"Cristão é meu nome e Católico é meu sobrenome. Um me designa, enquanto o outro me especifica.
Um me distingue, o outro me designa.
É por este sobrenome que nosso povo é distinguido dos que são chamados heréticos".
São Paciano de Barcelona, Carta a Sympronian, ano 375 D.C.
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domingo, 14 de setembro de 2014

30º PAPA: São Marcelo - ano 308 a 309

Papa São Marcelo (30º Papa)
Pontificado: do ano 308 ao ano 309





Papa Marcelo I (em latim: Marcellus) foi o trigésimo papa da Igreja, exercendo sua função de maio de 308 a 309, sucedendo o Papa Marcelino, após uma considerável lacuna de tempo (quatro anos de sede vacante).

O Império Romano estava em relativa paz desde 260 e, nesta situação, cerca de sete milhões de pessoas professam a religião cristã, em meio a cinquenta milhões que seguiam a religião oficial. Tudo andava bem, quando o partido da antiga religião conseguiu persuadir Galério que a política de restauração e centralização do imperador Diocleciano exigia a supressão do cristianismo. Por causa disso, o imperador proclamou a última perseguição. Diocleciano emitiu quatro editos que condenavam à destruição as igrejas e as Sagradas Escrituras, como também aprisionar os líderes das comunidades cristãs, torturando aqueles que não quisessem sacrificar aos antigos deuses, e matando aqueles que, a despeito das torturas, não tivessem renunciado à fé apostólica.

Tal perseguição teve consequências dramáticas sobre a disciplina interna da Igreja: foram inúmeros os mártires, mas também os apóstatas, isto é, aqueles que, para salvarem-se da morte, ofereciam sacrifícios aos ídolos ou fazendo-se inscrever nos registros daqueles que tinham obedecido aos editos.

A Sé romana permaneceu vacante por quase quatro anos, ainda que, já em 305, com a abdicação de Diocleciano e de Maximiano, a perseguição foi diminuindo gradativamente de intensidade e, depois de 307, com a proclamação de Maxêncio, na Itália e na África, praticamente acabou. Sob seu domínio, os cristãos de Roma foram retomando lentamente a posse de seus bens e puderam reunir-se novamente sem medo para as celebrações Eucarísticas. Iniciaram, assim, a reorganização da comunidade.

Segundo o "Catálogo Liberiano", Marcelo, um romano, foi eleito papa pelo clero romano por volta da última metade de 308. À sua ascensão, encontrou a Igreja numa situação desastrosa. Os locais de reunião e alguns cemitérios foram confiscados e as atividades ordinárias foram interrompidas. Além disso, ocorriam alguns desentendimentos internos causados pelo grande número de pessoas que tinham renunciado a fé durante o período de perseguição e que, sob a direção de um apóstata, pretendiam ser readmitidos à Eucaristia sem que tivessem feito um ato de arrependimento, porque, na opinião deles, a longa vacância da Cátedra de São Pedro, depois da abdicação do próprio pontífice, lhes permitiria retomar tais procedimentos na comunidade.

Uma vez eleito, Marcelo assumiu de imediato o compromisso de reorganizar a Igreja. Segundo o Liber Pontificalis, ele subdivide o território metropolitano em 25 distritos (tituli) assemelháveis às atuais paróquias, à chefia dos quais era posto um presbítero que presidia a preparação dos catecúmenos, o batismo, a administração das penitências, as celebrações litúrgicas e o cuidado dos locais de sepultura e de memória. Além disso, seu nome é ligado, sobretudo, à fundação do cemitério de Novella (Cœmeterium Novellœ), situado na Via Salária, em frente à Catacumba de Priscila. No início do VII século, provavelmente, Roma contava com 25 igrejas titulares, existindo uma tradição histórica que sustenta que a administração eclesiástica tenha sido reformada depois da perseguição de Diocleciano, portanto, o compilador do Liber Pontificalis a atribui a Marcelo.

O trabalho como papa foi, porém, rapidamente interrompido pela controvérsia dos apóstatas. Marcelo, forte defensor das antigas tradições, endureceu a sua posição e exigiu penitência daqueles que queriam ser readmitidos. Em testemunho dessa posição, existe uma epígrafe composta pelo Papa Dâmaso I para o seu túmulo:

“Pastor verdadeiro, porque manifestou aos lapsi as obrigações que tinham no sentido de expiarem os seus delitos com as lágrimas da penitência, foi considerado por aqueles miseráveis como terrível inimigo. Eis aqui o motivo pelo furor, ódio, discórdia, sedição, morte. Por causa do delito de um que também durante a paz renegou a Cristo, Marcelo foi deportado, vítima da crueldade de um tirano”.

Em virtude de tal situação, formou-se uma ala que se opunha ao papa e que criava disputas, sedições e massacres. Maxêncio, que deu crédito às acusações dos turbulentos, responsabiliza Marcelo pelas desordens e o exila em lugar até hoje ignorado. Tudo isso acontece no final de 308 ou no início de 309, com base no que se reporta no “Catálogo Liberiano”, que fala de um pontificado não maior que dois anos. Marcelo morreu exilado pouco depois de ter deixado Roma e foi rapidamente venerado como santo.

Com base no Depositio Episcoporum, na “Cronografia” de 354 e em outros documentos, a sua festa acontece em 16 de janeiro. Não obstante, ignora-se qual teria sido o local de seu exílio, bem como a data precisa de sua morte. É certo, porém, segundo o “Martirológio Jeronimiano”, que suas relíquias foram trasladadas a Roma e sepultadas na Catacumba de Priscila. OS seus restos mortais foram depositados na antiga urna de basalto verde no altar-mor da Igreja de São Marcelo, na Via del Corso, em Roma.

No Liber Pontificalis e no Breviário Romano, reporta-se a versão conhecida como Passio Marcelli (Paixão de Marcelo) e descrita nos Acta Sanctorum: Maxêncio, enfurecido pela reorganização da Igreja comandada por Marcelo, exigia ao papa que renunciasse à sua dignidade episcopal e que adorasse aos ídolos pagãos, como teria feito seu predecessor. À sua recusa, este foi condenado a trabalhar como escravo numa estação postal (catabulum) de Roma. Depois de nove meses, foi libertado pelo clero romano, mas foi novamente condenado por ter consagrado a casa da matrona romana Lucina, transformando-a em uma Igreja. A condenação consistia em cuidar dos cavalos recolhidos no mesmo catabulum, com o intuito de humilha-lo. São Marcelo I, o qual, tendo confessado a fé católica, por ordem do tirano Maxêncio, foi primeiro espancado com bastões, depois destinado ao serviço dos animais sob boa custódia, onde, vestido de cilício, poucos dias depois, morreu servindo. Por tal motivo, é considerado o padroeiro dos cocheiros e dos treinadores de cavalos.

A construção da atual Igreja de San Marcello al Corso remonta ao século XVI, e foi provavelmente edificada sobre as ruínas da igreja precedente que, por sua vez, se achava no lugar do catábulo, onde Marcelo teria sido morto.

Na imagem, ainda que conste ter o Papa Marcelo ido eleito em 304 e, portanto, governado a Igreja por 5 anos, a história mostra que a Sé de Pedro esteve vacante por quatro anos (304 - 308), tendo o pontificado do Santo Papa Marcelo durado menos de 2 anos
 
 

São Marcelo, Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

29º PAPA: São Marcelino - ano 296 a 304

Papa São Marcelino (29º Papa)
Pontificado: do ano 296 ao ano 304




O Papa Marcelino (em latim: Marcellinus) foi o vigésimo nono papa da Igreja de Cristo. Seu pontificado estendeu-se de 30 de junho de 296 a 1 de abril de 304, coincidindo com a perseguição de Diocleciano. Sob o seu pontificado, surgiu o primeiro país cristão, a Armênia.

Segundo o Liber Pontificalis, Marcelino foi sepultado em 26 de abril de 304, na Catacumba de Priscila, na Via Salária, 25 dias após o seu martírio. O Catálogo liberiano diz que o sepultamento foi na realidade em 25 de outubro. Após um intervalo de tempo considerável, ele foi sucedido por Marcelo.

Segundo o Liber Pontificalis, Marcelino era um romano, filho de um certo Præjectus. O Catálogo Liberiano reporta que ele tenha sido sagrado bispo de Roma em 30 de junho de 296. Tais dados, aceitos pelo autor de Liber Pontificalis, foram verificados por aquela antiga fonte. Dos seus 8 anos de pontificado, nada é descrito. Entretanto, no epitáfio do sepulcro do diácono Severo nas Catacumbas de São Calisto é possível deduzir que, naquele período, o cemitério principal de Roma teria sido ampliado com as novas câmaras sepulcrais. Na epígrafe, se vê: “Cubiculum duplex cum arcosoliis et luminare Iussu papæ sui Marcellini diaconus iste Severus fecit mansionen in pace quietam...” (O Diácono Severo fez este duplo cubículo com seus arcossólios e as suas luminárias por ordem do seu Papa Marcelino, como silente mansão da paz). Isto teria acontecido antes do início da grande perseguição de Diocleciano contra os cristãos no Império Romano, durante a qual as Catacumbas de São Calisto, como os outros locais de culto público da comunidade cristã de Roma, foram brutalmente confiscados. Giovanni Battista de Rossi afirmava que os cristãos, neste período, bloquearam as galerias principais das catacumbas para proteger da profanação as numerosas tumbas dos mártires que ali repousam.

O César Galério levou o movimento pagão ao confronto contra a cristandade em 302, de modo que, no ano sucessivo, conseguiu convenver Diocleciano do perigo que os cristãos representavam para o Estado. Com um procedimento de neroniana memória, dois incêndios no palácio real – ainda que existam dúvidas sobre a eventual responsabilidade do próprio Galério – levaram o imperador, inicialmente relutante, a emitir um primeiro édito de perseguição e intolerância.

Os soldados cristãos tiveram de deixar o exército, as propriedades da Igreja foram confiscadas e os livros sagrados foram destruídos, tendo sido proibidas as funções religiosas. Além disso, os cristãos eram obrigados a renunciar a própria fé, sob pena de serem condenados à morte. A própria esposa de Diocleciano, Prisca, e a sua filha Valéria, ambas cristãs, foram forçadas a adorar as divindades pagãs.
A perseguição de Diocleciano, cujos severos éditos contra os cristãos foram impostos por Maximiano, provocou sérias desordens na Igreja de Roma depois de 303. Marcelino morreu no segundo ano da perseguição, segundo relatos, decapitado, embora a falta de documentos contemporâneos faz com que alguns historiadores acreditem ter o Papa morrido de causas naturais. Por outro lado, sua tumba já era venerada como tumba de um papa mártir desde o século V, corroborando a primeira versão. 
 
 
 

São Marcelino, Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

domingo, 17 de agosto de 2014

28º PAPA: São Caio - ano 283 a 296

Papa São Caio (28º Papa)
Pontificado: do ano 283 ao ano 296



O Papa Caio nasceu em Salona, na Dalmácia, sucedendo ao Papa Eutiquiano, cujo pontificado coincidiu com o período de paz que antecedeu à perseguição no governo do Imperador Diocleciano (ano 284 a 305). Não temos muita informação sobre sua vida e pontificado, sobre o qual faltam dados que elucidem a origem e a indicação desse Papa da Igreja de Cristo. Sabe-se que descendia da família imperial de Diocleciano, seu tio, e estabeleceu que ninguém poderia ser sagrado bispo sem antes passar pelos graus de leitor, acólito, exorcista, subdiácono, diácono e sacerdote. O papa de número 28 proporcionou paz aos cristãos e construiu amplas igrejas, por toda Roma.
 
O imperador Diocleciano foi um perseguidor implacável do cristianismo. Durante o seu governo, muitos foram martirizados por não abjurarem a Fé Católica. Ao que tudo indica, o Papa São Caio esteve sempre presente nos esconderijos das catacumbas, para assim, atender às necessidades dos cristãos. Como Papa, chegou a aconselhar alguns cristãos refugiados na casa de campo do então convertido prefeito Cromâncio, de Roma, para que fugissem da cidade antes de serem presos, pois sabia que muitos destes cristãos poderiam fraquejar diante das torturas e do martírio. Conta-se que este mesmo conselho foi dado a São Sebastião, mas este preferiu ficar em Roma, para animar e defender os irmãos da Igreja. Inclusive este santo, por permanecer na arena de luta defendendo a Igreja de Cristo, foi severamente martirizado.
 
O papa Caio morreu em Roma, mas não há citações conclusivas de que tenha morrido como mártir, embora haja informações precisas sobre a extensão de seu pontificado, completando um período de doze anos, quatro meses e sete dias, desde 17 de dezembro de 283 a 22 de abril de 296, de acordo com o Catálogo Liberiano. Foi canonizado e seu dia é comemorado em 22 de abril, juntamente com outro papa mártir, São Sotero (ano 166 a 175). Foi sepultado no cemitério da Capela dos papas. Vale observar que as criptas dos papas Caiu, Eusébio e Cornélio, nas Catacumbas de São Calisto, encontram-se escritas sob páginas gloriosas da Igreja de Roma.
 
 
 

São Caio, Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

sábado, 2 de agosto de 2014

27º PAPA: Santo Eutiquiano - ano 275 a 283





Papa Santo Eutiquiano (27º Papa)
Pontificado: do ano 275 ao ano 283

 

 
O Papa Santo Eutiquiano nasceu em Luni, Ligúria (Itália). Foi eleito como sucessor de Pedro em 04 de janeiro de 275. Pouco se sabe de preciso sobre o pontificado desse Papa. Governou a Igreja durante oito anos, período em que ordenou que os mártires fossem venerados com grande honra e que seus corpos fossem cobertos pela dalmática, uma túnica roxa similar às utilizadas pelo imperadores romanos (hoje, vestimenta dos diáconos nas cerimônias solenes). Também instituiu a benção da colheita nos campos.


Para evitar que o Santíssimo Sacramento fosse profanado, proibiu aos leigos até mesmo portar as Sagradas Espécies aos doentes:

Nullus praesumat tradere communionem laico vel femminae ad deferendum infirmo, ou seja, "Ninguém ouse entregar a Comunhão a um leigo ou mulher para que A leve a um enfermo".

Papa de número 27, morreu martirizado em 7 de dezembro de 283, em Roma. Foi sepultado na cripta dos Papas, nas Catacumbas de São Calisto.

 

 
 

Santo Eutiquiano, Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

quarta-feira, 23 de julho de 2014

26º PAPA: São Felix I - ano 269 a 274

Papa São Felix I (26º Papa)
Pontificado: do ano 269 ao ano 274


São Félix I (Roma 202 – † 30 de dezembro de 274) foi o 26º Papa da Igreja Católica. Seu pontificado iniciou em 5 de janeiro de 269 e durou até o dia 30 de dezembro de 274.
 
Filho de um homem chamado Constâncio, seu pontificado coincidiu com o governo do imperador Aureliano, que nos primeiros anos de seu reinado abandonou a política de perseguições, até então mantida contra os cristãos por seus antecessores.
 
Nos primeiros anos de seu pontificado, chegaram a Roma notícias do sínodo que havia sido celebrado em Antioquia, no qual fora deposto o Bispo antioqueno Paulo de Samosata, por ensinar doutrinas contrárias aos ensinamentos da Igreja sobre a Santíssima Trindade. A questão havia tomado um caráter político pelo apoio que havia recebido Paulo de Samosata por parte do imperador Aureliano. O Papa Félix emitiu um decreto indicando que ninguém podia ser verdadeiramente bispo se não estivesse em comunhão com a Sé de Roma, com o que ratificou a deposição aprovada no concílio de Antioquia do bispo dessa cidade, afirmando a divindade e humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como as duas naturezas distintas em uma só pessoa.
 
O Papa São Felix I ordenou que se enterrassem os mártires sob os altares dos templos e que se celebrasse a Santa Missa sobre seus sepulcros, celebração em que os sacerdotes só poderiam realizar no próprio templo, salvo por alguma causa maior, para impedir a celebração de Missas privadas. Próximo ao fim de seu pontificado, Aureliano retomou a política de perseguições; no entanto, tais perseguições tiveram breve duração visto que foram suspensas após a morte do imperador no ano 275.
 
O Papa São Félix I foi martirizado no dia 30 de dezembro de 274. Foi sepultado nas Catacumbas de São Calisto.


O costume, já adotado anteriormente, de se enterrar um santo mártir sob o altar, foi ordenado pelo Papa São Felix I.
Tal prática vigora até nossos dias, onde ao se consagrar um altar nele deve-se depositar as relíquias de um mártir, conforme vemos na foto.  
 
São Felix I, Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

25º PAPA: São Dionísio - ano 259 a 268

Papa São Dionísio (25º Papa)
Pontificado: do ano 259 ao ano 268


 
De origem grega, foi eleito após um ano de sé vacante devido à perseguição de Valeriano. Era um simples padre. Pôde dedicar-se às questões internas da Igreja, graças à tranquilidade e certa liberdade de que gozou a comunidade cristã com o novo imperador Galieno, filho de Valeriano. Circulavam livremente as obras de Tertuliano, Cipriano, Lactâncio e outros apologetas e filósofos cristãos. Tal liberdade favoreceu a penetração e expansão do cristianismo no mundo romano e possibilitou uma elaboração doutrinal mais precisa dele.

 Neste contexto Dionisio reorganizou a Igreja de Roma. O pontífice enviou grandes somas de dinheiro às devastadas igrejas do Oriente, sobretudo da Capadócia, que passavam por extremas dificuldades devido às invasões bárbaras. Resgatou muitos prisioneiros cristãos e fez reconstruir muitas igrejas destruídas.
 
No plano doutrinal, se opôs às teorias de Sabélio que havia desenterrado a heresia monarquiana. Tal heresia reduzia o conceito de Trindade à uma questão de palavras, quando na realidade, dizia se tratar de uma "só pessoa". Essa doutrina foi condenada em um concílio que se celebrou no ano 265.

Outro teólogo da Trindade naqueles tempos fazia prosélitos em Antioquia: o bispo Paulo de Samosata. Este, amante da rainha Zenobia, para lhe demostrar gratidão por seus favores - lhe outorgou o poder sobre a cidade - elaborou uma espécie de doutrina trinitária, mantendo dela algumas ideias. Segundo essa teoria, Cristo teria se transformado em Deus "progressivamente e por adoção". Após diversas vicissitudes e três concílios, a teoria foi condenada como herética e Paulo foi excomungado, deposto e exilado.
 
O santo papa também exigiu a seu homônimo, o bispo Dionísio de Alexandria, que explicasse sua posição sobre a acusação que pesaba contra ele de haver proferido declarações heréticas a respeito da doutrina trinitária. Esse enfrentamento é conhecido na história como "a controvérsia dos dois Dionísios".

Dionísio reorganizou as paróquias romanas e obteve de Galieno liberdade para os cristãos.
São Dionísio morreu em 26 de dezembro de 268. Foi sepultado na cripta dos papas nas Catacumbas de São Calixto.
 
 
 
São Dionísio, Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

quinta-feira, 26 de junho de 2014

24º PAPA: São Xisto II - ano 257 a 258

Papa São Xisto II (24º Papa)
Pontificado: do ano 257 ao ano 258


 
O Papa Xisto II foi o vigésimo quarto sumo pontífice de Roma. Era grego, nasceu em Atenas e assumiu a direção da Igreja em 30 de agosto de 257. O seu governo durou apenas onze meses, tempo em que não poderia ter feito muitas obras. Mas fez uma das mais importantes para a Igreja.
 
Com seu caráter reto e bondoso, conseguiu solucionar as discórdias que haviam atormentado a Santa Sé desde o governo de Vítor I. A questão polêmica era a seguinte: se um herege quisesse retornar à Igreja, após ter renegado a fé, deveria ser batizado de novo ou seria suficiente o batismo que havia recebido a primeira vez? Isso dividia a Igreja. Durante seu pontificado, trouxe de volta à Igreja os cristãos da Antioquia e da Alexandria que se haviam distanciado, e a harmonia estabeleceu-se. Em meados de 258, o imperador Valeriano, por meio de um segundo decreto, obrigou que os cristãos renegassem a própria religião publicamente, sob pena de terem os bens confiscados e sofrerem morte por decapitação. Para os sacerdotes e integrantes da Igreja, seriam confiscados até mesmo os cemitérios.
 
Xisto II fez o traslado das relíquias de são Pedro e são Paulo para um local seguro após esse decreto. Depois, surpreendido pelos soldados enquanto celebrava a santa missa, no cemitério, foi preso com outros sete religiosos. Durante as perseguições, os cristãos encontravam-se nas catacumbas (cemitérios subterrâneos) para receberem a eucaristia, era lá que escondiam os livros sagrados e os objetos litúrgicos. Foram condenados, pelo imperador, à decapitação e houve o confisco dos bens. O papa Xisto II morreu junto com seis diáconos - Agapito, Estêvão, Feliz, Januário, Magno e Vicente -, no dia 6 de agosto de 258. O sétimo, Lourenço, foi morto quatro dias depois.
No livro dos papas, sua morte foi definida como "soglio pontificio", pois estava em exercício da santa missa. As suas relíquias estão na cripta dos papas de São Calisto, em Roma.


San Sisto II patrono di Caldonazzo (TN) ( Fine ^700)
 
São Xisto II, Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

quarta-feira, 11 de junho de 2014

23º PAPA: Santo Estevão - ano 254 a 257

Papa Santo Estevão (23º Papa)
Pontificado: do ano 254 ao ano 257



Santo Estevão foi o sucessor de São Lúcio, cuja história não muito difere da sua em relação às fortes perseguições sofridas, também em curto espaço de tempo (2 anos) , infligidas também pelo imperador Valeriano. Sua dedicação e empenho em manter a mesma linha de seu predecessor, ou seja, inflexibilidade nas questões relativas à sua fé e ao seu fiel apostolado, fizeram que da mesma forma, recebesse a coroa do martírio pelas mãos do imperador tirano.
 
Filho de Julio, nasceu no final do segundo século e, apesar de haver poucos relatos acêrca da sua infância, todas as evidências confirmam que pertencia nesta época já a uma família cristã. Sua dedicação aos estudos das letras humanas e divinas, particularmente à vida dos Santos, fez com que em curto espaço de tempo, atingisse grau de especial distinção entre os fiéis de Roma. Era jovem quando foi admitido ao clero. Os Papas São Cornélio e São Lúcio, que viriam a se tornar seus predecessores, julgaram que não se podia deixar escondida aquela brilhante tocha de sabedoria. Foi ordenado diácono para em seguida ser administrador dos bens eclesiásticos, ao mesmo tempo que recebeu jurisdição vicarial.
 
Logo que assumiu a cadeira de São Pedro, empenhou-se valorosamente no sentido de extirpar a chama da heresia, defendendo em primeiro lugar os sagrados cânones e as orações para culto divino. Persistia o erro da heresia novaciana, cuja evolução Santo Estevão acompanhou de perto desde os tempos de São Cornélio que, após decisão conciliar, excomungou e declarou Novato anti-papa. As raízes da heresia, apesar disso, alastraram-se danosamente. Foi certamente por sua influência que São Cornélio foi decapitado. São Lúcio, em apenas oito meses, lutou implacavelmente contra ela durante seu pontificado, de apenas oito meses.
São Cipriano, bispo de Cartago, que desde os tempos de São Cornélio, lutou incansavelmente contra a maligna heresia, foi uma grande coluna de apoio aos seus sucessores Lúcio e agora Estevão. Os erros doutrinários eram já partilhados por muitos membros do clero, não só do ocidente, mas também do oriente. Apesar da condenação dos erros novacianos em diversos outros concílios, com especial empenho de São Cipriano e também de São Dionísio, bispo de Alexandria, a chama do erro, com enganoso pretexto de "reforma", fazia que muitos fiéis, em debandada, apoiassem as idéias errôneas. Foi, sem dúvida, uma triste, porém, necessária fase purgativa no seio da Igreja. Seus sectários afirmavam que não poderia, em hipótese alguma, serem admitidos à Comunhão, qualquer pessoa que tivesse caído em crime de idolatria, independente de arrependimento. E que todo o fiel que estivesse em pecado mortal, só o poderia ser admitido, caso fosse batizado novamente. Estenderam esta proibição à todo o gênero de culpas e tentavam, com seus atos de insubordinação regional, comprometer o poder de "atar e desatar", enfim o poder e autoridade divina do Papa.
 
Sucede que, os gentis, percebendo as funestas divisões e balbúrdias promovidas pelos hereges, encontraram oportunidade exata para intensificar as perseguições, incitando os imperadores e magistrados à moverem guerra contra a Igreja, mediante diversas artimanhas e articulações.
 
Alastraram-se documentos libeláticos (falsos certificados de sacrifícios aos deuses), com os quais muitos cristãos covardes o portavam para garantir seu meio de vida, diante das perseguições imperiais. Tais documentos alastraram-se no meio do episcopado, inclusive, foram denunciados de libeláticos Basílides - bispo de Astorga, na Espanha, e Marcial, bispo de Márida, além da denúncia de diversos outros crimes. Estes, apressando-se pelas denúncias, que culminariam na perda da mitra, dirigiram-se ao Papa e fizeram o que puderam para convencê-lo que tratavam-se de calúnias. O Papa Estevão recebeu-os com tanto amor e benignidade, que deram-se por restituídos à cadeira episcopal. Só que, São Cipriano e os bispos da Espanha, atentos à ardilosa astúcia de Basílides e Marcial, cientificaram o Papa dos crimes por eles cometidos, motivo pelo qual o Papa baniu-os e manteve-se inflexível em sua decisão.
 
Porém, o que dá maior idéia do mérito do nosso Santo é a célebre disputa que sucedeu entre os mais santos bispos da Igreja, sobre o valor da nulidade do batismo ministrado por hereges. Parece que esta disputa teve início na Igreja de Cartago, onde São Cipriano, baseando-se na prática de seu predecessor Agripino, ensinava que era nulo o batismo fora da Igreja Católica e, por conseguinte, que se deviam rebatizar todos os hereges que se reconciliavam com ela. Seguiram esta mesma opinião os bispos do oriente, que se juntaram em Icônio, especialmente no oriente como na África. Entretanto, Santo Estevão a condenou, e declarou que a respeito dos que voltavam ao grêmio da Igreja, de qualquer seita que fossem, nada se devia inovar, senão seguir precisamente a Tradição, que era impôr-lhes as mãos pela penitência, sem rebatiá-los, uma vez que tivessem sido batizados em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e que por outra parte não se tivesse omitido coisa alguma das essenciais ao Batismo.

Santo Estevão e São Cipriano
A muito custo São Cipriano mudou de parecer. Convocou muitos Concílios que confirmara sua opinião, e em virtude disso, escreveu ao Papa. O mesmo fizeram os bispos do oriente, porém, Santo Estevão, guiado pelo Espírito Santo, que governa sempre a Igreja, escreveu a São Cipriano e aos bispos da Cilícia, da Capadócia e da Galácia, que se separaria de sua comunhão, se persistissem suas opiniões sobre o batismo dos hereges. Com o tempo, se reduziram todos os bispos do oriente à decisão do Pontífice, contribuindo não pouco a este feliz sucesso São Dionísio, Bispo de Alexandria. Maior foi a resistência dos bispos africanos; porém, no final toda a Igreja abraçou o que ficou definido por Santo Estevão. Também teve o consolo de saber por carta de São Dioníisio Alexandrino que, em geral, todo o oriente havia abandonado o partido dos novacianos, unindo-se com Roma; ao mesmo tempo que participava desta boa notícia, se congratula com o Santo Papa dos socorros espirituais e temporais com que ajudava os fiéis da Síria e Arábia; prova evidente do muito que se estendia sua caridade e vigilância pastoral.
 Publicou o Imperador um edito pelo qual confiscava os bens dos cristãos, e os concedia que os denunciasse. Por esta ocasião, convocou o Papa ao clero e ao povo; e falou com tanta energia e com tanta eficácia sobre a vaidade dos bens desta vida, que um presbítero chamado Bono, arrebatado de santo fervor, exclamou em nome de todos, que não só estavam prontos a perder todos os seus bens, mas a padecer os mais cruéis tormentos, e a dar a vida por Jesus Cristo, declaração que foi recebida por aplauso universal.
 
Acendido o fogo da perseguição, é indizível o ardor com que todos de dispunham ao martírio. O Santo Papa andava de casa em casa, e passava os dias em lugares subterrâneos, oferecendo o Santo Sacrifício e dando aos fiéis a Sagrada Comunhão. Em um só dia batizou 180 catecúmenos, administrando-lhes o sacramento da confirmação, dizem as atas, ofereceu por eles o sacrifício Incruento, sustentando-os com o Pão dos fortes, e poucos dias depois quase todos mereceram receber a coroa do martírio.
 
Santo Estevão convencionou o que mais urgia na atual constituição dos negócios para o governo da Igreja, empossando 3 presbíteros, 7 diáconos e 16 clérigos, a quem encomendou a custódia dos vasos sagrados e a distribuição das esmolas. Nemésio, tribuno militar, andava em busca do Santo Papa, por ter ouvido que era um homem extraordinário e que fazia grandes milagres. Tinha o tribuno uma filha única, cega de nascença, e suplicou a Estevão que desse vista à sua filha.
 
"O farei", respondeu o Santo, "porém, com a condição de que há de crer em Jesus Cristo, em cujo nome e virtude hei de fazer o milagre".
 
Sem deter-se um ponto, o prometeu Nemésio, e assegurando com juramento que se faria cristão, acreditou em Jesus e pediu o Batismo. Instruindo-lhe o Papa e batizando-o juntamente com sua filha, o qual recobrou a vista logo que recebeu o Batismo, se lhe deu o nome de Lucila.
 
À vista deste milagre, se batizaram maravilhados 63 pagãos. Nemésio e Lucila foram presos, como também Sempronio, seu primeiro secretário, a quem o Tribuno Olimpo ordenou que declarasse o estado de todos os bens de seu amo. Respondeu o fiel criado ao Tribuno que não haviam bens, já que tudo havia sido repartido entre os pobres. "Então tu também és cristão como teu amo?", replicou Olimpo, que se chamava o juiz. "Esta sorte tenho, e me orgulho muito dela", respondeu Sempronio. Irritado, Olimpo fez trazer uma estátua do deus Marte, e mandou a Sempronio em nome daquela falsa divindade, que declarasse os tesouros de seu amo. Olhando Sempronio com indignação ao ídolo, exclamou: "Confunda-te Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, e faça-te em pedaços neste mesmo instante". Imediatamente caiu o ídolo a seus pés reduzido a pó. Assombrou a Olimpo o milagre, e abrindo os olhos da alma, creu que todos seus deuses eram quimeras, e que não havia outro verdadeiro Deus, senão Jesus Cristo. Descobriu-se a Exupéria, sua mulher, que interiormente era cristã; esta o confirmou sobre suas reflexões, e lhe aconselhou que se convertesse. O fez com toda sua família, atendidos por Santo Estevão que, informado sobre o que se passava, instruiu-os, batizou-os e exortou-os à perseverança.


Santo Estevão Papa batizando os pagãos convertidos à Fé

 
Deu-se grande alvoroço em Roma pela conversão de famílias tão conhecidas; noticiado o Imperador, cheio de ira, mandou que a todos lhes tirassem a vida no mesmo dia, tendo o Santo Papa o consolo de dar a todos sepultura. Da mesma sorte lograram doze clérigos aos quais, à frente, estava o presbítero Bono. Ordenou o Imperador que fosse preso Santo Estevão, e quis ver-lhe. Perguntou-le sem delongas se era aquele sedicioso que perturbava ao Estado, desviando o povo do culto devido aos deuses do Império.
 
"Senhor", respondeu Estevão, "eu não perturbo o Estado; só exorto ao povo que não renda culto aos demônios, e que adore ao verdadeiro Deus, a quem unicamente se lhe deve adorar".
 
"Ímpio, exclamou o imperador, dessa blasfêmia que acabas de proferir virá tua morte!" E voltando-se aos soldados de sua guarda, acrescentou: "Quero que seja conduzido ao templo do deus Marte, e que ali seja degolado e oferecido em sacrifício".
 
Executou-se a ordem, mas tão logo foi conduzido, o céu rompeu em trovões, relâmpagos e raios; caiu por terra o templo do deus Marte, e fugiram todos os pagãos. Ficou só Estevão com as pessoas que o haviam seguido. Retirou-se com eles a um lugar onde costumavam juntar-se e ofereceu o Divino Sacrifício do Corpo e Sangue de Jesus. Tão logo acabou de celebrá-lo, os soldados que o procuravam por todas as partes entraram e o degolaram sobre sua cadeira pontifical, quando exortava os cristãos ao martírio. Sucedeu isto em 2 de agosto de 257, e seu santo corpo, junto com a cadeira em que foi sacrificado, toda banhada de sangue, foi enterrado pelos cristãos no Cemitério de Calixto. Trasladou-se sua cabeça a Colônia, onde é singularmente venerada. .


 
 
Santo Estevão Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

sexta-feira, 30 de maio de 2014

22º PAPA: São Lúcio - ano 253 a 254

Papa São Lúcio (22º Papa)
Pontificado: do ano 253 ao ano 254



São Lúcio foi o sucessor de São Cornélio, e  figura como o 22º Papa da Igreja.   Seu predecessor havia enfrentado  sérios obstáculos diante do  cisma  perpetrado por Novato, um presbítero que arrebanhou adeptos numa luta aberta contra a sua eleição, de forma que chegou a  proclamar-se Papa, mas acabou sendo excomungado e  declarado anti-papa após a convocação de um Concílio. Sucede que, diante das  intensas perseguições do imperador Galo, o legítimo Papa acabou sendo exilado e finalmente decapitado por não sacrificar aos deuses pagãos.

O mesmo imperador, movido por cruel fúria,  empreendeu intensas perseguições ao novo Papa São Lúcio,  que recebeu  apoio de São Cipriano através de  diversas  cartas de consolo e fé. O imperador Galo viria a morrer alguns meses  depois num combate contra um general rebelde de nome Emiliano.  Sucederia a  ele  o imperador Valeriano que, a princípio, mostrou-se cordial com os cristãos, o que facilitou o regresso do Papa à Roma.
 
Os sequazes do anti-papa Novato, semeando ainda  a confusão e o erro sobre o rebanho,  investiam contra a santa doutrina, o que foi duramente combatido por são Lúcio.  Havendo, por isso, a iminência de  um clima negligente por parte rebanho e também dos clérigos, prescreveu importantes  normas canônicas, dentre as quais a proibição  referente à convivência de clérigos e mulheres religiosas em habitação comum, o que era usual na época.  Estendeu, da mesma forma,  o veto aos leigos, julgando não ser conveniente aos católicos este tipo de convivência, salvo se as  pessoas do sexo oposto fossem familiares ou de parentesco muito próximo.  Decretou também que o Papa, em suas viagens apostólicas,  deveria estar acompanhado de no mínimo, três diáconos e  pelo menos dois sacerdotes.
 
Seu pontificado durou apenas  oito meses.  São Lúcio possuía diligente zelo apostólico e pela fé desejava ser martirizado como seus predecessores e inúmeros cristãos, que tombaram sustentando a verdadeira doutrina. Preservado por Deus do martírio de sangue,  teve morte natural, porém agônica. As doenças e  complicações que culminaram em  seu falecimento,  foram conseqüências  das aflições decorrentes das perseguições que sofreu.  Daí o motivo da Igreja ter-lhe conferido o honroso título de Mártir.
 
Suas relíquias  encontraram repouso ao lado de outros novecentos santos mártires, nas catacumbas de Santa Cecília. 
 
 

São Lúcio Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!

terça-feira, 20 de maio de 2014

21º PAPA: São Cornélio - ano 251 a 253

Papa São Cornélio (21º Papa)
Pontificado: do ano 251 ao ano 253


 
O pontificado de São Cornélio teve início somente no ano de 251.  Um ano e quatro meses antes,  o Papa São Fabiano, seu predecessor, havia sido martirizado por decapitação por ordem do Imperador Décio.  A perseguição contra a Igreja de Cristo havia apresentado constantes requintes de violência e crueldade, de forma que, desde a morte de São Fabiano (ano 250), tornou-se impossível congregar os fiéis  para a eleição do novo Papa. Só após  a  revolução de Julio Valente, conseguiu reunir-se o clero, que elegeu por Papa a Cornélio, que era presbítero da Igreja romana.  Assim, desde a morte de São Fabiano até a eleição de São Cornélio, permaneceu a sede pontifical de Roma vacante por um ano e quatro meses.
 
Era Cornélio reconhecido por suas grandes  virtudes e  eminente sabedoria, principalmente pelos  grande testemunho que empreendera na luta contra a heresia. Por sua personalidade firme, ao mesmo tempo que piedosa, era já conhecido por seu elevado grau de santidade. Sua caridade e extrema doçura, fez com que merecesse o renome de "Pai dos Pobres". Tão logo tomou posse, o Papa Cornélio deparou-se  com sérios obstáculos. A chama da perseguição aos cristãos novamente ergueu-se. Aproveitando-se da aparente instabilidade,  um sacerdote de nome Novato passou a semear dissenções internas, empreendendo malignas articulações para dividir o rebanho de Cristo.  Oriundo de Cartago, onde São Cipriano já havia identificado sua personalidade malidicente,  chegou como  refugiado em Roma, onde achou terreno propício para difundir seus erros. Contestando a legitimidade da sucessão papal, maquinou um cisma e, num jogo de influências e interesses,  acabou proclamando-se Papa. Por este motivo,  ainda no mesmo ano da posse,  São Cornélio convocou um Concílio em  Roma, quando Novato foi excomungado e declarado anti-papa, sendo proscritos seus erros e  condenados todos os seus sequazes.
 
A paz na Igreja, porém, duraria pouco tempo.  O governo do Imperador Décio estava no final e  seu sucessor Galo, reacendeu a chama da perseguição com tanta intensidade,  que acabou o Papa sendo banido de Roma. São Cipriano, como bispo de Cartago (norte da África), empreendeu grande apoio ao Supremo Pontífice por ocasião do levante novaciano. Ao saber do exílio do Papa, de quem era pessoal amigo, escreveu-lhe carta contendo mensagem de perseverança e fé, já prevendo os sofrimentos com que ele iria glorificar a Cristo.
 

São Cornélio, que já  havia sido submetido a intensos tormentos, fadigas e penúrias  no exílio,  acabou sendo  decapitado após sentença dos juízes imperiais, no dia 14 de setembro de 253.
Cinco anos após a morte de São Cornélio (258), São Cipriano, que há alguns anos permanecera exilado em Curubis,  foi conduzido à presença do pré-cônsul Máximo, o qual lhe obrigou a  desistir da fé.  Declarando firme testemunho cristão e negando-se a adorar outros deuses,  São Cipriano foi  imediatamente decapitado por ordem de Máximo.
 
Por serem contemporâneos, amigos, e pela estreita relação na luta das causas da Igreja,  juntos aparecem Cornélio e Cipriano no Cânon tradicional da Missa,  cuja celebração festiva ocorre no mesmo dia.
 
As relíquias de São Cornélio encontram  repouso  junto às criptas de Lucina ( Bem-Aventurada Lucina, que foi quem recolheu os restos do Papa Cornélio e depôs numa cripta escavada em uma propriedade sua no Cemitério de Calisto, onde encontra-se até hoje). A inscrição de sua tumba é o primeiro epitáfio papal escrito em latim, que chegou intacto até aos nossos tempos.
 
 

São Cornélio Papa, rogai por nós! Rogai pela Igreja da qual fostes o Pastor!