaíso o general Eulogio "O Cruel" Ortiz que tomou conhecimento que nessa região os jóvens da Ação Católica divulgavam o manifesto do comitê central que expresava o sentimento dos católicos diante das leis injustas da Constituição, além de juntarem assinaturas pedindo ao Congresso da União para que derrogassem tais leis.
De imediato mandou encarcerar aos jóvens Vicente Rodarte, Pascual E. Padilla e Lucilo J. Caldera, que pertenciam ao grupo da Ação Católica da Juventude Mexicana (ACJM), os quais só ficaram em liberdade no dia 16 seguinte porque o juiz do distrito não havia encontrado delito que justificasse a prisão deles.
Tal sentença, com já era de se esperar, converteu-se em um episódio ridículo para o general Ortiz que, furioso, jurou publicamente vingar-se no Reverendo Padre Mateo Correa, por quem nutria ódio verdadeiramente irracional e perverso.

Enquanto mantinham detidos os jóvens católicos da ACJM, o general Ortiz exigiu a presença dos padres J. Rodolfo Arroyo e do recem chegado Padre Mateo Correa.


O militar diante dos dois clérigos, lhes mostrou o manifesto da ACJM e a lista de assinaturas, perguntando-lhes o que era aquilo. o Padre Correa disse: "Trabalho de paz", ao que Ortiz replicou furioso: "Isso é trabalho de paz?".

Interveio o Padre Arroyo explicando que o Reverendo Padre Mateo não sabia nada sobre o manifesto, porque havia acabado de chegar. O general no entanto ordenou que fossem presos acusando-os de rebeldes e ordenando que fossem enviados à Zacatecas.





O povo estava exaltado, porém os dois sacerdotes tentavam acalmá-lo. O general Ortiz e seus quinze soldados se retiraram de Valparaíso no dia 3 bem cedo, porém o general ordenou ao prefeito municipal que enviasse a Zacatecas os dois padres e os jóvens da ACJM.




Padre Correa não quis deixar sua paróquia sendo que passou a esconder-se em casas e fazendas, mantendo tal procedimento ao longo de onze meses, foi por quatro vezes  encarcerado, inclusive tendo sido ameaçado de morte por Ortiz caso retornasse à paróquia.



O Senhor Bispo de Zacatecas Don Ignacio Plascencia (bispo que no ano 1908 havia levado por alguns meses ao jovem seminarista José María Robles em sua missão pela diocese de Tehuantepec) foi avisado pelo Padre Mateo quanto à ameaça, sendo que o bispo o autorizou - com as devidas precauções - a atender aos fiéis.


O dono da Fazenda de San José de Yanetes, Senhor José María Miranda, convidou ao Reverendo Padre Correa para passar ulguns dias em sua casa em meados de dezembro de 1926 e a partir deste local atendia aos fiéis.

Em 30 de janeiro de 1927, Eleuterio García, do rancho "Las Mangas", próximo à fazenda de San José de la Sauceda, pediu aoPadre Correa que fosse dar auxílio espiritual à sua mãe que estava doente, o que ele prontamente atendeu sendo acompanhado do Senhor José Miranda.

No caminho foi interceptado pela tropa. Eram cerca de oitenta soldados federais e mais o agrarista Encarnación Salas, que acabou por reconhecer o Padre mateo Correa, denunciando-o para o major José Contreras, que comandava aquele grupo militar.





São Mateo Correa Magallanes e à direita, interior da Igreja e o púlpito onde por vezes pregou São Mateo Correa aos fiéis.

Já detidos, Padre Mateo entregou rapidamente a Cuca, filha do Senhor Miranda, o relicário que continha o Santíssimo Sacramento que ele portava, para que o entregasse na capela de São José.

O Padre Mateo foi colocado no carro do Senhor José María Miranda, no qual também colocaram sua mãe e sua irmã Lupe. Dois soldados seguiam escoltando-os, sobretudo o clérigo.

Os levaram a Fresnillo - Zacatecas, e alí os encarceraram a todos, porém deixaram livres as mulheres e a outros, mantendo na prisão apenas o Senhor José María e o Padre Mateo, a quem os demais presos ofendiam e lhes diziam injúrias, ofensas essas que Padre Correa suportava pacientemente.

Nesse dia conseguiu enviar uma carta a suas irmãs onde lhes dizia:

"É tempo de padecer por Cristo Jesus, Aquele que morreu por nós".






Eulogio Ortiz, que estava a par de tudo, ordenou que no dia 1 de fevereiro os presos fossem trasportados por trem até o estado de Durango, onde desembarcaram no dia 3, diretamente para uma cela na prisão, onde o Reverendo Padre Mateo Correa consolava aos demais prisioneiros rezando o rosário e os incentivava a viver com fé e esperança cristãs.

No dia 5 de fevereiro, depois do jantar, o general Ortiz ordenou que se apresentasse em seu escritório o Padre Correa e lhe disse:


"Primeiro vá confessar esses bandidos rebeldes (alguns cristeros alí mantidos) que você está vendo e que serão fusilados brevemente, depois veremos o que faremos com você".

Padre Mateo atendeu as confissões dos sentenciados à morte e os preparou para bem morrer. Terminada sua atividade pastoral, o general lhe disse:


 "Agora me diga o que esses bandidos te disseram em confissão".


Natural foi a atitude do General ao encolerizar-se quando o Reverendo Padre Mateo Correa Magallanes se negou a fazer o que ele lhe pediu, dizendo:
"Jamais farei tal coisa".

-"Como assim jamais?" Replicou o general, e lhe gritou:

-"Vou mandar que te fusilem imediatamente!"

Padre Correa respondeu ao general:

"Pode mandar que me fuzilem, General... ignora o senhor que um sacerdote deve guardar o segredo de confissão. Estou disposto a morrer".

-"Padre, disse o general, já lhe havia dito que não voltasse a pôr os pés em Valparaíso, e não me destes ouvido. Não se lembra? Vou mandá-lo pra aquele lugar..."

Respondeu o Reverendo Padre Mateo:
"Faça de mim o que bem entender, eu estava apenas cumprindo com minha obrigação, porém peço que tenha piedade e misericórdia para com meu amigo, por favor, é pai de família e tem vários filhos".

Ao que respondeu o general:

- "Também a ele o mandarei pros quinto dos..."

Padre Mateo novamente o interrompeu:
"Eu chegarei primeiro diante de Deus e nada acontecerá ao meu amigo".


Com efeito, nada passou com o Senhor José María Miranda, que acabou livre.

No dia seguente, 6 de fevereiro de 1927, pela madrugada, os soldados levaram o Padre Mateo Correa Magallanes para um lugar solitário, próximo ao Cemitério oriente de Durango e lá o assassinaram. Padre Mateo entregou sua vida a Deus, crivado de balas de uma pistola calibre quarenta e cinco, arma pertencente ao própio general Eulogio Ortiz.

Tempos depois, o general Eulogio Ortiz, chamado "O Cruel", morreu no estado de Querétaro, quando por conta da epidemia de febre aftosa recebeu o encargo de obrigar os fazendeiros a sacrificar o gado para evitar a propagação da febre. Em uma de suas blitz tentou parar uma caminhonete que passava em alta velocidade, quando atravessou repentinamente diante da mesma e devido à sua imprudência foi atropelado.
Alí permaneceu inconsciente e com muitos ossos quebrados; após alguns dias acabou falecendo no hospital.



´Traslado das Relíquias de São Mateo Correa Magallanes
O corpo de Padre Mateo permaneceu oculto em meio aos arbustos. Foi encontrado somente três dias depois pelo Sr. José María Martínez, que retornava de seu trabalho diário e encontrando-o avisou as autoridades civís e militares.

Vários vizinhos se dirigiram ao local, porém se depararam com o lugar vazio: os mesmos soldados que o mataram já o haviam enterrado; eles, no entanto, viram o rastro de que haviam arrastado o corpo vários metros, deixando entre as pedras cabelos ensanguentados e o chapéu do sacerdote.

O Servo de Deus Mateo Correa Magallanes foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 22 de novembro de 1992, junto con seus 24 companheiros Mártires Mexicanos, na cerimônia realizada dentro da Basílica de São Pedro no Vaticano.

O  Beato Mateo Correa Magallanes foi canonizado por Sua Santidade João Paulo II no dia 21 de maio do Ano Santo 2000, durante a Missa de Canonização que se realizou na praça de São Pedro em Roma; data dedicada exclusivamente ao México dentro das cerimônias do Jubileo da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.



 
Hoje em dia os restos mortais de São Mateo Correa Magallanes são venerados na capela de São Jorge Mártir, da catedral de Durango - Durango.

SÃO MATEO CORREA MAGALLANES, cristero mártir do segredo da confissão, rogai por nós!


Fonte: Santoral Latino

Tradução e adaptação: Morro por Cristo

sábado, 3 de setembro de 2016

SÃO PIO X, rogai por nós!

Hoje - conforme o Calendário Litúrgico Tradicional - é dia do grande Papa São Pio X, patrono de nosso blog.
Para saber mais sobre a vida deste glorioso santo de Nosso Senhor Jesus Cristo, CLIQUE SOBRE A IMAGEM:

CLIQUE AQUI
SÃO PIO X, rogai por nós!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

BEATO LUIS MAGAÑA SERVIN, rogai por nós!

Hoje é dia do Beato Luis Magaña Servín, mártir Cristero.

 
Arandas, povoado localizado na região de "Los Altos" de Jalisco, é uma terra que, como quase todas as terras de nossa nação mexicana, tem um legado histórico interessante.
 
Em seu tempo, pertenceu à Diocese de Valladolid, hoje Arquidiocese de Morelia, Michoacán, cujas terras pertenciam a um cavalheiro espanhol chamado Andrés de Villanueva, quem em meados do século XVII, fundou a primeira comunidade não precisamente indígena, mas sim miscigenada entre nativos, espanhóis e alguns franceses. Por essa razão, as pessoas dessa região de "Los Altos" de Jalisco mantém alguns traços  europeus: pele clara, cabelo loiro, estatura alta e - em geral - olhos claros.
 
Luis foi uma criança tranquila. Não gostava de se envolver em confusões, ainda que adorasse as brincadeiras infantis daquele tempo: bolinhas de gude, rodar pião, yo-yo, "las ramitas". Mais tarde, se apaixonou pelo jogo de beisebol.

Já um pouco mais crescido, passou a ajudar a seu pai Raymundo na "tenería" (n.d.t. local onde se curtem e preparam peles, "curtume"); com empenho e espírito de sacrifício, levantava-se bem cedo e ia à Missa das 5 da manhã, juntamente com seu pai, em seguida tomava café e ia à escola. Pela tarde, ajudava nas atividades de curtume, rezava o rosário em família, jantava e então ia para a cama.

Assim eram todos os dias, seguindo um horário fixo e disciplinado; duas vezes por semana ia aprender o catecismo, ensinado por uma catequista, onde aprendia palavra por palavra as respostas do livro do padre Ripalda.

"Cresceu muito parecido ao seu pai - recorda Ignacio González López - sendo seu braço direito em tudo, chegando inclusive a ficar à frente da "teneria". Ainda que Luis trabalhasse em meio aos couros malcheirosos, estava sempre alegre e bem-humorado".
Várias testemunhas afirmaram ser Luis muito conhecido e apreciado pelo seu interesse nas questões sociais, impulsionado pela leitura da encíclica Rerum Novarum que Sua Santidade o Papa Leão XIII publicou em 1891. Juan Camarena Vázquez assegurou que ele pertencia à Associação de Santa María de Guadalupe, que reunia os obreiros, camponeses e artesãos.

O ancião Sr. Salvador Navarrete Navarro, recorda que Luis Magaña gostava de conversar sobre os problemas sociais, sobre a política do governo e das coisas referentes ao povo. Em sua casa se reuniam e se planejavam todos os movimentos. Luis era apaixonado pelas causas sociais e colocava em prática a justiça social no trato humano e amigável com seus trabalhadores. Em sua pequena empresa, tratava generosamente a seus ajudantes e trabalhadores e, frequentemente lhes emprestava dinheiro.
Leigo Mártir de Arandas - Jalisco - 1902-1928
"Luis era fiel ao seu turno da noite - afirma seu primo irmão, o Sr. José Magaña López. Luis tirava daí toda sua força e entusiasmo para a defesa da Igreja. Luis se levantava às cinco da manhã para estar na Paróquia já na primeira Missa". Todas as testemunhas de então afirmaram que Luis Magaña era de Missa e comunhão diária. Primeiro cumprir com Deus e depois com todos os demais.

Envolvido com tantas atividades na paróquia, era de se esperar que Luis fosse muito amigo dos párocos e vigários de Arandas. O Sr. Ignacio González López, seu amigo desde a infância, diz que: "Luis dava palestras aos companheiros, era o braço direito do pároco Padre Amando J. de Alba, além de ser totalmente entregue às coisas de Deus. Como organizava tudo de maneira excelente! Juntava grupos de jovens para ajudar aos mais pobre".

Ainda assim, Luis não descuidava seu trabalho nem sua família. Recorda dom Maximiliano Navarrete Navarro, empregado por mais de 20 anos nos Correios de então, no trajeto Arandas-Atotonilco, Jalisco: "Os Magaña saíam a vender os couros curtidos. Eu os levava ao correio para Atotonilco e conversava com Seu Raymundo e seu filho. Luis sempre foi bom com vendas  desde bem pequeno. Me lembro que rezava durante o caminho. Logo após, me contava como ia o negócio, em quê e como trabalhava... Mas ao que me lembre nunca o ouvi queixar-se de alguém ou que estivesse inconformado com alguém. As vezes me contava, durante a viagem, os sermões que havia ouvido no domingo"...

"Muito gentis e sinceros em tudo, eram também generosos comigo. Sempre me pagavam a comida. Em seguida, Luis ia sozinho e nunca regressava com mercadoria, porque era um ótimo comerciante. Ainda assim, nada "pão duro". Eu mesmo o vi ajudar aos pobres que lhe pediam dinheiro".



Grande era sua devoção à Virgem Maria. Em 27 de novembro de 1921, Luis esteve presente no  ato de desagravo que se realizou em Arandas pelo ataque explosivo diante a imagem da Virgem de Guadalupe em sua Basílica na Vila de Guadalupe na Cidade do México.

Sendo Arandas centro de inumeráveis associações religiosas, Luis Magaña desde bem jovem se inscreveu na Associação Católica da Juventude Mexicana, sendo um dos que fundaram a ACJM naquela localidade.

Em 7 de janeiro de 1922, visitou Arandas o líder da ACJM (também Beato e Mártir) Anacleto Gonzáles Flores em uma espécie de "turnê" de propaganda católica.

Luis pôde ver, escutar e admirar de perto o "Mestre", grande defensor da liberdade religiosa dos católicos, o guerreiro de Cristo que com a palavra e a caneta queria renovar a sociedade mexicana.

Mais tarde, em 7 de novembro daquele mesmo ano, Luis Magaña foi uno dos fundadores da Adoração Noturna em Arandas, associação que tinha como objetivo fazer a guarda e oração diante de Jesus Sacramentado durante as horas da noite.
Luis era um homem pacífico. No entanto, quando se instalou o conflito cristeio na região de "los Altos", entre 10 e 14 de janeiro de 1927, Luiz não se alistou nas filas de combatentes cristeros (como fez a maioria), mas antes permaneceu em Arandas para organizar o apoio aos que estavam no acampamento de Cerro Gordo. Assim nos conta o  Sr. José magaña Lópes, primo de Luis: "Viram como meu primo era bom para convencer as pessoas... Ele juntava de tudo, até mesmo armas e munição, e depois nos mandava com o correio de seu grande amigo Pancho. Carregava de pães o lombo de burros que tinha e também punha munição e outras necessidades para os que estávamos armados. Todos os dias nos chegavam coisas de uma forma ou outra. Luis sabia o risco que estava correndo e ainda assim resolveu corrê-lo".
Em 1927, para impedir a ajuda que era prestada aos cristeros, a autoridade militar ordenou que quando terminasse a colheita de milho, todas as famílias que vivessem nos pequenos povoados e nos ranchos, deviam se concentrar em algum centro importante que estivesse sob a autoridade do Governo.

Deste modo, qualquer pessoa que se encontrasse fora, isolada, seria considerada rebelde e fora da lei, podendo ser fuzilada sem maiores explicações. Tal procedimento obrigava os camponeses pacíficos a abandonar suas colheitas e suas casas.
Tal problema não demorou a alcança-lo. Luis era muito esperto e bom para se esconder. Ainda assim, o general Zenón Martínez não o encontrando, por infelicidade, deu de cara com seu irmão Delfino, a quem tomou por refém. Era a manhã do dia 9 de fevereiro de 1928 quando  soldados se apresentaram na casa de dom Raymundo Magaña trazendo a ordem do general para prender Luis.

Como não o encontraram, detiveram seu irmão Delfino que era dois anos mais novo que Luis, e disseram ao sr. Raymundo seu pai, que se Luis não se apresentasse naquele mesmo dia, fuzilariam a Delfino, que era solteiro. Luis, por outro lado, era casado, tendo um filho pequenino e esperando outro que logo nasceria. Isso muito preocupou a seu Raymundo.

Quando  ao meio dia chegou Luis em sua casa, encontrou seus pais e sua esposa chorando. Lhe contaram o ocorrido e Luis, como sempre tranquilo e sereno, compreendendo perfeitamente a angústia de seu pai, interveio com sagacidade, dizendo-lhes:
 
"Fiquem tranquilos. Vou falar com o general Martínez para averiguar o que acontece e lhes prometo trazer de volta a Delfino. No mais, provavelmente me enviarão a Guadalajara, onde tudo se resolverá".
 
Tomou seu banho, se barbeou e saiu de seus aposentos com seu resplandecente terno escuro, que havia comprado em Guadalajara para seu casamento e que havia guardado para o dia do triunfo. Sentou-se à mesa com sua família e comeu tranquilamente. Era sua última refeição. Ao terminar, levantou-se, se pôs de joelhos diante de seus pais e lhes pediu a benção. Em seguido os confortou dizendo-lhes que logo voltaria.

Ao se recompor, estendeu os braços e os abraçou a todos, um a um. Pegou em seus braços seu filho pequeno, Gilberto, de apenas dez meses, o apertou junto ao peito e o beijou; deu um forte abraço em sua esposa Elvira que chorando soluçava, e se foi. Era por volta de três horas da tarde, hora en que Luis seguiu pela Rua Juárez, a que sempre tomava para descer à praça ou à paróquia. Naquele tempo, a Sra. María Alvizo e seus familiares estavam concentrados numa casa da Rua Juárez. Ela lembra que viu Luis descer, e como se conheciam de muitos anos porque seu pai, Benito Alvizo, havia sido padrinho de casamento de Luis, lhe perguntou aonde ia vestido tão elegante, como se fosse à alguma festa. Após saber do que se tratava, lhe disse:
 
"Não vá, porque vão te fuzilar!"

Então Luis, abrindo os braços e olhando para o céu, respondeu:
 
"Que felicidade, dentro de uma hora estarei nos braços de Deus"

Luis foi direto ao antigo escritório paroquial, onde agora se encontrava o escritório do quartel militar. Ao chegar à porta, perguntou aos soldados que a guardavam se poderia falar com o general Martínez. De imediato um oficial o prendeu e o conduziu escoltado ao Hotel Centenário onde estava hospedado o general.

"- Quem é você?" - perguntou de forma autoritária o general Zenón Martínez.
 
" - Meu general, eu sou Luis Magaña, a quem o senhor procura" - disse sem tremer, olhando nos olhos do militar - aquele que foi preso é meu irmão, e ele nada deve. Os senhores procuravam a mim, assim que deixem-no livre".

O general Martínez, ao se encontrar diante deste valente rapaz, se pôs a observa-lo. Deve ter sido uma cena suprema aquele momento: Luis, um jovem magro, de rosto fino, vestido como que para uma festa, valente, generoso, calmo, encarando de frente, com os olhos fixos no homem rude, sem sequer piscar.

O militar se levantou de sua poltrona, trocou algumas palavras com seu tenente e, dirigindo-se a Luis, lhe disse em tom um tanto desconcertado:

"- Bem, jovenzinho. Vamos ver se você é mesmo tão valente como parece."
E dirigindo-se ao oficial, lhe ordenou:

-"Soltem ao outro e fuzilem a este aqui, imediatamente, no pátio da igreja".
Eram cerca de quatro da tarde. As ruas estavam quase desertas. Era uma hora "preguiçosa" para o povo que, talvez sonolento com o peso da comida ingerida no almoço, dormia a "siesta", sendo que apenas umas poucas mulheres apuradas de trabalho e obrigações, se concentravam em seus trabalhos domésticos.


O pelotón de oito soldados e o tenente saíram do hotel atrás dos presos: Luis Magaña e "Pancho la Muerte", seu fiel mensageiro a quem haviam capturado anteriormente. Cruzaram a praça pequena, entraram no átrio da paróquia de Nossa Senhora de Guadalupe de Arandas e os colocaram à esquerda do portal. O tenente tentou lhe vendar os olhos, porém Luis não quis.
O militar lhe perguntou qual seria sua última vontade. Luis Magaña tinha suas mãos atadas às costas. Levantou seus olhos as céus e, diante do grupo de soldados e curiosos que haviam se reunido para presenciar a execução, Luis expressou suas últimas palavras.

A Sra. María Mercedes Torres assegura ter escutado as palavras de Luis e sua solene declaração:

 
"Nunca fui cristero (soldado) nem rebelde, como vocês me acusam. Agora, se é de cristão que me acusam, sim o sou! Soldados que vão me fuzilar: Quero lhes dizer que desde este momento vocês estão perdoados, e lhes prometo que ao chegar na presença de Deus, serão os primeiros por quem vou pedir.
Viva Cristo Rey!
Viva Santa Maria de Guadalupe!"

O padre J. Guadalupe Navarro, então seminarista de dezoito anos, estava naquele momento no posto na esquina do pequeno portal, próximo ao escritório atual e ouviu perfeitamente as palavras de ordem:

- "Preparar as armas... Apontar... FOGO!".
Ressoou por todo o povo uma forte detonação em meio ao trágico silêncio dessa tarde. Encerrada em sua casa, a mãe do mártir, Conchita, desmaiou quando ouviu os disparos, como  conta sua neta, Esperanza Magaña. No átrio da igreja ficaram dois corpos inertes. Era a tarde do dia 9 de fevereiro de 1928.
 
BEATO LUIS MAGAÑA SERVÍN, Rogai por nós!

sábado, 6 de fevereiro de 2016

SÃO MATEO CORREA MAGALLANES, rogai por nós!

Hoje é dia de San Mateo Correa Magallanes, mártir Cristero.


 

O Padre, Sacerdote de Cristo, Mateo Correa Magallanes
Nasceu em uma família bastante pobre e humilde. Recebeu a educação primária em uma escola de Jerez - estado de Zacatecas - e em seguida na cidade de Guadalajara, onde viveu durante três anos.

Logo depois, se inscreveu no Seminário de Zacatecas, onde foi admitido gratuitamente, desempenhando a função de porteiro do edifício que abrigava a instituição.

Passado esse período, por sua boa conduta e aplicação nos estudos, lhe foi concedida uma bolsa para ser aluno interno e assim concluir seus estudos.

Foi ordenado sacerdote no dia 20 de agosto de 1893 e celebrou sua primeira missa cantada na paróquia de Fresnillo - Zacatecas, quando tinha vinte sete anos de idade.

Durante os 34 anos de sua vida sacerdotal percorreu todos os rincões da diocese, pois sempre estava disposto a trabalhar onde quer que lhe enviasse seu bispo, mesmo nos locais onde outros não  haviam aceitado; por isso seus companheiros o apelidaram "O Andarilho", pois percorreu praticamente toda a diocese de Zacatecas.

Após vários anos de ministério, foi nomeado pároco de Concepción del Oro - Zacatecas, onde  administrou o sacramento da comunhão ao Beato Miguel Agustín Pro S.J., além de administrar o batismo ao irmão deste, Humberto, ambos também mortos durante a perseguição religiosa.



Retornou a Colotlán - Jalisco, onde viveu três anos e, em fevereiro de 1926 foi destinado a Valparaíso - Zacatecas, onde esteve durante o último ano de sua vida e teve que suportar a perseguição constante e implacável dos militares, comandados pelo general Eulogio Ortiz, que era cruel, sanguinário e tinha ódio mortal aos sacerdotes.
 
São Mateo Correa Magallanes quando jovem seminarista




Em 2 de março de 1926 chegou a Valparaíso o general Eulogio "O Cruel" Ortiz que tomou conhecimento que nessa região os jóvens da Ação Católica divulgavam o manifesto do comitê central que expresava o sentimento dos católicos diante das leis injustas da Constituição, além de juntarem assinaturas pedindo ao Congresso da União para que derrogassem tais leis.
De imediato mandou encarcerar aos jóvens Vicente Rodarte, Pascual E. Padilla e Lucilo J. Caldera, que pertenciam ao grupo da Ação Católica da Juventude Mexicana (ACJM), os quais só ficaram em liberdade no dia 16 seguinte porque o juiz do distrito não havia encontrado delito que justificasse a prisão deles.
Tal sentença, com já era de se esperar, converteu-se em um episódio ridículo para o general Ortiz que, furioso, jurou publicamente vingar-se no Reverendo Padre Mateo Correa, por quem nutria ódio verdadeiramente irracional e perverso.

Enquanto mantinham detidos os jóvens católicos da ACJM, o general Ortiz exigiu a presença dos padres J. Rodolfo Arroyo e do recem chegado Padre Mateo Correa.


O militar diante dos dois clérigos, lhes mostrou o manifesto da ACJM e a lista de assinaturas, perguntando-lhes o que era aquilo. o Padre Correa disse: "Trabalho de paz", ao que Ortiz replicou furioso: "Isso é trabalho de paz?".

Interveio o Padre Arroyo explicando que o Reverendo Padre Mateo não sabia nada sobre o manifesto, porque havia acabado de chegar. O general no entanto ordenou que fossem presos acusando-os de rebeldes e ordenando que fossem enviados à Zacatecas.




O povo estava exaltado, porém os dois sacerdotes tentavam acalmá-lo. O general Ortiz e seus quinze soldados se retiraram de Valparaíso no dia 3 bem cedo, porém o general ordenou ao prefeito municipal que enviasse a Zacatecas os dois padres e os jóvens da ACJM.



Padre Correa não quis deixar sua paróquia sendo que passou a esconder-se em casas e fazendas, mantendo tal procedimento ao longo de onze meses, foi por quatro vezes  encarcerado, inclusive tendo sido ameaçado de morte por Ortiz caso retornasse à paróquia.


O Senhor Bispo de Zacatecas Don Ignacio Plascencia (bispo que no ano 1908 havia levado por alguns meses ao jovem seminarista José María Robles em sua missão pela diocese de Tehuantepec) foi avisado pelo Padre Mateo quanto à ameaça, sendo que o bispo o autorizou - com as devidas precauções - a atender aos fiéis.


O dono da Fazenda de San José de Yanetes, Senhor José María Miranda, convidou ao Reverendo Padre Correa para passar ulguns dias em sua casa em meados de dezembro de 1926 e a partir deste local atendia aos fiéis.

Em 30 de janeiro de 1927, Eleuterio García, do rancho "Las Mangas", próximo à fazenda de San José de la Sauceda, pediu aoPadre Correa que fosse dar auxílio espiritual à sua mãe que estava doente, o que ele prontamente atendeu sendo acompanhado do Senhor José Miranda.

No caminho foi interceptado pela tropa. Eram cerca de oitenta soldados federais e mais o agrarista Encarnación Salas, que acabou por reconhecer o Padre mateo Correa, denunciando-o para o major José Contreras, que comandava aquele grupo militar.




São Mateo Correa Magallanes e à direita, interior da Igreja e o púlpito onde por vezes pregou São Mateo Correa aos fiéis.

Já detidos, Padre Mateo entregou rapidamente a Cuca, filha do Senhor Miranda, o relicário que continha o Santíssimo Sacramento que ele portava, para que o entregasse na capela de São José.

O Padre Mateo foi colocado no carro do Senhor José María Miranda, no qual também colocaram sua mãe e sua irmã Lupe. Dois soldados seguiam escoltando-os, sobretudo o clérigo.

Os levaram a Fresnillo - Zacatecas, e alí os encarceraram a todos, porém deixaram livres as mulheres e a outros, mantendo na prisão apenas o Senhor José María e o Padre Mateo, a quem os demais presos ofendiam e lhes diziam injúrias, ofensas essas que Padre Correa suportava pacientemente.

Nesse dia conseguiu enviar uma carta a suas irmãs onde lhes dizia:

"É tempo de padecer por Cristo Jesus, Aquele que morreu por nós".




Eulogio Ortiz, que estava a par de tudo, ordenou que no dia 1 de fevereiro os presos fossem trasportados por trem até o estado de Durango, onde desembarcaram no dia 3, diretamente para uma cela na prisão, onde o Reverendo Padre Mateo Correa consolava aos demais prisioneiros rezando o rosário e os incentivava a viver com fé e esperança cristãs.

No dia 5 de fevereiro, depois do jantar, o general Ortiz ordenou que se apresentasse em seu escritório o Padre Correa e lhe disse:


"Primeiro vá confessar esses bandidos rebeldes (alguns cristeros alí mantidos) que você está vendo e que serão fusilados brevemente, depois veremos o que faremos com você".

Padre Mateo atendeu as confissões dos sentenciados à morte e os preparou para bem morrer. Terminada sua atividade pastoral, o general lhe disse:


 "Agora me diga o que esses bandidos te disseram em confissão".


Natural foi a atitude do General ao encolerizar-se quando o Reverendo Padre Mateo Correa Magallanes se negou a fazer o que ele lhe pediu, dizendo:
 
"Jamais farei tal coisa".

-"Como assim jamais?" Replicou o general, e lhe gritou:

-"Vou mandar que te fusilem imediatamente!"

Padre Correa respondeu ao general:

"Pode mandar que me fuzilem, General... ignora o senhor que um sacerdote deve guardar o segredo de confissão. Estou disposto a morrer".

-"Padre, disse o general, já lhe havia dito que não voltasse a pôr os pés em Valparaíso, e não me destes ouvido. Não se lembra? Vou mandá-lo pra aquele lugar..."

Respondeu o Reverendo Padre Mateo:
 
"Faça de mim o que bem entender, eu estava apenas cumprindo com minha obrigação, porém peço que tenha piedade e misericórdia para com meu amigo, por favor, é pai de família e tem vários filhos".

Ao que respondeu o general:

- "Também a ele o mandarei pros quinto dos..."

Padre Mateo novamente o interrompeu:
 
"Eu chegarei primeiro diante de Deus e nada acontecerá ao meu amigo".


Com efeito, nada passou com o Senhor José María Miranda, que acabou livre.

No dia seguente, 6 de fevereiro de 1927, pela madrugada, os soldados levaram o Padre Mateo Correa Magallanes para um lugar solitário, próximo ao Cemitério oriente de Durango e lá o assassinaram. Padre Mateo entregou sua vida a Deus, crivado de balas de uma pistola calibre quarenta e cinco, arma pertencente ao própio general Eulogio Ortiz.

Tempos depois, o general Eulogio Ortiz, chamado "O Cruel", morreu no estado de Querétaro, quando por conta da epidemia de febre aftosa recebeu o encargo de obrigar os fazendeiros a sacrificar o gado para evitar a propagação da febre. Em uma de suas blitz tentou parar uma caminhonete que passava em alta velocidade, quando atravessou repentinamente diante da mesma e devido à sua imprudência foi atropelado.
Alí permaneceu inconsciente e com muitos ossos quebrados; após alguns dias acabou falecendo no hospital.



´Traslado das Relíquias de São Mateo Correa Magallanes
O corpo de Padre Mateo permaneceu oculto em meio aos arbustos. Foi encontrado somente três dias depois pelo Sr. José María Martínez, que retornava de seu trabalho diário e encontrando-o avisou as autoridades civís e militares.

Vários vizinhos se dirigiram ao local, porém se depararam com o lugar vazio: os mesmos soldados que o mataram já o haviam enterrado; eles, no entanto, viram o rastro de que haviam arrastado o corpo vários metros, deixando entre as pedras cabelos ensanguentados e o chapéu do sacerdote.

O Servo de Deus Mateo Correa Magallanes foi beatificado pelo Papa João Paulo II no dia 22 de novembro de 1992, junto con seus 24 companheiros Mártires Mexicanos, na cerimônia realizada dentro da Basílica de São Pedro no Vaticano.

O  Beato Mateo Correa Magallanes foi canonizado por Sua Santidade João Paulo II no dia 21 de maio do Ano Santo 2000, durante a Missa de Canonização que se realizou na praça de São Pedro em Roma; data dedicada exclusivamente ao México dentro das cerimônias do Jubileo da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.



 
Hoje em dia os restos mortais de São Mateo Correa Magallanes são venerados na capela de São Jorge Mártir, da catedral de Durango - Durango.

 
SÃO MATEO CORREA MAGALLANES, cristero mártir do segredo da confissão, rogai por nós!

Fonte: Santoral Latino

Tradução e adaptação: Morro por Cristo

sábado, 30 de janeiro de 2016

SÃO DAVID GALVÁN BERMÚDEZ, rogai por nós!

Hoje é dia de São David Galván Bermúdez!

Filho do senhor. J. Trinidad Galván Trejo e da senhora Mariana Bermúdez Rodríguez, nasceu no dia 29 de janeiro de 1881 em Guadalajara e recebeu o batismo em 2 de fevereiro na Igreja de Nossa Senhora do Pilar.

Quando tinha apenas 3 anos de idade, sua mãe faleceu e David ficou aos cuidados de seu pai e seus irmãos. Mais tarde tendo seu pai casado novamente, passou a ser cuidado também por sua madrasta Victoriana Medina. Recebeu o sacramento da Crisma em 19 de setembro de 1886 na Igreja chamada "da Universidade", ou seja, na Igreja de São Tomás, que pertencia em sua época ao Colégio dos Jesuítas; anos depois o Colégio foi transformado em escritório de Telégrafos e atualmente funciona como Biblioteca-Museu. Ainda criança David Galván participou como coroinha e também no coral de Infantes da Catedral de Guadalajara.

Logo manifestou a seu pai o desejo de ingressar no Seminário, tendo ele aceitado levá-lo para matricular-se em outubro de 1895. Alí cursou como aluno aplicado e sempre obtendo boas notas os cinco anos de latín e humanidades. Terminados os estudos, saiu do Seminário.

Os três años em que esteve fora do Seminário, trabalhou numa sapataria, além de dar aulas como professor de escola primária. Teve uma conduta um tanto desregrada nesse tempo, ao ponto de ter sido detido numa briga com sua namorada.
Passada essa experiência, o jovem David, contando vinte e um anos de idade, sentiu novamente o intenso desejo de voltar ao Seminário, porque ouvia em seu interior o chamado de Deus; tornou-se muito devoto, piedoso e assíduo à oração e aos atos de culto; visitava o Santíssimo Sacramento e a Virgem de Zapopan e a invocava dizendo-lhe:
 
"Minha Mãe, dai-me um norte para que eu conheça minha vocação"



Antes de admití-lo, o Reitor do Seminário, Miguel de la Mora (São Miguel de la Mora, também mártir cristero), o submeteu durante um ano a provas rigorosas que ele superou de maneira admirável, demonstrando vivo desejo em ser admitido. Já novamente seminarista, apresentou excelente conduta como aluno exemplar, piedoso e aplicado, ocupando quase sempre o primeiro lugar nas aulas.

No sábado, 7 de novembro de 1903 o senhor Arcebispo José de Jesús Ortiz lhe conferiu a Primeira tonsura Clerical e no dia 23 de dezembro de 1905 as Ordens Menores.
Em outubre de 1907, no ínicio do ano escolar, foi nomeado professor do 2º. Curso de Latín no Seminário de Guadalajara; nesse curso e nos seis anos em que foi professor do Seminário desempenhou tais funções com grande estima por parte de seus superiores pelos bons resultados de suas aulas e o aproveitamento dos alunos, que muito o admiravam por sua sabedoria.

No ano de 1909 pelo ministério do senhor Arcebispo José de Jesús Ortiz, na Igreja da Soledad, o jovem David Galván foi ordenado diácono e em 20 de maio, festa da Ascensão, recebeu a Ordenação Sacerdotal.

Em setembro de 1910, toda a República Mexicana celebrava o primeiro centenário da proclamação de sua independência.
Juan Robles Hurtado, prefeito municipal de Mascota - Jalisco, assistiu às festas centenárias na capital do México, e quis levar consigo seu irmão José Maria Robles (São José Maria Robles, também mártir de Cristo), que por sua vez convidou ao Padre David Galván, então seu professor de Lógica.
O Padre Ramiro Camacho assim descreve a São David Galván Bermúdez:

"Índio de musculatura forte e robusta, um de seus olhos enxerga com dificuldade, puro de alma e corpo, admirado por seus discípulos por sua coragem e bravura".
No diário deixado por São José María Robles, dentre os diversos relatos interesantes sobre a viagem que fez acompanhado de São David Galván Bermúdez, encontramos a seguinte informação que nos dá uma idéia do anticlericalismo vigente na época:

Día 27: "Comemos e em seguida visitamos Veracruz... O Padre Galván e eu, temos andado "à paisana" como laicos, porque aqui há muito anticlericalismo; quase não há piedade... A tonsura tivemos de deixar crescer (refere-se ao cabelo da região superior-traseira da cabeça que é raspada nos clerigos quando são tonsurados); sendo notada somente se observada com atenção; é certo que nem por mal pensamento se deve supor que somos eclesiásticos"....
No Informe do Seminário de 1911 o Reitor, presbítero Dr. José Mercedes Esparza, fez um público reconhecimento do Padre Galván por seu meritório trabalho como diretor da revista do Seminário, "Voz que dá Fôlego", que publicou dezesete números de dezembro de 1910 a março de 1912 com vinte páginas cada exemplar.

Nos anos de 1909 a 1914 o Padre Galván também foi Capelão do Orfanato da Luz e do Hospital de São José, situados no bairro da Capilla de Jesús; com extrema caridade e atenção tratou aos enfermos, às meninas órfãs e às religiosas encarregadas destas casas.
O Sacerdote Mártir de Cristo, David Galván Bermúdez
Os testemunhos declaram que o Padre Galván celebrava com grande devoção a Santa Missa, para a qual se preparava com uma hora de oração, e depois dava graças com grande fervor. Passava longos momentos em oração diante do Santíssimo, todos os dias, pela manhã e pela noite, na Igreja de Santa Mônica, anexa ao Seminário. Em sua vida sacerdotal deu exemplo de muitas virtudes porque foi sensível, humilde, obediente e serviçal; nutria grande devoção pela Santíssima Virgem Maria, honrando-a diariamente com a reza do Santo Rosário e transmitia essa devoção às crianças.

Esforçava-se por mortificar seus sentidos para evitar as ocasiões de pecado e ter pureza em todos seus atos.

Procurou sempre ajudar aos necessitados proporcionando instrução aos ignorantes, remédios aos enfermos e auxílios espirituais aos moribundos, sem que o impedisse a chuva, o frio, o sol, os barrancos ou quaisquer outras dificuldades.

No mês de julho de 1914 entrou em Guadalajara tropas do exército do general Venustiano Carranza, dissolvendo templos, conventos, seminaristas, religiosos e sacerdotes. Por esses dias os alunos e os professores do Seminário foram dispersados pelas forças do exército.
Por essa razão o Padre Galván foi designado nesse ano, como vigário, a Amatitlán - Jalisco. Neste lugar uma jovem lhe pediu um conselho, já que Enrique Vera, militar carrancista, queria seduzí-la, sendo que era casado. O Padre Galván lhe aconselhou que se escondesse e que seus pais fizessem o mesmo. A jovem cometeu a imprudência de dizê-lo a Vera, despertando neste militar um verdadeiro ódio ao sacerdote, fazendo-o desejar uma vingança contra o Padre.
No fim do ano de 1914 chegaram para prendê-lo duas escoltas militares do tenente Enrique Vera, alegando ouvir rumores de que o Padre planejava levantar-se em armas. Ao detê-lo, São David pediu aos soldados permissão para consumir o Sagrado Depósito do Sacrário, pedido este concedido; no entanto, os soldados adentraram a Igreja, aproximándo-se do altar, com os chapéus nas cabeças e fumando, postura que para o Padre Galván causou grande indignação.

Os soldados o levaram preso a Tequila - Jalisco.
Também o mantiveram preso em Ameca - Jalisco, e depois em Guadalajara, na prisão de Escobedo. No mês de dezembro o deixaram em liberdade e os superiores da cúria Diocesana tiveram a idéia de enviá-lo a El Salvador e Atemanica - Jalisco, inclusive ele estava disposto a ir, porém nunca lhe entregaram a nomeação.

Em 18 de janeiro de 1915, doze dias antes de sua morte, passou mas de seis horas auxiliando os feridos na linha de fuego em um terrível combate entre "villistas" e "carrancistas" em Las Juntas - Jalisco.



Na madrugada do sábado - 30 de janeiro - os soldados villistas de Julián Medina atacaram os carrancistas que mantinham dominada a cidade de Guadalajara e muitos caíram mortalmente feridos. O Padre Galván estava hospedado em uma casa do bairro do Santuário, na Rua Pedro Loza, onde, ao ouvir os ruídos do confronto, levantou pronto para ir auxiliar os feridos. Enquanto lhe pediam que não saísse porque o matariam, Padre Galván lhes respondeu:
"Não haverá maior glória do que morrer salvando uma alma que eu consiga absolver!"



Pediu ao Padre Rafael Zepeda Monraz que o acompanhasse para confessar os feridos, porém este sacerdote não quis acompanhá-lo devido ao grande perigo e lhe disse que não estavam obrigados a ir porque não eram os párocos ou ministros dequela região, ao que o Padre Galván lhe respondeu:
"Não por obrigação, mas sim por caridade".

Pediu a ampola dos Santos Óleos e foi ao templo da Soledad, próximo à Catedral, chamando o Padre José María Araiza para auxiliar aos que seriam fusilados, porque tinha permissão do general. Em seguida os dois caminharam em direção ao Jardim Botânico quando ao passar em frente ao quartel, os soldados lhes perguntaram se eles eram religiosos e eles responderam que sim, eram sacerdotes, pelo que os soldados os detiveram.

O tenente coronel Enrique Vera odiava o Padre Galván porque antes este mesmo padre lhe havia impedido de seduzir e raptar a uma senhorita. Neste mesmo dia Vera ordenou que os sacerdotes fossem encarcerados em um quarto do quartel. Assim o fez por seu ódio à Fé e para se vingar do sacerdote.

Estando presos há duas horas, os dois sacerdotes fizeram sua confissão sacramental e se deram mutuamente a absolvissão. Às palavras do Padre Araiza, que lamentava por não ter sequer tomado o café da manhã, o Padre Galván lhe respondeu:




"Não importa, nós vamos comer com Deus".




Rosalío Lozano, uma das testemunhas do martírio de São David, perguntou aos villistas a razão de tal aglomeração de soldados e lhe responderam que haviam levado presos a dois sacerdotes, o Padre Galván e o Padre Araiza.



Com autorização do general Manuel M. Diéguez, governador do Estado, o militar carrancista Enrique Vera ordenou ao pelotão de soldados que levassem os dois sacerdotes para a Rua Coronel Calderón junto à parede oriente do Hospital Civil e que alí os fuzilassem.

Quando os retiraram, Petra - filha de Rosalío Lozano - e seu irmão menor se puseram a observar pelas "frestas" das portas de sua casa: o Padre David - recorda Petra - trazia as mãos atadas às costas e mantinha sua cabeça baixa; de seu pescoço pendia um longo cachecol branco.


Eram doze horas do dia 30 de janeiro de 1915; o Padre Galván, percebendo que sua morte era iminente, entregou aos soldados as moedas e outros objetos pessoais e a ampola com os Santos Óleos.

Em seguida, retirou seu chapéu, e sem permitir que le cubrissem os olhos, apontando para o próprio peito, disse aos algozes:


"Atirem aqui".

O subtenente Martín Ocampo ordenou a execução, os soldados dispararam as armas e o Padre caiu fusilado, vítima do ódio à religião de Jesus Cristo.

Petra nos conta que, depois destes acontecimentos, ela e muitas outras pessoas começaram a venerá-lo e a levar ao local de sua morte, pedrinhas e velas que com o tempo acabou formando uma espécie de altar, até que "tal gesto passou a desagradar o governo que por fim acabou com essa devoção".

Os familiares e amigos pediram às autoridades civís e militares a liberdade para os dois sacerdotes, mas quando chegaram com a ordem de indulto os soldados já haviam fuzilado o Padre Galván, servindo o indulto somente ao Padre José María Araiza, a quem mesmo assim mantiveram preso por mais cinco dias soltando-o somente quando lhes pagaram grande quantia em dinheiro.
Os restos mortais de Padre Galván, foram recolhidos pelas professoras María Dolores Alcaraz e María Soledad Dueñas que os colocaram num caixão e os conduziram em meio de uma silenciosa marcha e de uma grande multidão, até o colégio do Menino Jesus, localizado na Rua de Pedro Loza, onde foram velados por toda a noite por gente piedosa e por seus discípulos, amigos e companheiros.

O impressionante sepultamento ocorreu na tarde do domingo, 31 de janeiro de 1915. O cortejo fúnebre foi apoteótico, formado pela multidão de pessoas de todas as classes sociais, não obstante o temor que reinava nesse momento de perseguição.



Relíquias de São David Galván Bermúdez


Desde esse dia, os fiéis consideraram mártir o Padre David Galván; logo essa veneração se extendeu por todo o México.


Em junho de 1922 os restos do Padre David Galván foram depositados em um templo construído próximo ao lugar do martírio, a atual Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, no bairro de El Retiro, na cidade de Guadalajara - Jalisco.

O Padre David Galván foi declarado Beato pelo Papa João Paulo II no dia 22 de novembro de 1992 em cerimônia celebrada na Basílica de São Pedro em Roma, junto com seus 24 Companheiros Mártires Mexicanos.
No grande Jubileu do ano 2000 da Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Papa João Paulo II celebrou a Canonização deste Santo Mexicano.

SÃO DAVID GALVÁN BERMÚDEZ, rogai por nós!
Tradução e adaptação: Morro por Cristo