"Cristão é meu nome e Católico é meu sobrenome. Um me designa, enquanto o outro me especifica.
Um me distingue, o outro me designa.
É por este sobrenome que nosso povo é distinguido dos que são chamados heréticos".
São Paciano de Barcelona, Carta a Sympronian, ano 375 D.C.
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sábado, 3 de setembro de 2016

SÃO PIO X, rogai por nós!

Hoje - conforme o Calendário Litúrgico Tradicional - é dia do grande Papa São Pio X, patrono de nosso blog.
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SÃO PIO X, rogai por nós!

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

A religiosa infância de Francisco e a de Bento XVI




Papa Francisco falando de sua infância como coroinha:
"É possível que, sabe, quando eu era criança, a Missa era celebrada de forma diferente. Naquele tempo, o padre olhava em direção ao altar, que se encontrava junto à parede, e não para as pessoas. Então, o livro com o qual dizia a Missa, o missal, era colocado no lado direito do altar. No entanto, antes da leitura do Evangelho, devia ser mudado para o lado esquerdo. Esse era meu trabalho: levá-lo da direita para a esquerda. Era cansativo! O livro era pesado! O segurava com toda minha energia, no entanto, não era muito forte; uma vez o peguei e acabou caindo no chão, pelo  que o sacerdote teve que me ajudar. Que trabalho tive! A Missa tampouco era em italiano. O padre falava mas eu não entendia nada, e menos ainda entendiam meus amigos. Assim que para nos divertir gostávamos de fazer imitações do padre, alterando um pouco as palavras para compor curiosas expressões em espanhol. Nos divertíamos, e realmente aproveitávamos por ajudar nas Missas."


Carta do Papa Bento XVI, quando tinha 7 anos, pedindo ao Menino Jesus seus presentes de Natal: um Coração de Jesus, um missal, uma casula e um Volk-Schott (um missal com  tradução da missa latina e explicações da mesma):
“Querido Menino Jesus: Dentro de pouco tempo descerás sobre a terra. Trarás alegria às crianças. Também a mim me trarás alegria. Gostaria de ganhar o Volks-Schott, uma casula verde e um missal para a Missa e um Coração de Jesus. Serei sempre bom. Saudações, de Joseph Ratzinger.”
 

 TRADUÇÃO: Morro por Cristo

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O heroismo dos mártires cristãos e as misérias dos mornos ocidentais

Caros leitores, louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
 
Após o martírio dos 21 coptas pelas mãos do ISIS, o "Estado Islâmico", reproduzimos abaixo o texto de Antônio Socci que faz uma grave análise entre o heroísmo destes nossos irmãos e a vergonhosa atuação da Igreja devido à crise em que se encontra atualmente. Embora sejam duras as palavras empregadas no artigo, elas ilustram fielmente a  situação atual e podem ser aplicadas não apenas aos membros do clero atual, mas também à nós simples cristãos ocidentais, mornos e acomodados.


 

O heroísmo dos mártires cristãos e as misérias do Vaticano.


Que o Papa faça evacuar os 300 cristãos de Trípoli, juntamente com seu bispo, para salvá-los do massacre

Por Antonio Socci (18.02.2015) | Tradução: Fratres in Unum.com É preciso olhar de frente aqueles 21 jovens cristãos que, na Líbia, sofreram o martírio por não renegarem Cristo, e que antes de serem degolados pelo ISIS – segundo a leitura labial que foi feita – clamaram continuamente o nome de Jesus. Como os antigos mártires.
 
O NOME DE JESUS
 
O bispo deles disse:“Aquele nome sussurrado no último instante foi como que o selo do seu martírio”. Os cristãos coptas são gente forte, temperada por quatorze séculos de perseguição islâmica. São herdeiros daquele Santo Atanásio de Alexandria que salvou a verdadeira fé católica da heresia ariana, na qual tinha caído a maior parte dos bispos. São cristãos rijos, não uns invertebrados, como nós, católicos tíbios do Ocidente.
 
Eis aqui a verdadeira força: não aquela de quem odeia e mata os inermes (também as crianças), e crucifica quem tem uma fé diferente, e violenta as mulheres, desfraldando a bandeira negra e escondendo o próprio rosto.
 
A verdadeira força é a dos inermes que aceitam até o martírio para não renegarem a própria dignidade, isto é, a sua fé, para testemunharem a maravilha do “Belo Amor”, como diz uma antiga definição do Filho de Deus.
 
Um grande testemunho. Estes são os verdadeiros mártires: os cristãos. Não aqueles que massacram os inocentes inertes.
 
E esta é a glória dos cristãos: seguir um Deus que salvou o mundo fazendo-se matar e não matando os outros, como fazem todos os déspotas, agitadores e ideólogos (ou revolucionários) deste mundo, que são aclamados nos livros de história.
 
A LIÇÃO
 
Uma grande lição para um Ocidente embriagado do “politicamente correto”, que, como o desastroso Obama, se auto-impôs nem sequer pronunciar a palavra“islã” e “muçulmanos” quando fala dos massacres destes meses, desde o Norte do Iraque até Paris e Líbia. Um Ocidente nihilista, que se envergonha de suas raízes cristãs e não perde nenhuma ocasião para as cobrir de desprezo.
 
É uma dolorosa lição, enfim, sobretudo para a Igreja. Para uma Igreja que não testemunha mais o fogo ardente da fé.
 
Para a Igreja de Bergoglio que, enquanto existem homens e mulheres que dão a vida por Cristo, define como “uma solene besteira” o anúncio cristão e o proselitismo; para aquela Igreja de Bergoglio que, enquanto os cristãos são perseguidos e massacrados em todo o mundo muçulmano, faz um ato de adoração numa Mesquita, que vai atrás da ideologia obamiana dominante, evitando cuidadosamente pronunciar a palavra “Islã”, a não ser para louvá-lo (a propósito, o seu porta-voz em Buenos Aires atacou Bento XVI por causa de seu discurso em Ratisbona, sobre o Islã).
 
E sobretudo para aquele Papa Bergoglio que diz que a grande emergência atual da Igreja não é a fé, mas o meio-ambiente, e, depois, a acolhida aos novos tipos de casal e a comunhão para os divorciados recasados. Parece com o filme de Benigni, onde se dizia que o verdadeiro, o grande problema de Palermo é… “o trânsito!”.
 
É tanto assim que logo mais teremos a encíclica bergogliana sobre a ecologia e sobre as vantagens da coleta seletiva de lixo, ao invés de termos um grito de amor a Deus, neste mundo sem fé e sem esperança. Teremos um apelo contra a erosão, ao invés da denúncia do ódio anticristão em todo o planeta (pelo resto, já sabemos que em sua missa de entronização falou sobre o meio-ambiente, assim como no discurso à Expo, ao invés de falar de Cristo).
 
É o Papa Bergoglio que recebe e comove os centros sociais, tipo Leoncavallo, mas não os cristãos que heroica e pacificamente lutam para testemunhar a salvação, sofrendo o desprezo e as acusações do mundo.
 
É Bergoglio que escolhe os novos cardeais baseado em sua própria ideologia pessoal (deixando ver que, se quiser, pode inclusive decidir nomear o bispo de Ancona para o cardinalato), ao invés de conceder a púrpura, sinal do martírio, àqueles bispos que, justo nestes dias, concreta e heroicamente, vivem com as suas comunidades ameaçadas e, verdadeiramente, arriscam a sua vida com elas.
 
SALVAR AQUELES CRISTÃOS
 
Este é o caso do bispo de Tripoli, D. Martinelli, o mesmo bispo que, em 2011, quase sozinho (apenas com o apoio de Bento XVI), gritava todos os dias contra a guerra [liderada pela OTAN, no contexto do que se chamou de “Primavera Árabe”, que culminou com a queda de Muammar al-Gaddafi], explicando que aquilo abriria a“Caixa de Pandora”, exatamente como aconteceu depois.
 
Uma tragédia que devemos agradecer aos “Prêmios Nobel da Paz”, Obama e Sarkozy.
 
Hoje, na Itália e no exterior, aqueles que aclamaram a guerra se fazem de desentendidos. Enquanto nestes dias a Líbia corre o risco de se tornar uma base do Isis, o Bispo Martinelli decidiu permanecer ali, expondo-se à morte:
 
“Vi tantas cabeças cortadas – conta – e pensei que eu também poderia acabar assim. E se Deus quiser que meu fim seja ter a cabeça cortada, assim será […]. Poder dar testemunho é uma coisa preciosa. Eu agradeço ao Senhor que me permite fazê-lo, também com o martírio. Não sei até onde vai dar este caminho. Se me levar à morte, isso quer dizer que Deus quis assim… E eu não saio daqui. Eu não tenho medo”.
 
Ele não quer abandonar a sua pequena comunidade, constituída por cerca de trezentos trabalhadores filipinos, que estão compreensivelmente aterrorizados. O bispo é o único italiano que ficou em Trípoli, com alguns religiosos e religiosas não italianos.
 
Até ontem, não recebeu nenhuma ligação do Papa Bergoglio, habitualmente muito pródigo com os telefonemas (ligou até para Pannella [jornalista italiano de extrema-esquerda], além de ligar diversas vezes ao seu amigo Scalfari). Talvez, graças à pressão midiática, vai lhe telefonar uma hora destas…
 
Todavia, mais que de palavras, precisamos de fatos.
 
Eu queria propor uma coisa ao Papa. O Vaticano, também com a ajuda do governo italiano, poderia pedir um auxílio humanitário, uma operação relâmpago de socorro aos cristãos que ficaram lá, com o seu bispo. São apenas trezentos e arriscam a sua vida pela fé. O Vaticano poderia hospedá-los e, depois, eles decidiriam se é o caso de voltar às Filipinas.
 
A coisa é possível. Por que não fazê-la? Esta é a minha oração ao Papa Bergoglio: que salve do massacre toda uma comunidade cristã e o seu pastor.
 
Esta seria, realmente, uma coisa digna da Santa Sé. Não esse clima de caça às bruxas e de apuração, que desde alguns dias circula no establishment Vaticano, contra aqueles “grandes cardeais” (Ratzinger) que, fiéis à Igreja, ousaram se opor a Kasper no Sínodo de outubro.
 
Seria absurdo que o Vaticano se dedicasse às purgas, enquanto os cristãos são martirizados no mundo.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Entenda o porquê de nossa "má vontade" para com o Papa Francisco

Amigos, ainda que - conforme comentei em outro artigo - não queiramos tecer comentários e críticas diretas ao Papa Francisco e seu pontificado, muitas vezes nos parece impossível simplesmente ignorar a avalanche de acontecimentos a ele relacionados. Muitos nos censuram por nossa perplexidade diante dos estranhos acontecimentos deste pontificado, alguns simplesmente não compreendem (ou dizem não compreender), outros nos pedem motivos para tal reação. Pois bem, segue abaixo um texto publicado no Fratres in Unum que - de maneira simples e didática - esclarece as razões da nossa perplexidade assim como a de tantos católicos diante do pontífice atual.
 
Viva Cristo Rey!
 
José Santiago Lima

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Um pai verbal e mentalmente abusivo.

Por Traditional Roman Catholic Thoughts | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com:
 
Imagine um pai que vive num subúrbio pitoresco. Ele tem um bom emprego, uma esposa amorosa e filhos lindos de várias idades. Muitas pessoas olham para este homem como um modelo exemplar dentro da comunidade. A maioria diz que ele está trilhando seu caminho para a santidade.
 
Para alguém que olha de fora, esta é apenas uma face da imagem completa. Agora imagine se esse mesmo pai passa mais tempo brincando com as outras crianças da vizinhança do que com os seus próprios filhos. Quando seus filhos perguntam por que o pai prefere passar mais tempo se entretendo com as outras crianças da vizinhança do que com eles, ele, por sua vez, começa a provocá-los, tirando sarro da cara deles, e rebatendo que eles estão se comportando como pirralhos chorões, ao invés de dar uma resposta amável explicando o motivo pelo qual ele está negligenciando a saúde emocional de seus próprios filhos.
 
Além disso, seus filhos são vítimas constantes de vários valentões no bairro que agem como algozes implacáveis,  procurando por qualquer falha ou fraqueza nestas crianças, a fim de persegui-las. As palavras e ações do pai dão a esses agressores munição para usar contra seus próprios filhos. Em seguida, os agressores se lançam sobre os filhos e usam as próprias palavras do pai contra eles.
 
Quando alguns dos filhos, com toda a razão, aborrecem-se e legitimamente se queixam de seu pai por apoiar os valentões, ao invés de protegê-los, seus irmãos começam a gritar com eles para forçá-los à submissão:
 
 _ “Você não pode criticar papai! Ele é o nosso pai! Você tem que ser obediente e submisso à sua vontade, afinal de contas, ele sabe melhor do que você”. Com isso, a família tornou-se mais dividida do que antes. Não só o pai está permitindo que o mundo lá fora abuse de seus próprios filhos do mesmo modo como ele faz, mas alguns de seus filhos cruelmente defendem suas ações abusivas.
 
Vocês hão de concordar que o pai do exemplo acima não é de maneira alguma um bom pai. Enquanto ele parece ser um grande exemplo para a comunidade, na realidade, ele é um desviante. Igualmente, esta é a mesma atitude com que o Papa Francisco, o Santo Padre, atua nesse Pontificado.
 
Seja no Vaticano ou em suas viagens ao exterior, houve inúmeras instâncias em que ele estava agendado para se encontrar com bispos ou cardeais e simplesmente cancelou sem maiores explicações. Embora seja compreensível, já que ele não goza das melhores condições de saúde, ao invés de tirar esse tempo de folga para descansar, ele prefere usá-lo para passar um tempo com os evangélicos, luteranos ou até mesmo os budistas, como ele fez durante sua viagem ao Sri Lanka. Se passar o tempo com os não-católicos é como ele escolhe relaxar, faz mal perguntar o por quê? Seu propósito não é evangelizar essas pessoas. Em nenhum momento ele discute com elas a necessidade de tornar-se católico, ao contrário, ele endossa as suas opiniões e discute solidariedade.
 
Enquanto faz suas viagens ao exterior, ele faz conferências de imprensa a bordo do avião papal. “Quem sou eu para julgar” se tornou o bordão com que os não-católicos obrigam os fiéis à submissão por defenderem a doutrina católica de sempre. Papa Francisco acaba de dar aos inimigos outra grande linha de ataque. “Algumas pessoas pensam que – desculpe-me por dizer isso – que, para ser bons católicos, temos de ser como coelhos”. Além disso, ele ainda fez questão de bradar para o mundo como ele repreendeu a uma mãe fiel que havia engravidado novamente. Ele a acusou de “tentar a Deus” e a criticou por aquilo que ele chama de “paternidade irresponsável”.
 
Francisco em viagem ao Sri Lanka: Se nega a utilizar a Mozeta papal, peça do vestuário dos Papas carregada de significado. Mas não vê problema em usar vestimentas de outras religiões...
 
Esses comentários sobre coelhos e paternidade irresponsável deixaram alguns católicos com um afã de defender as declarações do Santo Padre como se fosse seu último suspiro. Eles acusam os católicos que se sentiram ofendidos com a escolha de palavras do Papa de “tomá-las fora do contexto”. Eles acusam seus irmãos que estão ofendidos de não confiarem em Deus e o que é pior: de causar divisão dentro da Igreja. “Se você tivesse olhado para o contexto, certamente você concordaria com ele!”
 
Enquanto olhando para o contexto poderíamos até concordar com o Papa Francisco, sua má escolha de palavras, especialmente quando está respondendo à jornalistas que buscam ativamente oportunidades para tirar suas palavras fora de contexto e demonizar a nossa religião, é onde reside a culpa. Ele sabia o que estava dizendo porque fez questão de antecipar: “desculpe-me por dizer isso”. Ele dá munição aos valentões que, por sua vez, usam suas palavras contra seus próprios filhos, os mesmos filhos que ele deveria defender e confirmar para a santidade.
 
Quando qualquer pai normal comporta-se desse modo destrutivo contra seus próprios filhos, ele não é visto como um herói, mas sim como um pai desviante e abusivo. Da mesma forma, se o Santo Padre se comporta segundo esse exemplo, ele não está sendo um bom pai para seus filhos. Ele está caindo nos pecados de calúnia e difamação, e sem um pedido público de desculpas por suas declarações, tudo o que nos resta é assumir o pior em relação às suas atitudes.
 
FONTE

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

SÃO PIO X, rogai por nós!

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SÃO PIO X, rogai por nós!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Paulo VI e a crise na Igreja

Um dos papas mais controversos da história da Igreja foi Giovanni Battista Montini, o Papa Paulo VI, cujo pontificado foi de 1963 a 1978. Para alguns, tido como um santo. Para outros, o principal responsável pela terrível crise que se instalou na Igreja (e que encontra seu ápice no tempo presente).
 
 
 
Foi durante o pontificado do Papa Paulo VI que se desenrolou o 21º Concílio da Igreja, o "Vaticano II", idealizado e aberto por se predecessor, o Papa João XXIII. Embora a intenção deste Concílio e de seus realizadores (incluindo-se os Papas João XXIII e Paulo VI) fosse a de "impulsionar a evangelização" e trazer uma "primavera para a Igreja", o que se viu após a realização do mesmo foi um resultado totalmente oposto ao esperado:
 
  • Flagrante diminuição da frequência dos fiéis à Missa e demais cerimônias religiosas.
  • Abandono do estudo da Doutrina Católica e consequente relativização dessa doutrina.
  • Abandono da Religião Católica e migração para outras religiões.
  • Queda vertiginosa das vocações sacerdotais e religiosas.
  • Surgimento de ideias e movimentos - dentro da Igreja - totalmente contrários à Doutrina da Igreja.
  • Abusos litúrgicos, heresias e desobediência generalizada.
  • Escândalos em diversos meios.
  • Etc. etc. etc...
 
O objetivo do presente artigo não é analisar - com a pretensão de "dar um veredito" sobre - a culpabilidade (ou não) do Concílio Vaticano II e de seus documentos na presente situação. Mas é inegável que após o Concílio se abateu sobre a Igreja uma de suas piores crises em dois mil anos. Certamente há aqueles, ignorantes ou otimistas, que imaginam "não haver crise" ou "estar tudo bem",  assim como há os entusiastas do Concílio e de tudo o que a ele se seguiu, que julgam ser "benefícios" ou "progressos" aquilo que nós apontamos como sintomas da crise (a exemplo de certos "Boff´s" e "Betto´s" et caterva) mas, para qualquer católico honesto, não há como não reconhecer que os problemas acima elencados se abateram violentamente na Igreja após o CVII.
 
Quanto ao Santo Padre o Papa Paulo VI, embora muitos o apontem como o principal responsável por essa terrível crise pela qual a Igreja vem passando nos últimos 50 anos, também ele deu sinais inequívocos de que reconhecia estar a Igreja em situação totalmente diversa da esperada. Seus diagnósticos sobre a situação da Igreja começaram a surgir quando da publicação de sua Encíclica Humane Vitae, de 1968, que tratava da Vida Humana e de sua concepção. A Encíclica - dentre outras coisas - condenava o aborto e a contracepção por métodos artificiais como proibidos pelo Magistério da Igreja.
 
O "espírito de renovação" que reinava após o Concílio fez com que muitos - fiéis, religiosos, sacerdotes e até mesmo bispos - rejeitassem a Encíclica por conter um ensinamento "retrógrado e pré-conciliar", nada "moderno" ou "adaptado aos novos tempos". Em 1968 disse Paulo VI: 
 
"A Igreja se encontra em uma hora inquieta de autocrítica, ou melhor dito, de autodemolição. A Igreja está praticamente golpeando a si mesma" (7 de dezembro de 1968).
 
Com o passar dos anos, e a medida em que surgiam novos sintomas da crise que ia se instalando na Igreja, também novos lamentos do Papa Paulo VI foram externados: 
 
"Por algum buraco foi introduzida a fumaça de Satanás no Templo de Deus" (29 de junho de 1972).
 
"É lamentável a divisão e a desregação que, por desgraça, se encontra não em pouco setores da Igreja" (30 de agosto de 1973).
 
"A abetura ao mundo foi uma verdadeira invasão do pensamento mundano na Igreja" (23 de novembro de 1973).
 
Conforme escreve o historiador Ricardo De La Civerva, "a consciência da crise não abandonou Paulo VI até sua morte. Atribuía uma séria responsabilidade pessoal e pastoral a ela, que minava sua saúde e lhe fazia envelhecer prematuramente. Diante de seu confidente Jean Guitton disse, pouco antes de morrer, esta confissão dramática:
 
"Há uma grande perturbação neste momento da Igreja e o que se questiona é a fé. O que me perturba quando considero o mundo católico é que dentro do catolicismo parece às veses que pode predominar um pensamento não católico, e pode suceder que este pensamento não católico dentro do catolicismo se converta, amanhã, como o pensamento mais forte. Porém nunca representará o pensamento da Igreja. É necessário que subsista uma pequena grei, por muito pequena que seja".
 
Anos depois, Guitton comentava
 
"Paulo VI tinha razão. E hoje nos damos conta. Estamos vivendo uma crise sem precedentes. A Igreja, e mais, a história do mundo, nunca conheceu crise semelhante. Podemos dizer, que, pela primeira vez em sua história, a humanidade em seu conjunto é contra a teologia". (La hoz y la cruz, Ed. Fénix 1996, pg.84).

quarta-feira, 14 de maio de 2014

A PRIMAZIA PAPAL - O porquê de ser a Igreja de Cristo chamada Romana

Caros leitores, louvado seja Nosso Senhor jesus Cristo!

Recebemos há alguns dias em nosso artigo Hereges ontem: EXCOMUNHÃO, Hereges hoje: TELEVISÃO o  seguinte comentário:

"Se a igreja nasceu em Jerusalém não pode ser romana. Vá estudar pra fazer seus comentários menos idiota."

Segundo o autor do comentário, Raimundo Elias Gomes Filho, a Igreja não poderia ser Romana por ter nascido em Jerusalém. Ora, o questionamento do leitor protestante não pode ser radicalmente censurado (o que pode sim ser censurado é sua prepotência). Digo isso porque tal comentário demonstra apenas a ignorância de seu autor, embora essa dúvida acometa muita gente - inclusive muitos católicos - que não compreende o porquê da relação entre a Igreja de Cristo e o adjetivo "Romana".
 
Para que possamos entender e identificar a Igreja de Cristo, primeiramente precisamos ter boa vontade. Esse é o primeiro passo para que possamos conhecer a verdade, uma vez que a verdade não se nos revelará se a ela virarmos as costas ou fecharmos os olhos.
 
Tendo boa vontade e coração aberto para receber a verdade, o próximo passo é estudar (assim como nos aconselha o comentarista Raimundo). Através do estudo podemos conhecer aquilo que antes desconhecíamos, tomar conhecimento do que antes ignorávamos. E foi justamente isso que me fez enxergar a verdade onde antes não a havia notado, por meio dela pude descobrir a verdade e assim ser liberto:
 
"conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (São João, cap. 8 vers. 32)
 
É isso que Nosso Senhor nos diz e é isso que também lhe recomendo, caro Raimundo, assim como a todos os leitores. Não para " fazer seus comentários menos idiota" mas para que também você possa ser liberto da ignorância que nos cega e aprisiona. Também eu tive a graça de ser liberto da cegueira em que me encontrava e é por isso mesmo que fiz este pequeno blog, para compartilhar as riquezas que tenho descoberto.
 
Agora, quanto à sua afirmação sobre a impossibilidade da Igreja ser romana por ter nascido em Jerusalém, vamos aos esclarecimentos. Primeiramente, faremos uma RESUMIDÍSSIMA exposição sobre o início da Igreja para, em seguida, reproduzir um texto que trata da primazia da Igreja de Roma sobre todas as Igrejas, assim como de seu Bispo (o papa) sobre todos os cristãos :
 
Após o mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo ( "Ide, pois, e ensinai a todas as nações" - São Mateus cap. 28 ver. 19) os Apóstolos se dividiram, cada qual para uma região da orbe terrestre, a fim de propagar o Evangelho. Então, os Apóstolos fundaram Igrejas nas diversas regiões do mundo (Santo André em Bizâncio,  São Tomé na Índia, São Marcos em Alexandria, etc.) e São Pedro que, após fundar a Igreja de Antioquia e dela ter sido bispo, juntamente com São Paulo fundou a Igreja de Roma, da qual foi o primeiro Bispo.
 
Pelo fato de Pedro ter sido feito a pedra na qual a Igreja do Senhor seria edificada, por ter sido Pedro aquele que recebeu do próprio Senhor as chaves do Reino dos Céus, por ter sido Pedro aquele que recebeu o mandato de apascentar as ovelhas de Cristo e de confirmar os irmãos na fé, e por ter sido Pedro (juntamente com Paulo) aquele que fundo a Igreja de Roma e nela ter permanecido como seu bispo até o martírio, a Igreja de Roma - e os seus bispos, sucessores de Pedro - desde o início do cristianismo sempre foi tida como a Igreja mãe e mestra de todas as Igrejas.
 
Agora, tendo essa pequena introdução devidamente compreendida, podemos então reproduzir o ótimo artigo de autoria do Bruno Luís Santana, que nos traz algumas informações históricas que comprovam a Primazia da Igreja de Roma e de seu Bispo, o Papa, Sucessor de Pedro, sobre toda a Igreja Cristã.
 
Viva Cristo Rey!
 
José Santiago Lima
 
 
*                        *                        *                        *                        *                        *
 
Recordando a Primazia Papal
 
Desde o princípio do Cristianismo, os Bispos de Roma foram tidos como chefes de toda a Igreja.
Essa primazia de Roma vem do fato de que seu primeiro Bispo foi São Pedro, sobre quem Jesus instituiu a sua Igreja. Isso está nos Evangelhos. Negar isso é recusar aceitar o que Jesus determinou ao dizer:

Bem aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram isso, mas Deus que está nos céus. Por isso Eu te digo que tu és Pedro, e que sobre essa pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E Eu te darei as chaves de Reino dos Céus. Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desatares na terra será desatado nos céus” (Mt XVI, 16-19).
 
 

 
Essa promessa feita pelo próprio Cristo foi confirmada depois da Ressurreição de Nosso Senhor, ao dizer três vezes a Pedro:

Apascenta minhas ovelhas” (Jo XXI, 26).

 São João Crisóstomo (347-407 d.C) – um Santo Bispo oriental – sobre esse texto, comentou:

Jesus disse [a Pedro] ‘Alimenta minhas ovelhas’. “Por que Jesus não leva em conta aos demais Apóstolos e fala do rebanho somente a Pedro? “Porque ele foi escolhido entre os Apóstolos, ele foi a boca de seus discípulos, o líder do coro. Foi por essa razão que Paulo foi procurar a Pedro antes que aos demais. E também o Senhor fez isso para demonstrar que ele devia ter confiança, uma vez que a negação de Pedro havia sido perdoada. Jesus lhe confia o governo sobre seus irmãos… Se alguém perguntar “Por que então foi Santiago quem recebeu a Sé de Jerusalem?”, eu lhe responderia que Pedro foi constituído mestre não de uma Sé, mas do mundo todo” (Homilia 88 (87) in Joannem, I. Cf. Orígenes, “In epis. Ad Rom.”, 5, 10; Efrén de Siria “Humn. In B. Petr.”, en “Bibl.Orient. Assemani”, 1, 95; León I, “Sermo IV de Natale”, 2. Apud Enciclopédia Católica, verbete Primado, artigo de G. H. JOYCE).
 
São João Crisóstomo é Doutor da Igreja, e viveu antes do Cisma do Oriente.
Por que os orientais não aceitam o que esse grande Santo e Doutor oriental ensinava?
Desde o início da Igreja se teve o Bispo de Roma como chefe da Igreja toda, exatamente com base no texto dos Evangelhos.
 
Por exemplo, o papa São Clemente, que foi o terceiro sucessor de São Pedro, depois do papa São Lino e do papa Santo Anacleto na Sé de Roma, em sua “Epístola aos coríntios” (Ep. 59), no ano 95 ou 96 (portanto, ainda no I século da era cristã, e só trinta anos após martírio de São Pedro), suplica para que se recebam aos bispos que tinham sido expulsos injustamente dizendo:
 
Se algum homem desobedecer às palavras que Deus pronunciou através de nós, saibam que esse tal terá cometido uma grave transgressão, e se terá posto em grave perigo”. E São Clemente incita então os coríntios a “obedecer às coisas escritas por nós através do Espírito Santo” (São Clemente, Ep.59).
 
Até mesmo um inimigo do Papado – Lightfoot – foi obrigado a confessar que esta carta de São Clemente foi “o primeiro passo para estabelecer a dominação papal” (Clemente, 1, 70).
 
Por volta do ano 107, Santo Inácio de Antioquía, outro santo oriental, em sua carta à igreja de Roma diz que ela “preside à irmandade de amor“. Santo Irineu (130-202 d.C.), discípulo de São Policarpo, Bispo de Esmirna depois de São João, em sua famosa obra “Adversus haereses” (III, 3, 2) argumenta contra os agnósticos, dizendo-lhe que suas doutrinas não têm base na tradição apostólica que foi conservada fielmente pelas igrejas, cujos Bispos vêem na sucessão dos Doze Apóstolos:

Porém como seria demasiado longo enumerar as sucessões em Roma pelos dois gloriosíssimos Apóstolos Pedro e Paulo, a qual desde os Apóstolos conserva a tradição e a fé anunciada aos homens pelos sucessores dos Apóstolos (=papas) que chegam até nós. Assim confundimos a todos aqueles que de um modo ou de outro, ou para agradar-se a si mesmos, ou por cegueira, ou por uma falsa opinião, acumulam falsos conhecimentos. É necessário que qualquer igreja esteja em harmonia com essa igreja (a Igreja de Roma), cuja fundação é a mais garantida - me refiro a todos os fiéis de qualquer lugar (apelo dos cristãos do mundo inteiro a ligar-se à Sé de Roma)- porque nela todos os que se encontram em todas partes conservaram a tradição apostólica“.
 
Santo Irineu foi discípulo de São Policarpo de Esmirna, que por sua vez foi discípulo de São João, o Apóstolo e Evangelista. Na ordem da sucessão apostólica, Santo Irineu foi espiritualmente “Neto” dos Apóstolos.
 
A afirmação mais explícita da supremacia de Roma foi feita pelo papa São Víctor (189-198 d.C.), quando impôs às igrejas asiáticas que se conformassem ao costume do resto da Igreja, na questão da Páscoa. Polícrates de Éfeso resistiu dizendo que os costumes que seguia procediam do próprio apóstolo São João. O Papa São Víctor o excomungou por isso. Depois, São Víctor, instado por Santo Irineu, tendo visto que sua insistência poderia provocar mais dano que bem, retirou a excomunhão. Mas tanto pela excomunhão imposta, como pela sua retirada por São Víctor, fica patente a supremacia da Sé de Roma sobre todas as demais dioceses do mundo.
 
Abércio, Bispo de Hierópolis (pelo ano 200 d.C.), assim fala da igreja romana:

Ele [Cristo] me enviou a Roma a contemplar a majestade e para ver a uma raínha [Roma] coberta com um manto de ouro e calçada com sandálias de ouro”.

Tertuliano, no livro “De pudicitia” (por volta do ano 220), escrito quando já ele caíra na heresia do montanismo, critica uma prerrogativa papal. Ele ataca duramente um decreto do Papa chamando-o de “edito peremptório”, promulgado pelo “supremo pontífice, bispo dos bispos”. Ele dizia tais palavras sarcasticamente, mas, assim mesmo, elas indicam claramente como já se tinha a autoridade do Papa como superior a todos os Bispos, embora Tertuliano, como herege, não aceitasse isso.
 
São Cipriano, que morreu no ano 258, chama explicitamente “Cátedra de São Pedro” de Sé romana, dizendo que Cornélio fora elevado “ao lugar de Fabiano, que é a cátedra de Pedro” (Ep 55:8; cf. 59:14).
 
São Cipriano escreveu também que Roma, “cátedra de Pedro, é a igreja principal da qual nasce a unidade episcopal” (ad Petri cathedram et ad ecclesiam principalem unde unitas sacerdotalis exorta est).
 
Para São Cipriano de Cartago (? – 258 d.C.), a fonte dessa unidade episcopal é a Sé de Pedro. Conforme ele dizia, Roma desempenhava o mesmo ofício que desempenhou Pedro durante sua vida: ser princípio da unidade. Manter a comunhão com um antipapa como Novaciano seria cair em cisma (Ep. 68, 1). Ele sustenta ainda que o Papa tem autoridade para depor um bispo herege. Quando Marciano de Arles caiu na heresia, Cipriano, a pedido dos bispos dessa província, escreveu ao Papa Estevão para solicitar que ele “escrevesse cartas para excomungar a Marciano e fazer que alguém tomasse seu lugar” (Ep. 68, 3). (Apud artigo de G. H. JOYCE sobre o primado do Papa na Enciclopédia Católica).

 Eusébio de Cesaréia em sua História Eclesiástica (7, 9) cita uma carta de São Dionísio dirigida ao Papa São Sixto II tratando de um batismo inválido por ter sido feito por hereges. Nessa carta São Dionísio diz que necessita do conselho do Papa e pede que ele decida.

 Noutro caso, e anos depois, o Papa atendendo a São Dionísio, afirmou, com toda a sua autoridade para deixar clara a verdadeira doutrina sobre um assunto. Ambos os casos ensinam como Roma era reconhecida como detentora do poder para falar com autoridade em assuntos doutrinários (cfr. San Atanasio, “De sententia Dionysii”, en P.G. XXV, 500).
O Imperador Aureliano, em 270, decretou que quem fosse reconhecido pelos Bispos da Itália, e pelo Bispo de Roma deveria ser reconhecido como o legítimo ocupante de uma Sé episcopal. Isso mostra como a primazia de Roma era reconhecida universalmente, pois até um Imperador pagão sabia disso.
Santo Atanásio apelou a Roma contra a decisão do Concilio de Tiro (335) que o destituíra de sua diocese. O Papa Júlio anulou as decisões desse Concílio, restituindo a suas sés episcopais, tanto Santo Atanásio como Marcelo de Ancira.
 
O Papa São Júlio escreveu então:

Se eles [Atanásio e Marcelo] realmente agiram mal, como dizem, o juízo deveria ter sido realizado de acordo com os cânones eclesiásticos, e não dessa maneira… Não sabe que o costume é que primeiro nos dirijam cartas a Nós (plural majestático) e depois procedam conforme se defina então?” (Atanásio, “Apologia”, 35). Ou seja: primeiro comunicar a Roma, e depois proceder conforme a decisão final, a qual Roma NO MÍNIMO participa, tanto que, conforme o costume, nada se faria sem que a Sé de Roma esteja ciente…
 
De novo, fica evidente que, muito antes do Cisma do Oriente, era comum a doutrina do Primado da Igreja de Roma sobre todas as dioceses do mundo.
 
A pretensão do Arcebispo de Constantinopla a ter a primazia na Igreja do Oriente, ou a ter direito igual ao do Papa é um absurdo doutrinário e histórico. Constantinopla nunca teve um Apóstolo como Bispo, pois que ela não existia no tempo dos Apóstolos, pois foi fundada por Constantino em 313. E o mesmo serve para Moscou, que se auto-intitula “Terceira Roma”.
 
Dados desta carta em artigo citado por G. H. JOYCE, na Enciclopédia Católica.
 
Papa vestido com suas insígnias: a tiara papal ou triegno e a cruz papal ou hierofante
Papa vestido com suas insígnias: a tiara papal ou triegno e a cruz papal ou hierofante
 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Refutando o "jogo dos 7 erros" entre Bento e Francisco.

ou "por que não vendem tudo e dão o dinheiro aos pobres?" parte 2 (final)

Como anteriormente já havíamos avisado, publicamos agora nosso pequeno artigo que trata da comparação absurda que alguns (inclusive "católicos") estão compartilhando  nas redes sociais. Trata-se de uma foto-montagem comparando o Papa - agora emérito - Bento XVI e seu sucessor, Papa Francisco onde... bem, antes de tentar explicar as intenções do autor e de quem compartilha é ver diretamente essa "obra genial":

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REPARE NAS 7 DIFERENÇAS:

1. Mudou o trono dourado por uma cadeira de madeira... Algo mais apropriado para o discípulo de um carpinteiro (O Sr. Jesus).
2. Ele não aceitou a estola vermelha bordada a ouro roubada do herdeiro do Império Roman...o, ou a capa vermelha.
3. Usa os mesmos sapatos pretos velhos, não pediu o vermelho clássico.
4. Usa a mesma cruz de metal, nenhuma de rubis e diamantes.
5. Seu anel papal é de prata, não de ouro.
6. Usa sob a batina as mesmas calças pretas, para lembrar-se de que é apenas um sacerdote. Você já descobriu a sétima diferença?

(Retirou o tapete vermelho, Parece que não se interessa tanto pela fama e aplausos.)

EXEMPLO DE HUMILDADE!!!
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A montagem e o texto que a acompanha retratam apenas o ponto de vista de alguém que, no mínimo, desconhece o catolicismo, ponto de vista esse que infelizmente é assimilado e compartilhado por muitos desatentos. Também é evidente que seu autor não refletiu muito bem sobre o que estava a fazer, já que não se faz necessário grande esforço intelectual para perceber o quão frágeis e ridículos são os argumentos e a intenção dessa postagem. Aliás, a comparação tentando mostrar as diferenças entre as fotos como algo positivo acaba por mostrar - para um católico que conheça sua religião - algo na verdade negativo. A explicação principal será suficiente para responder a grande parte das "observações" aí levantadas, sendo necessários apenas pequenos complementos direcionados a pontos específicos. Comecemos por entender o porquê da simbologia na Igreja Católica.

Como sabemos, o ser humano é extremamente visual: sua compreensão é sempre maior quando uma imagem é associada aquilo que se busca compreender apenas por palavras. Por isso, desde criança as imagens se fazem presentes em nosso processo de aprendizagem. Enquanto que precisamos fazer um esforço muito maior para construirmos em nossa mente a imagem daquilo que ouvimos (e essa construção nem sempre é fiel aquilo que as palavras quiseram transmitir), ao observarmos uma imagem podemos dizer que "metade do trabalho está feito": tanto por já estarmos vendo a representação daquilo que deveríamos imaginar como pela fidelidade dessa representação.

Além da facilidade que as imagens proporcionam ao nosso entendimento, muitas vezes elas podem ser não apenas úteis como até mesmo necessárias para a compreensão. Exemplo: os números ou as letras do alfabeto. Imagine como seria difícil (talvez impossível) ordenar quantidades se não existisse esse sistema de símbolos - cada qual com seu significado - para nos ajudar? Sabemos que as imagens (algarismos) em si nada importam... o que realmente importa é o que elas representam. Por isso que muito nos revoltaria, por exemplo, se estivermos falando em dinheiro, merecer 300 e receber 003. Nesse exemplo, importa tanto o símbolo utilizado (poderia estar o algarismo 1 em lugar do 3) como também a ordem em que eles estão dispostos. Também sabemos que para se formar uma palavra é preciso associar as letras de maneira ordenada e pré-estabelecida para que assim adquira significado e represente algo. De nada adiantaria agrupar letras de qualquer maneira e sem seguir regra alguma pois esse aglomerado de letras nada significaria. Resumindo, pouco importa o elemento visual em si (os traços que formam os números ou as letras) mas sim aquilo que eles significam, o que eles representam.

Entendido este princípio, podemos aplicá-lo a praticamente tudo: R$10,00 não é a mesma coisa que R$ 10.000,00 (aqui acrescentamos apenas alguns algarismos), 90.001 não é o mesmo que 10.009 (apenas invertemos a ordem dos algarismos), cocó e cocô são palavras quase idênticas, no entanto, a representação gráfica sobre a última letra o (acento agudo em uma, acento circunflexo em outra) faz com que a primeira palavra represente algo muuuuuiiiiito diferente da outra. Assim também acontece com os símbolos e sinais: são importantes não em si mesmos mas sim pelo que representam.

Uma bandeira, por exemplo, representa um país, uma nação. Se um chefe de estado pisoteia ou queima a bandeira de um outro país, certamente estará dando motivos para que se inicie uma guerra. Literalmente, não fez mal algum a ninguém (apenas a um pedaço de tecido), mas, ao pisotear aquela bandeira, simbolicamente pisoteou a toda uma nação por ela representada. Um policial é tão policial fardado quanto nu, no entanto a farda representa sua dignidade como tal. Um médico não é menos médico nem se torna menos competente por não trajar seu jaleco branco, mesmo assim tal vestimenta o distingue dos demais e - mesmo que de maneira inconsciente - infunde mais confiança em seus pacientes.

Mesma utilidade possuem os troféus e as medalhas. Os participantes de uma competição são reconhecidos por seu desempenho e suas habilidades e como símbolo deste reconhecimento recebem medalhas, também elas distintas entre si, cada qual simbolizando um nível de reconhecimento: do quarto lugar em diante, apenas os cumprimentos. Ao 3º lugar, bronze. Ao 2º, prata. Ao 1º lugar, o tão emblemático ouro. Também entre os militares existem diversos tipos de medalhas onde cada uma simboliza a dignidade e os méritos de quem as ostenta.

E por falar em ouro, sabemos que desde a antiguidade, em diferentes civilizações e culturas este metal precioso foi utilizado como símbolo, tanto de riqueza e poder, como de dignidade e veneração: quanto mais alto fosse um posto - hierarquicamente falando - como mais nobre ou digno fosse algo ou alguém, mais ouro era utilizado para honra-lo ou representa-lo. E como vimos no primeiro artigo deste tema, o próprio Deus sancionou essa prática ao ordenar a construção de objetos e locais sagrados, a exemplo da Arca da Aliança a do Templo de Jerusalém, utilizando ouro.

Também útil é observarmos os Sacramentos. Podemos definir resumidamente um Sacramento como um "sinal visível da graça invisível". Embora a matéria de cada Sacramento não seja apenas um símbolo, eles podem muito bem ilustrar este nosso raciocínio. Se falarmos do batismo: Deus poderia muito bem nos introduzir em sua Igreja infundindo o Espírito Santo e nos purificando de nossos pecados sem recorrer à qualquer símbolo, no entanto estabeleceu que fosse empregada a matéria (água) e as palavras da fórmula batismal para que melhor compreendêssemos o momento em que isso ocorre. Assim acontece com todos os outros Sacramentos.

Até mesmo os pagãos compreendiam a importância e necessidade dos símbolos, tanto os deles como os dos cristãos. Nas grandes perseguições romanas os inimigos da Igreja muitas vezes exigiam aos cristãos por eles aprisionados que cuspissem na cruz de Cristo e queimassem incenso aos ídolos romanos. Cuspindo na cruz, símbolo máximo para o cristão, estaria este comprovando sua apostasia. Queimando incenso ao ídolo, estaria demonstrando sua aderência ao novo "deus" posto no lugar que antes era de Cristo.

A compreensão deste princípio lógico esclarece praticamente todo o restante. Poderíamos dar uma porção de outros exemplos (o símbolo dos times de futebol, as flores para a pessoa amada ou para um ente querido que se foi, etc.) mas acreditamos que o que escrevemos até aqui seja mais que suficiente para fazer entender que símbolos (sejam gestos, posturas ou objetos) são não somente úteis como muitas vezes necessários para expressar situações e sentimentos bem mais complexas como respeito, reconhecimento, aversão ou veneração.

Tendo isso bem entendido, é fácil compreender o porquê da Igreja Católica ir colecionando símbolos ao longo de seus dois mil anos de história. Sobre seus templos e o ouro neles empregado, acreditamos ter ficado esclarecido em nosso artigo anterior intitulado "O escândalo da pompa, do ouro e da riqueza da Igreja".

Se fossemos falar sobre os sacrários que guardam a Eucaristia ou sobre a Missa que proporciona essa mesma Eucaristia (gestos, postura, reverência, altar, paramentos, utensílios, etc) a explicação se torna ainda mais óbvia: se para a Fé Católica a Eucaristia É o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo (veja bem, não apenas representa, verdadeiramente É) nada mais lógico do que utilizar aquilo que há de mais nobre, valioso, puro e digno no contato com Aquilo que é o centro da Fé Católica.

Agora... e quanto ao papa? Bem, para responder à essa pergunta utilizaremos o próprio texto do "jogo dos sete erros". Manteremos nosso texto nas cores normais enquanto que o texto maldosamente compartilhado estará destacado em vermelho. Vamos lá:

1. Mudou o trono dourado por uma cadeira de madeira... Algo mais apropriado para o discípulo de um carpinteiro (O Sr. Jesus).

Resposta: A questão do trono já foi introduzida em nosso artigo acima recordado (vide link acima). E qual a razão para o papa utilizar um trono como aquele e não uma cadeira comum? Ora, porque o papa não é um homem comum. Biologicamente o papa é um homem como qualquer outro, sujeito à doenças, a sentir fome, sede e demais necessidades fisiológicas de todo ser humano. Também, por ser homem, como qualquer outro está sujeito a cometer falhas, pecados, a se equivocar, a sentir medo, etc. Mas - repetimos - não é um homem comum, posto que recebeu do próprio Deus o mandato de governar a cristandade, de confirmar na Fé aos seus irmãos. Isso se deu quando Nosso Senhor Jesus Cristo entregou a Pedro essa missão, que se perpetuaria em seus sucessores até o fim dos tempos. Sendo assim, o trono presenteado ao papa há séculos (provavelmente à Alexandre VII por volta de 1660) e usado por todos os seus sucessores desde então se trata de um símbolo que apenas evidencia que o homem ali sentado tem um mandato especial dentre todos os homens, portanto hierarquicamente é sim superior a todos eles. Esse símbolo é semelhante ao de um pai de família, que geralmente senta à ponta da mesa simbolizando sua autoridade sobre a família da qual é o chefe.

2 - Ele não aceitou a estola vermelha bordada a ouro roubada do herdeiro do Império Roman...o, ou a capa vermelha.

Resposta: Essa é uma das afirmações mais ridículas da "grande obra" caluniosa: "Estola vermelha roubada do herdeiro do Império Romano"? Não creio que o autor saiba sequer do que está falando... ou sua intenção foi inventar uma grossa mentira sem fundamento para dar ares de importância à frase que escreveu ou se trata de puro e simples delírio. Além disso, o autor da frase faz questão de mencionar que a estola é bordada a ouro como se isso fosse um escândalo. Ora, novamente nos deparamos com a velha hipocrisia, já que provavelmente nessa estola encontraremos menos ouro do que no dedo - caso use aliança - daquele que escreveu tamanha bobagem.  Abaixo traduzimos uma explicação do porquê do uso da estola papal:

A estola é um ornamento litúrgico utilizado pelos ministros consagrados durante a celebração do culto a Deus e demais ações litúrgicas. É símbolo dos poderes sagrados recebidos de Deus, como pastor que leva suas ovelhas sobre os ombros, como mestre que ensina a seus discípulos, como guia que conduz as almas à vida eterna.

Ao coloca-la sobre os ombros, o sacerdote recita a seguinte oração: "Devolvei-me ó Senhor, a túnica da imortalidade, que perdi pelo pecado de meus primeiros pais; e ainda que me aproxime indignamente de vossos Sagrados Mistérios, fazei com que mereça, não obstante, o gozo eterno".

Pois bem, o sumo pontífice como ministro e pastor universal, usa como corresponde esse paramento que como tal é adornado com diversos motivos que fazem referência a episódios e personagens que são parte da história da salvação, constituindo-se assim mais do que uma simples peça de vestuário mas antes um instrumento de catequese silenciosa. Portanto, que passemos a ver no pontífice cada detalhe, cada ornamento e cada peça que veste não apenas como simples vestimentas mas antes como símbolos que nos remetem a Deus.

*(AQUI em espanhol o original deste trecho em destaque, assim como fotos dos Sumos Pontífices usando suas estolas papais).

Quanto à "capa vermelha", chamada mozzeta, embora poderia resumir os porquês de seu uso em poucas linhas, prefiro deixar aqui o link de um pequeno artigo mais completo e detalhado que explica sua origem e utilização, fazendo com que o leitor tenha uma melhor compreensão deste símbolo.

3 - Usa os mesmos sapatos pretos velhos, não pediu o vermelho clássico.

Resposta: Os sapatos "vermelhos clássicos" são os chamados múleos. A cor vermelha dos múleos papais representa o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seus mártires: usá-la no corpo significa estar disposto ao sacrifício. Também representa a completa submissão do papa à autoridade de Jesus Cristo e, novamente, indica que aquele que os usa não é um homem qualquer, mas sim o vigário de Cristo na Terra. Vemos que rica simbologia a cor desses sapatos carrega. Agora, uma pergunta: a tinta vermelha (ou o couro vermelho) são assim tão mais caros que a tinta ou o couro preto dos sapatos que o Papa usa atualmente? É óbvio que não! Além disso, vale lembrar que quando o Santo Padre o Papa Francisco foi eleito já haviam múleos prontos a espera de que ele os calçasse, portanto ele apenas deixa de usar algo que já estava pronto e que agora se encontra sem uso, inutilizado.

4 - Usa a mesma cruz de metal, nenhuma de rubis e diamantes.

Resposta: A cruz peitoral também representa a dignidade de quem a ostenta. No pescoço, podemos usar terço, cruz, medalha, crucifixo, etc. Mas como representantes da Igreja nem os leigos, nem diáconos ou sequer os sacerdotes podem ostentar uma cruz peitoral, essa reservada apenas aos bispos e a algumas posições específicas na hierarquia eclesiática (como o abade de um mosteiro, por exemplo). Quanto ao Santo Padre o Papa, por ser o primeiro entre os pastores, o chefe visível da Igreja, nada mais óbvio que fazer uso de uma cruz peitoral que simbolize essa dignidade. O hipócrita que escreveu esse texto se escandaliza caso o papa use uma cruz banhada em ouro mas certamente acharia a coisa mais normal do mundo presentear a sua amada com um colar de diamantes. É certo que o Santo Padre poderia optar por uma simples cruz de metal, embora seus antecessores sempre tenham utilizado douradas. O que de certa forma soou um pouco sem sentido foi continuar usando sua cruz de arcebispo, uma vez que já não é apenas mais um arcebispo, mas sim o Sumo Pontífice da Igreja Universal. Além disso, novamente se repete o mesmo ocorrido com os múleos: quando o Santo Padre Francisco foi eleito já havia uma cruz peitoral a espera do novo papa, pronta para ser usada, e que agora certamente se encontra sem uso dentro de alguma gaveta vaticana.

5 - Seu anel papal é de prata, não de ouro.

Resposta: Tudo o que foi dito sobre a cruz peitoral pode ser aplicado ao anel do pescador (tanto sobre a dignidade de quem o utiliza, a saber, Pedro, pescador de homens, e apenas seus sucessores, quanto sobre o fato de o Santo Padre se recusar a usar o anel que já havia sido confeccionado para o próximo papa).

6 - Usa sob a batina as mesmas calças pretas, para lembrar-se de que é apenas um sacerdote.

Resposta: Novamente o equívoco em se afirmar que o papa é apenas um sacerdote. Segundo o autor dessas palavras o papa é apenas mais um dentre tantos. De fato, como sacerdote, o papa e o pároco da comunidade onde moro oferecem o mesmo Sacrifício a Deus Nosso Senhor. A eucaristia consagrada por suas mãos na imponente Basílica de São Pedro é o mesmo Corpo de Cristo presente na Eucaristia consagrada na pequena capela localizada em nossa comunidade carente. No entanto, o papa não é apenas mais um... o papa é Pedro, a pedra sobre a qual Nosso Senhor Jesus Cristo edificou sua Igreja. Isso é mais do que suficiente para afastar todos os argumentos que buscam destituir o papado daquilo que ele realmente é.

Por fim o autor apresenta a sétima diferença como:

7 - "retirou o tapete vermelho, parece que não se interessa tanto pela fama e aplausos".

E finaliza sugerindo que tudo isso significa um "exemplo de humildade".

Resposta: Primeiramente, creio que a "essa altura do campeonato" já seja desnecessário explicar que também o tapete vermelho (assim como o degrau sobre o qual estava assentado o trono papal) sirva para simbolizar a dignidade do sucessor de Pedro presente entre os demais. Agora, dizer que isso significa que "não se interessa por fama e aplausos" resume e traduz toda a tentativa do autor no que ela realmente é: uma reflexão infantil. Ora, estamos falando do Papa ou de um participante do Big Brother? Como assim não se interessa por fama e aplausos? Desde quando seja missão ou característica de um papa se interessar por fama e aplausos? Acredito que quem se interesse por fama e aplausos geralmente procure outros meios mais eficazes de obtê-los.

Um papa deve se interessar por seguir à Cristo, confirmar os irmãos na Fé, governar a Igreja, conduzir o rebanho, apascentar as ovelhas, converter o homem à Cristo, denunciar a mentira, carregar a verdade, mesmo que com isso seja odiado pelo mundo e colecione inimigos. Em suma, o papa é amado pelos seus, mas odiado pelos inimigos de Cristo, odiado pelo mundo.

Agora me diga, a não ser entre os verdadeiramente católicos, geralmente qual o sentimento que os demais mantém com relação aos papas? Será de amor, de aplausos, de fama?

E entre os dois últimos papas, Bento XVI e Francisco I... qual dos dois conta com mais "fama" (no sentido popular deste termo)? Qual dos dois obeteve mais aplausos? Qual dos dois foi mais odiado?

A resposta é obvia.

Nos últimos anos, o que assistimos foi algo bem diferente daquilo que o autor da postagem insinuou. O papa que ostentava símbolos criticados pelo autor da montagem e tão caros à Religião Católica jamais obteve "fama", nunca recebia aplausos do mundo, era sempre criticado, caluniado, bombardeado, odiado. Amado por poucos... bem poucos...

Agora, quem se rejubila com as novas atitudes do Papa, com a retirada dos símbolos, com as mudanças de comportamento? Os inimigos da Igreja, os mesmos que sempre a combateram, estes são os que se felicitam com as mudanças operadas em tão pouco tempo.

O católico, aquele que verdadeiramente ama a Igreja e sabe ser ela a única fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, este se preocupa, se angustia, sofre.

Alguns dirão: Mas isso é o mais importante, os símbolos, os gestos? Lógico que não! Devemos ter em mente que, embora extremamente importantes, estes símbolos são acidentais, secundários, se comparados ao fim primário do primado de Pedro... Vale mais que o Santo Padre, mesmo que não fazendo uso deles, consiga tomar uma firme direção da Barca de Pedro conseguindo levá-la por bons mares, afastando-a da tempestade em que se encontra, do que ainda que mantendo toda a simbologia papal, afunda-la ainda mais na crise atual.

Também vale lembrar aos católicos desatentos que a crise a que me refiro não está relacionada aos "escândalos do banco vaticano", aos "vatileaks" ou coisas do tipo... a crise a que me refiro é a crise de fé, crise de identidade, ao modernismo, mazelas que fazem com que a Igreja se encontre na que é talvez a pior crise de seus 2 mil anos.

Portanto, mais do que nunca é hora de orar e jejuar... Oremus pro pontifice nostro, rezemos pelo nosso Santo Padre o Papa Francisco, para que o Divino Espírito Santo o conduza e o fortaleça no governo da Santa Igreja de Deus.

Viva Cristo Rey!
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

SÃO PIO X, rogai por nós! Rogai pela Igreja!

Hoje é dia do Grande Santo PAPA SÃO PIO X!

(Celebrado no novo calendário litúrgico a 23 de agosto)


Há um século subia ao Trono pontifício um Papa santo. Em 4 de agosto de 1903, o Cardeal Giuseppe Sarto foi eleito para o Sumo Pontificado, como sucessor de São Pedro, sendo coroado a 9 do mesmo mês. São Pio X, um dos maiores Pontífices de todos os tempos, foi o único Papa canonizado no século XX.

Vida de SÃO PIO X descrita pelo Papa Pio XII


BREVE APOSTÓLICO DA BEATIFICAÇÃO

 

1- Porque "Cristo amo a Igreja e se entregou a si mesmo para a santificar" (Ef V, 25), nunca faltaram nem poderão faltar, entre os fiéis, os que se avantajem aos outros em virtude, de modo que os seus exemplos sejam propostos à imitação. Por isso em todos os tempos, uma nobilíssima falange de Santos e de Bem-aventurados, ingente multidão "que ninguém pode contar, de todas as nações e tribos e línguas" (Apoc VII, 9), homens e mulheres de todas as idades e condições, não cessarão de acrescer a beleza e multiplicar a alegria da Esposa de Cristo, até à consumação dos séculos.
2- A esta fulgidíssima falange até a nós, que, embora sem méritos, estamos ao leme da barca de Pedro em tempos tão procelosos, concedeu o benigníssimo Senhor que, especialmente no passado Ano Santo, acrescentássemos muitos ilustres heróis, cujo triunfo celebramos com grande alegria do nosso espírito. Mas aprouve a suavíssima clemência de Deus conceder hoje ao Vigário de Cristo na terra uma graça que, há mais de dois séculos, isto é, desde o ano de 1712 em que Pio V foi inscrito no cânone dos Santos por Clemente XI, não foi concedida a nenhum dos Nossos Predecessores: poder agregar ao número dos Bem-aventurados outro Sumo Pontífice, um Pontífice que nós próprio conhecemos, cujas exímias virtudes admiramos de perto, ao qual prestamos dedicada e devotamente a nossa colaboração - Pio X.
 
Ainda menino (reconstituição)
3- Nasceu ele na humilde aldeia de Riese, na diocese de Treviso, a 2 de junho de 1835, filho de João Batista Sarto e Margarida Sanson, ambos de condição humilde mas ilustres pela honestidade e virtude antiga, aos quais Deus circundou de uma coroa de dez filhos. Batizado no dia seguinte, recebeu o nome de José Melchior. Menino de índole vivaz e alegre, sob a direção da sua piedosíssima mãe distinguiu-se de tal modo na piedade que o pároco da freguesia não duvidou proclamá-lo "a mais nobre alma" da paróquia. Depois de completar os estudos elementares na escola local, levado pelo seu grande desejo de estudar mais, freqüentou os estudos secundários, dirigindo-se para isso todos os dias, durante quatro anos, muitas vezes de pés descalços, à próxima povoação de Castelfranco. Recebeu o Sacramento da Confirmação em 1º de setembro de 1845 e fez a Primeira Comunhão em 6 de abril de 1847 e, como mostrasse constante vontade de abraçar o estado eclesiástico, em setembro de 1850 mereceu ver satisfeito o seu ardente desejo de receber as vestes talares e em novembro seguinte, mercê do interesse do Cardeal Tiago Mônico, Patriarca de Veneza e seu patrício, entrou, radiante de alegria, no prestigioso Seminário de Pádua. Quanto aí progrediu em piedade e doutrina pode facilmente deduzir-se do seguinte testemunho dos superiores daquele Seminário: "a nenhum inferior em disciplina, de grandíssima inteligência, de suma memória, de máxima esperança" ( Arquivo do Seminário de Pádua). Os fatos confirmaram plenamente a previsão.
Ainda jovem seminarista

Ordenado sacerdote na igreja principal de Castelfranco em 18 de setembro de 1858, alguns dias depois celebrou solenemente a Missa-Nova na terra natal, em meio da maior alegria dos seus, sobretudo da sua digníssima mãe, bem como de todos os conterrâneos. No mês de novembro de 1858 foi nomeado coadjutor do piodoso pároco de Tômbolo, cuja saúde era bastante precária. Imediatamente aquele venerando sacerdote e os paroquianos, quase todos agricultores, experimentaram e admiraram os egrégios dotes do jovem coadjutor, a sua humildade, pobreza, jovialidade, zelo assíduo em auxiliar de todos os modos o próximo e, além disso, a sua invulgar perícia na pregação. O Bispo de Treviso, ao conhecer estas excelentes qualidades, em 1867 escolheu José Sarto para reger a paróquia mais importante de Salzano. E aí se revelou cada vez mais em quanto amor de Deus e do próximo ele se distinguia pela suavidade de caráter, mansidão, modéstia, amor da pobreza, especialmente durante a terrível peste do ano de 1873.
 
Jovem Padre Giuseppe Sarto
4- Passados nove anos em Salzano, foi nomeado Cônego da Catedral de Treviso, Chanceler da Cúria Episcopal e ainda Diretor espiritual do Seminário. Estes cargos tão honrosos como cheios de responsabilidade, e só aceitos por obediência, pois detestava honrarias e dignidades, exerceu-os com a costumada diligência e perícia, ele que sempre foi inimigo declarado da ociosidade. Em 1879, ficando vaga a Sé de Treviso, foi eleito por unanimidade de sufrágios Vigário Capitular. E também neste ofício deu tais provas de prudência e competência que, em 1884, com aplauso universal, embora contra sua própria vontade e vã relutância, foi nomeado Bispo de Mântua.
 
 
 
Sempre atrás das ovelhas perdidas
 

Padre Guiseppe Sarto, em pé (lado direito)
5- Sagrado nesta cidade de Roma, na igreja de Santo Apolinário, a 16 de novembro, entrou na diocese em abril do ano seguinte, para logo começar a difundir com maior profusão os tesouros de generosidade da sua alma a favor do novo rebanho místico confiado aos seus cuidados,"fazendo-se tudo para todos"(1 Cor IX, 22), a fim de conquistar a todos para Cristo e prover às muitas e graves necessidades da Igreja Mantuana. Deve recordar-se, antes de mais, o seu ardentíssimo xelo para que os Seminaristas, como o requeriam os tempos e as circunstâncias, fossem convenientemente educados, para que as associações católicas fossem verdedeiramente ativas e fosse acrescido o decoro da Sagrada Liturgia. Desde então, desapareceram desconfianças e inimizades, arrrancaram-se vícios muito inveterados, suprimiram-se escândalos, restaurou-se o cumprimento dos mandamentos de Deus, cresceu maravilhosamente a fé, reforçou-se a honestidade dos costumes. Que admira, pois, que entre os Mantuanos o Bispo José Sarto gozasse fama da santidade, ele que, movido unicamente pela ardentíssima caridade cristã,costumava não só distribuir aos numerosíssimos pobres dinheiro, alimentos e vestuário, mas até beijar-lhes de joelhos os pés?
 
Bispo de Mântua
 
6- Leão XIII, de gloriosa memória, que tinha grande estima e singular afeto ao Bispo de Mântua, no Consistório de 12 de junho de 1893 alistou-o entre os Cardeais e, três dias depois, nomeiou-o Patriarca de importante Igreja de São Marcos de Veneza, a fim de que se visse claramente que a honra da Púrpura Cardinalícia, mais do que a Sé, embora digníssima, se conferia ao homem de méritos excepcionais.
 
7- A maravilhosa cidade, Rainha do Adriático, que há tanto esperava um novo Patriarca, recebeu-o
Cardeal Patriarca de Veneza
com enorme júbilo e universal aplauso em 24 de novembro de 1894, e logo os venezianos de todas as condições foram conquistados pela sua afabilidade e virtude. Realmente, excetuadas as vestes e os distintivos próprios da dignidade cardinalícia, nada mudou na vida íntima e nos usos do Servo de Deus. A mesma humildade e desprezo de si próprio, o mesmo amor à pobreza e ao trabalho, o mesmo ardentíssimo e constante zelo pela glória de Deus e salvação das almas.
 
8- Como em Mântua, assim em Veneza se preocupou antes de mais com restaurar a disciplina e promover a santidade do Clero, renovar e fomentar a piedade do povo e a prática das virtudes cristãs, restaurar a dignidade das sagradas cerimônias e do canto eclesiástico, reformar os costumes, abolir abusos, reivindicar com suavidade e fortaleza os direitos da Igreja.
 
9- Falecido Leão XIII em 1903, o cardeal José Sarto, a 4 de agosto do mesmo ano, foi elevado ao fastígio do Sumo Pontificado que aceitou, com relutância e com lágrimas, "como uma cruz", tomando o nome de Pio X. Estabelecido na Cadeira de São Pedro, vendo o que exigia o bem da Religião e o que reclamavam os tempos, tomou como lema do seu pontificado esta sublime e insigne divisa: instaurare omnia in Christo. O Servo de Deus, tendo experimentado que nada poderia contribuir mais eficazmente para a renovação dos homens em Cristo do que a vida do Clero, esforçou-se com particular empenho por que todos os chamados para o serviço do Senhor se distinguissem pela piedade, ciência e obediência.
   
Santo Padre o Papa Pio X
10- Por isso é que na primeira Carta Encíclica "E supremi" quis abrir a sua alma ao Clero, exortando-o vivamente a só se compenetrar das coisas celestes e só a estas procurar. Volvendo particulares cuidados para os Seminários da Itália, deu-lhes nova organização e favoreceu neles muitíssimo o estudo das ciências sagradas e profanas; excitou os cultores da filosofia cristã a pugnarem pela verdade tomando por guia Santo Tomás de Aquino; erigiu em Roma o Instituto Bíblico e, por ocasião de seu cinqüentenário sacerdotal, numa suavíssima exortação, estimulou todo o Clero a observar diligentemente os deveres do próprio ministério. Mandou reunir as leis da Igreja, até então dispersas por muitos volumes, em um corpo adaptado às condições do tempo e reorganizou a Cúria Romana para que se tornasse mais rápido o expediente dos serviços.
 
11- Preocupado ao máximo com a eterna salvação das almas, providenciou para que fosse devidamente ensinado o catecismo às crianças e adultos; estabeleceu sábias normas para a pregação; ordenou que a música sacra se conformasse com a majestade das sagradas funções. Fautor da santidade e da inocência, inspiriado pelo amor divino, introduziu o uso da Comunhão freqüente e até cotidiana e estabeleceu que as crianças se aproximassem da Primeira Comunhão desde os mais tenros anos; além disso, alimentou a acendeu em todos os filhos da Igreja maior amor ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Mestre infalível da fé, na memorável Encíclica "Pascendi" denunciou e reprimiu com o necessário rigor doutrinas que formavam uma triste síntese de todos os erros.
12- Acérrimo defensor da Religião e fortíssimo guarda da liberdade da Igreja de Cristo, cônscio do seu ofício pastoral, aboliu o chamado Veto civil na eleição do Pontífice Romano; repudiou impavidamente as leis da separação do Estado da Igreja; à França afligida pela perseguição, deu novos Bispos, e resistiu à audaciosa erupção da malícia dos homens. Para defesa da Religião, restaurou a disciplina da Ação Católica e tornou-a mais sólida; deu novo desenvolvimento à ação social dos católicos: conduziu com sapientíssimas leis as associações operárias para o caminho religioso; reforçou as Ordens Religiosas com mais oportunas normas jurídicas.
 
13- A fim de promover e preservar a fé cristã, erigiu em Roma novas paróquias e fomentou por todas as formas a vida paroquial; proveu às múltiplas necessidades das Dioceses; difundiu no mundo a palavra de Deus com a missão de arautos do Evangelho; empregou todos os esforços para reconduzir à unidade da Igreja os Orientais dissidentes e, como verdadeiro Pai amantíssimo dos pobres e dos órfãos, nunca deixou de atender a quaisquer desgraças do seu povo.
 
    
14- Não vencido pelo trabalho, mas esmagado de acerbíssima dor por causa da infeliz e cruel guerra européia declarada nesses dias, começou a sentir-se mal em 15 de agosto de 1914 e, tendo-se agravado rapidamente a doença, no dia 19 chegou ao extremo. Confortado com todos os Sacramentos da Igreja, a 20 do mesmo mês trocou placidamente a vida mortal pela eterna, chorado por todo o mundo católico e logo proclamado Santo, como a primeira e a mais nobre vítima da guerra que já alastrava com furor. Celebradas solenes exéquias na Basílica de São Pedro a 23 de agosto, foi sepultado nas Grutas Vaticanas, no lugar que em vida tinha escolhido para o seu túmulo. O povo católico considerava-o imediatamente, à conta das exímias virtudes que lhe tinham adornado a vida, como intercessor junto da Majestade Divina.

 


SÃO PIO X, rogai por nós!
 
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Nos primórdios do século XX, no mundo inteiro pipocavam revoluções de cunho anarquista, visando abalar as últimas colunas que restavam da Civilização Cristã.
 
E na Santa Igreja a situação não era menos grave. Verdadeiras heresias, infiltradas nos meios católicos, minavam os fundamentos da Igreja  duas vezes milenar. Compelida a combater os inimigos externos, a Igreja estava sendo corroída também por inimigos internos, principalmente pela conspiração organizada pelo movimento então denominado modernista — precursor do progressismo católico de nossos dias.

Nessa terrificante encruzilhada, morre o Papa Leão XIII, a 20 de julho de 1903.

Urgia, em vista desse quadro, o aparecimento de um providencial defensor da Igreja e da Cristandade. A Divina Providência suscitou então um Papa Santo, dotado de extraordinária grandeza de alma.

Eleição e coroação de São Pio X

Transcorridos os 11 dias de orações, prescritos para sufrágio da alma do Papa Leão XIII, recém-falecido, os cardeais da Santa Igreja (em número de 62, na época) iniciaram o Conclave — reunião do Colégio cardinalício com o objetivo de eleger o novo Papa.

Os primeiros escrutínios indicavam a escolha do Cardeal Rampolla — que fora colaborador direto de Leão XIII. Mas no dia 1º de agosto foi comunicado aos cardeais, no Conclave, o veto do Imperador da Áustria, Francisco José. Veto que, segundo uma tradição, poderia ser exercido pelo Imperador austríaco.
 
Devido a isso, o Cardeal Giuseppe Sarto, de Veneza, passou a ser o preferido. Entretanto, num exercício de autêntica humildade, pedia aos cardeais que nele não votassem. Mas ele era o escolhido também pela Divina Providência. No sétimo turno da votação, o Cardeal Sarto, por insistência de vários de seus pares no Sacro Colégio, acabou aceitando(1) e foi eleito o 259º sucessor de São Pedro, por 50 votos a seu favor, no dia 4 de agosto de 1903.

O Cardeal Sarto, de cabeça baixa, ouviu o resultado do sufrágio. Segundo o costume, aproximou-se dele o Cardeal Decano e perguntou-lhe se aceitaria ou não a eleição à Sede Pontifícia.

Com os olhos banhados em lágrimas, e a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, respondeu: “Se não for possível afastar de mim esse cálice, que se faça a vontade de Deus. Aceito o Pontificado como uma cruz”.(2)

Após cinco dias, teve lugar a grandiosa cerimônia de coroação do sucessor de São Pedro, para a glória da Santa Igreja.

Magníficas obras pela restauração da Cristandade


O Cardeal Sarto deixa Veneza rumo ao Conclave, onde será eleito Papa
O glorioso, árduo e fecundo pontificado desse Vigário de Cristo durou 11 anos. Nesse período, foram lançados mais de 3.000 documentos oficiais, com o objetivo de Instaurare omnia in Christo — conforme seu lema. E tem estreita analogia com esta sua afirmação: “Se alguém pedir uma palavra de ordem, sempre daremos esta e não outra: Restaurar todas as coisas em Cristo”.(3)

Nesse sentido de restaurar todas as coisas em Cristo, foram numerosas e admiráveis as obras empreendidas pelo Santo Pontífice para defender a Civilização Cristã gravemente ameaçada.

Em seu esplêndido livro de memórias, o Cardeal Merry del Val, Secretário de Estado de São Pio X, enumera de passagem algumas dessas obras:

“A reforma da Cúria Romana; a fundação do Instituto Bíblico; a construção de seminários centrais e a promulgação de leis para a melhor disciplina do clero; a nova disciplina referente à primeira comunhão e à comunhão freqüente; o restabelecimento da música sacra; a vigorosa resistência movida contra os fatais erros do chamado modernismo e a corajosa defesa da liberdade da Igreja na França, Alemanha, Portugal, Rússia e outros países, sem aludir a outros atos de governo, justificam certamente que Pio X tenha sido destacado como um grande Pontífice e um diretor humano excepcional. Posso testemunhar que todo esse enorme trabalho foi devido principalmente e — muitas vezes — exclusivamente à sua própria idéia e iniciativa. A História haverá de proclamá-lo como algo mais que um Papa cuja bondade ninguém seria capaz de discutir.

Os limites que me impus ao traçar estas breves Memórias me impedem de entrar a fundo no estudo das diversas e importantes questões a que mais acima me referi; mas há uma delas cuja importância creio merecer especial atenção neste curto relato, e esta é a compilação do novo Código de Direito Canônico”.(4)

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O Cardeal, fidelíssimo Secretário de Estado de São Pio X, passa a narrar o intenso trabalho do Santo Padre para reorganizar e aprimorar o novo Código, uma vez que o anterior era um emaranhando confuso, uma legislação que se prestava a diversas interpretações. Foram 11 anos de trabalho quase ininterrupto, mas ao cabo dos quais a admirável codificação ficou praticamente pronta nos últimos dias de São Pio X, em 1914. Seu sucessor, Bento XV, rendeu-lhe uma merecida homenagem, promulgando o novo Código elaborado por seu augusto predecessor.

Mansidão do cordeiro, força do leão
 
São Pio X na solenidade de Corpus Christi
 
Uma palavra a respeito de uma característica em que se destacou no mais alto grau São Pio X: sua extrema bondade, ao lado de uma indomável energia. Sobre isso, nada melhor que darmos a palavra a quem o conheceu mais de perto, e devotadamente o serviu por 11 anos — seu próprio Secretário de Estado, o Cardeal Merry del Val:

“Seria um grande erro crer que esta característica [a bondade] tão atraente de Pio X o retratasse plenamente ou resumisse seus dotes e qualidades; nada mais longe da verdade. Ao lado dessa bondade, e de modo feliz combinada com a ternura de seu coração paternal, possuía uma indomável energia de caráter e uma força de vontade que podiam testemunhar, sem vacilação, os que realmente o conheceram, embora em mais de uma ocasião surpreendesse, e até causasse estranheza àqueles que somente haviam tido ocasião de experimentar sua delicadeza e reserva habituais.

Mantinha um absoluto senhorio de si e dominava os impulsos de seu ardente temperamento. Não vacilava em ceder em assuntos que não considerava essenciais, e até estava disposto a considerar e aceitar a opinião de outros se isso não implicasse em risco para algum princípio; mas não havia nele nenhuma debilidade.
 
São Pio X em Santa Missa Pontifical Solene
 

Quando surgia alguma questão na qual se fazia necessário definir e manter os direitos e liberdade da Igreja, quando a pureza e integridade da verdade católica requeriam afirmação e defesa, ou era preciso sustentar a disciplina eclesiástica contra o relaxamento ou influência mundanas, Pio X revelava então toda a força e energia de seu caráter e o intrépido valor de um grande Pontífice consciente da responsabilidade de seu sagrado ministério e dos deveres que julgava ter que cumprir a todo custo.

Era inútil, em tais ocasiões, que alguém tratasse de dobrar sua constância; toda tentativa de intimidá-lo com ameaças, ou de afagá-lo com sedutores pretextos ou recursos meramente sentimentais, estava condenada ao fracasso”.(5)

A conjuração do movimento modernista
 
Esse santo varão, que derramava copiosas lágrimas considerando a paixão da Santa Igreja, era entretanto de uma severidade ímpar contra o mal. Depois de esgotar todos os recursos ao seu alcance para levar alguém à conversão, severamente condenava. Estava sempre disposto a perdoar, por assim dizer, maternalmente. Mas se a pessoa persistisse no erro e, pior, procurasse contaminar outros com seus desvios, o Santo Papa a reprovava energicamente. Foi o que ocorreu quando condenou o movimento modernista — “síntese de todas as heresias”, conforme o definiu —, que se infiltrara sub-repticiamente nas próprias fileiras católicas, com a finalidade de modernizar, adaptar e deturpar inteiramente o ensinamento tradicional da Igreja.
Assim, o Santo Padre lançou várias advertências aos mentores desse movimento, os quais não as levaram em consideração, pois se obstinavam no mal e procuravam corromper outros membros da Igreja e até mesmo da alta Hierarquia eclesiástica. Publicou então sua estupenda Encíclica Pascendi Dominici Gregis, de 8 de setembro de 1907, fulminando o modernismo [pequeno trecho abaixo destacado em amarelo]. Tal documento completava a condenação já expressa no Decreto Lamentabili Sane Exitu, de 3 de julho do mesmo ano.
O neomodernismo de nossos tempos

Como se pôde observar, vem de há muito a tentativa de infiltração no interior da Santa Igreja, por parte de inimigos velados ou declarados, a fim de “modernizar”, adaptar aos novos tempos e adulterar o Magistério tradicional e infalível da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
Peçamos ao ínclito Papa São Pio X o discernimento, a argúcia, a energia e a combatividade que ele teve ao enfrentar destemidamente as raízes dos erros que, em nossos dias, professa o chamado progressismo católico, continuador do modernismo de sua época.
 
São Pio X celebrando Pontifical Solene
 
 
 São Pio X condena o modernismo
 
Os mais perigosos inimigos da Igreja
 
“Não se afastará, portanto, da verdade quem os tiver como os mais perigosos inimigos da Igreja. Estes, em verdade, como dissemos, não já fora, mas dentro da Igreja, tramam seus perniciosos desígnios; e por isto, é por assim dizer nas próprias veias e entranhas dela que se acha o perigo, tanto mais ruinoso quanto mais intimamente eles a conhecem. Além de que, não sobre as ramagens e os brotos, mas sobre as mesmas raízes, que são a Fé e suas fibras mais vitais, é que meneiam eles o machado. Batida pois esta raiz da imortalidade, continuam a derramar o vírus por toda a árvore, de sorte que coisa alguma poupam da verdade católica, nenhuma verdade há que não intentem contaminar. E ainda vão mais longe; pois, pondo em obra o sem número de seus maléficos ardis, não há quem os vença em manhas e astúcias, porquanto fazem promiscuamente o papel ora de racionalistas, ora de católicos, e isto com tal dissimulação, que arrastam sem dificuldade ao erro qualquer incauto; e sendo ousados como os que mais o são, não há conseqüências de que se amedrontem e que não aceitem com obstinação e sem escrúpulos (nº 3) [...].
Já não se trata aqui do velho erro, que à natureza humana atribuía um quase direito à ordem sobrenatural. Vai-se muito mais longe ainda; chega-se até a afirmar [na doutrina modernista] que a nossa santíssima religião, no homem Jesus Cristo assim como em nós, é fruto inteiramente da natureza. Nada pode vir mais a propósito para dar cabo de toda ordem sobrenatural” (nº 10). (Encíclica de São Pio X sobre as Doutrinas Modernistas, Pascendi Dominici Gregis, de 8-9-1907, Editora Vozes Ltda, Petrópolis, 1948, pp. 4-5; 10-11).



Corpo incorrupto de São Pio X

SÃO PIO X,  rogai por nós! Rogai pela Igreja!
 
Fontes usadas para compor esse artigo: www.lepanto.com.br

                                                               Zelo Zelatus Sum

Encíclica completa: Pascendi Dominici Gregis de São Pio X sobre o modernismo: AQUI