"Cristão é meu nome e Católico é meu sobrenome. Um me designa, enquanto o outro me especifica.
Um me distingue, o outro me designa.
É por este sobrenome que nosso povo é distinguido dos que são chamados heréticos".
São Paciano de Barcelona, Carta a Sympronian, ano 375 D.C.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

SÃO MAXIMILIANO KOLBE, ora pro nobis!

Hoje é dia de São Maximiliano Maria Kolbe, patrono deste blog!

 




Grande devoto de Maria Imaculada e seu ardoroso apóstolo, Frei Maximiliano foi encarcerado pelos nazistas num campo de concentração, onde deu a vida para ajudar outros a bem morrer

São Maximiliano Kolbe nasceu no dia 8 de janeiro de 1894 em Zdunska Wola (Polônia). Seus pais, Júlio e Mariana Dabrowska, eram pobres artesãos mas lídimos cristãos, devotíssimos da Virgem Maria. No batismo recebeu o nome de Raimundo. Teve quatro irmãos, dois falecidos muito novos.



 


O pequeno Raimundo
 

O pequeno Raimundo era muito vivo e arteiro. Um dia em que a mãe o repreendeu mais veementemente por alguma falta, resolveu mudar de vida. Contará depois:

"Nessa noite eu perguntei à Mãe de Deus o que seria de mim. Então Ela apareceu-me com duas coroas, uma branca, outra vermelha. Perguntou-me qual das duas eu escolheria. A branca significava que eu deveria preservar a pureza; e a vermelha, que me tornaria mártir. Escolhi as duas. A partir de então, profunda mudança operou-se em minha vida".

Em 1907, ele e seu irmão mais velho, Francisco, entraram para o seminário menor dos franciscanos em Lwow, onde recebeu o nome de Maximiliano. Foi depois enviado para o Colégio Seráfico Internacional, em Roma, cursando filosofia na Universidade Gregoriana.

Ao emitir os votos perpétuos em 1914, Maximiliano acrescentou ao seu o nome de Maria.





São Maximiliano Kolbe, ainda jovem
 



Milícia da Imaculada: converter os pecadores

No ano de 1917, a maçonaria mundial celebrava o segundo centenário de sua fundação, mediante comemorações principalmente em Roma. Grupos de exaltados carbonários desfilavam pelas ruas da Cidade Eterna, empunhando bandeiras negras com a figura de satanás em atitude de esmagar São Miguel Arcanjo.
 

Isso provocou a mais profunda indignação em Frei Maximiliano que, em contrapartida, fundou com seis de seus condiscípulos uma associação, a Milícia da Imaculada, com o fim de "converter pecadores, hereges e cismáticos, particularmente franco-maçons, e trazer todos os homens ao amor de Maria Imaculada".
Em abril de 1918 ele foi ordenado, e no ano seguinte, com uma bênção de Bento XV para a Milícia da Imaculada, voltou para a Polônia.

Em Cracóvia lecionou História Eclesiástica no seminário maior dos franciscanos. Em janeiro de 1922, começou a publicar o mensário "Rycerz Niepokalanej" (Cavaleiro da Imaculada). Era seu objetivo "iluminar a verdade e mostrar o verdadeiro caminho para a felicidade".

Nesse mesmo ano transferiu-se para Grodno, onde recebeu candidatos, na qualidade de irmãos leigos, para se dedicarem à boa imprensa.

A grandiosa obra Cidade de Maria

Em 1927 o Príncipe João Drucko-Lubecki cedeu-lhe um terreno perto de Varsóvia, onde os frades começaram a construir o que seria a Cidade da Imaculada. Essa obra gigantesca ,Frei Maximiliano a levou avante sem dinheiro, confiando somente em Nossa Senhora:


"Dinheiro? Virá de um modo ou de outro. Maria proverá. Este é um negócio d'Ela e de seu Filho". E não foi decepcionado.

 
Nas novas instalações, a tiragem do "Cavaleiro da Imaculada" passaria de 5 mil exemplares mensais à impressionante cifra de 750 mil. Em 1935, iniciou também a publicação de um diário católico, "O Pequeno Diário", com tiragem de 137 mil exemplares, ampliada para 225 mil nos domingos e feriados. No dia 8 de dezembro de 1938, instalou na Cidade de Maria uma estação de rádio.

Mas não parou aí. Em 1939, a referida "cidade" contaria com 762 habitantes, sendo 13 sacerdotes, 18 noviços, 527 irmãos leigos, 122 rapazes no seminário menor e 82 candidatos ao sacerdócio. Figuravam entre seus habitantes médicos, dentistas, agricultores, mecânicos, alfaiates, construtores, impressores, jardineiros, cozinheiros, e mesmo um corpo de bombeiros. Era inteiramente auto-suficiente.

O bem que fez toda essa organização foi enorme. Vigários de todas as partes do país constataram intenso reafervoramento da piedade na Polônia antes da Segunda Guerra Mundial, atribuída à literatura produzida por Frei Kolbe. Uma campanha contra o aborto, em 1938, pareceu despertar a consciência da nação. Mais de um milhão de pessoas alinharam-se então junto aos estandartes de Maria Imaculada.


MISSÃO NO JAPÃO
 

 
 

Frei Maximiliano fundou também uma Cidade de Maria no Japão e publicou o "Cavaleiro da Imaculada" na língua do país. Tentou igualmente fundar outra na Índia, mas seus superiores chamaram-no de volta à Polônia antes de poder concretizar seu plano. De volta ao seu país, continuou suas atividades na Cidade de Maria.

Os frutos da Missão no Japão

Depois da segunda guerra mundial, os bispos da Polônia enviaram carta oficial à Santa Sé, afirmando que a revista de Frei Maximiliano Kolbe havia preparado a nação polonesa para suportar aquele conflito internacional e sobreviver aos seus horrores.


Sob o terror da ocupação nazista

São Maximiliano Kolbe, paramentado para a Santa Missa


No dia 13 de setembro de 1939, a Cidade de Maria foi ocupada pelos invasores alemães, e a maior parte de seus habitantes, entre eles Frei Maximiliano, foram deportados para a Alemanha, sendo libertos no fim desse ano.

Começou então a organizar abrigo para 3 mil refugiados de guerra. Os frades dividiam com eles tudo o que possuíam.

Na única edição do "Cavaleiro da Imaculada" que lhe foi permitido publicar durante a ocupação alemã, Frei Maximiliano afirmou:

 
"Ninguém no mundo pode mudar a verdade. O que podemos e devemos fazer é procurá-la e servi-la quando a tenhamos encontrado. O conflito real de hoje é um conflito interno. Mais além dos exércitos de ocupação e das hecatombes dos campos de exterminação,há dois inimigos irreconciliáveis no mais profundo de cada alma: o bem e o mal, o pecado e o amor. De que nos adiantam vitórias nos campos de batalha, se somos derrotados no mais profundo de nossas almas?"

Isso provocou sua prisão, em fevereiro de 1941, sendo enviado ao cárcere de Pawiak, em Varsóvia, onde sofreu inúmeras injúrias.

O governador-substituto da prisão, Conrado Henlein, respondendo à pergunta de por que os alemães estavam exterminando o clero polonês, fez diante dos bispos poloneses esta afirmação:

"Vocês, poloneses, têm esta mentalidade: a Igreja e a nação formam uma só coisa. Nós temos que acabar com isso. E é por essa razão que golpeamos uma vez a Igreja e outra vez o povo, para vos exterminar".

Em maio desse ano, Frei Maximiliano foi deportado para o campo de concentração de Óswiecim, cujo comandante Fritzsch, saudou sarcasticamente os recém-chegados, dizendo:

"Aviso-vos que viestes não para um sanatório, mas para um campo de concentração alemão, do qual a única saída é o forno crematório".

 
Frei Maximiliano aproveitava todas as oportunidades para dar assistência religiosa aos seus compatriotas. Dizia-lhes: "Tende confiança na Imaculada. Ela vos há de ajudar a perseverar".

O verdadeiro amor: dar a vida por seu amigo
Em fins de julho de 1941, fugiu um prisioneiro do bloco em que estava Frei Maximiliano. Em punição, o comandante Fritzsch condenou à morte dez prisioneiros.

Um dos dez, Francisco Gajowniczek, começou a chorar desesperado: "Oh, minha pobre mulher, meus pobres filhos, eu não os verei mais"! Frei Maximiliano saiu da formação e se dirigiu ao comandante do campo, seguindo-se este diálogo:



O que você quer? – perguntou o alemão.

Quero morrer no lugar de um dos condenados.

Por quê?

Porque sou solteiro, e este homem tem esposa e filhos.

Qual a sua profissão?

Sou padre católico.

Aprovado.

Mas a razão dada por Frei Kolbe não era a única, ou talvez nem a principal que o levou a esse ato heróico de caridade. Queria assistir na terrível morte os outros nove prisioneiros. E foi o que fez.

Ele caminhou para o "bunker da fome" entoando sua prece preferida:

Permiti que eu vos louve, ó Virgem Sagrada. [...] Permiti que para Vós e só para Vós eu viva, trabalhe, sofra, me sacrifique e morra. Permiti que eu contribua, cada vez mais e ainda muito mais, para a vossa exaltação".

Na prisão subterrânea, onde faltava ar, alimento e água, ouviam-se orações, cânticos religiosos, o rosário recitado, o que contagiava os prisioneiros das celas vizinhas. Bruno Borgowiec, prisioneiro que servia de intérprete e auxiliar aos alemães, e que foi testemunha ocular dessa terrível agonia, declarou: "Eu tinha a impressão de estar numa igreja".

À medida que os prisioneiros se tornavam mais fracos, a oração passava a ser quase murmurada. Entrementes, um após outro iam morrendo, até que ficou só Frei Kolbe. Ele tinha um olhar vivo e penetrante, que seus verdugos não podiam suportar, de maneira que vociferavam: "Olha para o chão, não para nós". Quinze dias após seu internamento naquele bunker de horror, Frei Kolbe ainda continuava vivo. Foi-lhe então aplicada uma injeção de ácido carbólico na veia, que o matou.

 


Depois da guerra, jornais de todo o mundo trouxeram artigos sobre o "santo de nossos tempos", o "gigante na santidade". Biografias foram escritas, e por toda parte houve testemunhos de curas obtidas por sua intercessão. O que levou à sua beatificação em 1971 e subseqüente canonização em 1982.

Francisco Gajowniczek e sua esposa

São Maximiliano Kolbe, ROGAI POR NÓS!
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Obras consultadas:

Frei Juventino Mlodozeniec, Conheci o bem-aventurado Maximiliano Maria Kolbe –– exemplar mimeografado no Jardim da Imaculada, Missão Católica de São Maximiliano Kolbe, Cidade Ocidental, Goiás, 1980.

Pe. José Leite, S.J., S. Maximiliano Maria Kolbe, in Santos de Cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1994, vol. II.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Na moral.... a Igreja Católica apoiou a escravidão?

Dias atrás soube que a Rede Globo apresentaria um programa cujo tema seria o "estado laico". Trata-se de um programa intitulado "Na Moral", apresentado pelo repórter Pedro Bial e que contaria com a participação de representantes de religiões e pensamentos religiosos diferentes, sendo eles: um padre, um pastor protestante, um babalorixá e um ateu.

Padre "Jorjão", "pastor" Silas Malafaia, Pedro Bial, ateu Daniel Sotto-Mayor e babalorixá Ivanir dos Santos


Por meio de parentes fiquei sabendo que em dado momento do "debate" o rapaz ateu, presidente da maior associação de ateus do Brasil, havia atacado a Igreja Católica. Fui verificar na net e encontrei o trecho AQUI onde Daniel Sotto-Maior, dirigindo-se a Padre Jorjão, esbraveja:
 
"Mas a Igreja nunca condenou a Escravidão! A escravidão no Brasil foi feita com a Igreja, a mando da Igreja! O senhor é negro, deveria saber disso..."
 
Padre Jorjão a ele respondeu de maneira educada, até chegou a dizer que a Igreja nunca apoiou a escravidão, mas no fim das contas o problema acabou se "encerrando" por ali... Infelizmente, quantos não sairão mal informados, com conceitos deformados, nutrindo novo-velho ódio pela Igreja? E o ateu, lançando tamanha acusação em rede nacional, arrotando conhecimento, será que sabe mesmo do que está falando? Será que agiu de má fé ou é simplesmente ignorante?
 
Abaixo, reproduzo o excelente artigo do Prof. Dr. Ricardo da Costa que trata deste tema tão polêmico e desconhecido pela grande maioria da população brasileira (católica ou não). Os destaques são nossos.
 
Sugestão a Daniel Sotto-Maior e a todo aquele que acusa a Igreja de ter promovido a escravidão:
 
Na moral... LEIA O ARTIGO!


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A IGREJA CATÓLICA E A ESCRAVIDÃO


Ricardo da COSTA

Vivemos em uma época conturbada. Qualquer coisa afirmada levianamente ganha auréola de verdade. Por exemplo, recentemente, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) disse que sessenta por cento dos congressistas brasileiros utilizavam serviços de prostitutas e que, por isso, eles gostariam de gozar essa atividade em “locais mais seguros”. Conclusão: para o deputado, deveríamos regulamentar a vida das meninas.3 Rapidamente a notícia ganhou as manchetes dos jornais. Contudo, dias depois, Wyllys voltou atrás – em uma matéria infinitamente menor, claro: disse que baseou sua afirmação em sua “percepção da sociedade brasileira”, e que, de fato, desconhecia casos de pagamento de prostitutas por colegas.4
 
Bem, cito o deputado do PSOL porque o próprio se valeu de um trecho de uma mensagem do papa Bento XVI no XLVI Dia Mundial da Paz para mais uma de suas afirmações bombásticas. O papa defendera a “estrutura natural do matrimônio” – a união entre um homem e uma mulher – quando negou que quaisquer outras formas radicalmente diversas de união fossem igualmente consideradas, pois elas “prejudicam, desestabilizam e obscurecem a função insubstituível do casamento”. Fazer essa equiparação constituía uma “ofensa contra a verdade da pessoa humana e uma ferida grave infligida à justiça e à paz”. Parafraseando o papa, o deputado afirmou que “ferida grave infligida à justiça e à paz foi a escravidão de negros africanos apoiada pela Igreja Católica”.5
 
Nesse caso, Jean Wyllys não está só. Essa é uma das acusações costumeiras feitas à Igreja. Teria ela, segundo seus detratores, apoiado o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África no período moderno (séculos XVI-XIX). Isso é verdade? Não. A verdade é exatamente o contrário disso. Vamos (mesmo que brevemente) aos fatos?
 
Na Bíblia há várias passagens relativas a escravos (especialmente o Antigo Testamento). Quase sempre são prescrições atenuantes. Por exemplo: não se deve entregar um escravo fugitivo6, nem utilizá-lo em tarefas degradantes ou serviços desnecessários7; ao escravo é reservado o dia de descanso (sábado).8 Em resumo: apesar de reconhecer a escravidão, a religião a atenuava. Essa foi basicamente a herança do mundo antigo no que diz respeito aos preceitos religiosos.
 
Com a ascensão social e política da Igreja na Idade Média e a consequente cristianização das monarquias, a pressão a favor dos pobres, das mulheres e dos escravos tornou-se maior. Por exemplo, uma lei do século VI (sob influência da Igreja) afirmava que nenhum escravo poderia ser preso caso estivesse em um altar católico: seu dono deveria pagar uma pesada multa caso fizesse isso. Nesses séculos conhecidos pelos especialistas como Alta Idade Média (V-X) o Catolicismo que se difundiu na Europa pressionou aquelas sociedades a considerar a escravidão algo ultrajante aos seres humanos, já que, pela fé em Jesus Cristo, somos todos filhos de Deus.9
 
Apesar disso, a escravidão só lentamente diminuiu – para dar lugar, pouco a pouco, à servidão. Com ela, a dignidade humana estava muito acima da escravidão. Nessa, o escravo era uma coisa que falava; naquela, o servo tinha deveres (e muitos!) – mas também direitos (como, por exemplo, a inalienabilidade da terra).
 
Mas os homens são dificilmente civilizados (e com revezes regulares). Mesmo com a pregação regular da Igreja, na Europa medieval a escravidão continuou tão comum que teve que ser reiteradamente condenada pela Igreja (Concílios de Koblenz, em 922, de Londres, em 1022, e no Conselho de Armagh, ocorrido na Irlanda em 1171). Naquele Concílio de Londres, por exemplo, foi decidido: “Que futuramente, na Inglaterra, ninguém queira entrar naquele comércio nefasto no qual estavam acostumados a vender homens como animais irracionais” (artigo 27).
 
O problema era que as antigas leis romanas, seu código civil, reorganizado nos anos 529-534 pelo imperador bizantino Justiniano I como Corpus Iuris Civilis (Conjunto do Direito Civil), regulamentava a escravidão. Segundo ele, embora o estado natural da Humanidade fosse a liberdade, os direitos dos povos poderiam, no entanto, substituir a lei natural e escravizar pessoas. Basicamente um escravo era: 1. alguém cuja mãe era escrava, 2. qualquer pessoa capturada em batalha, 3. qualquer um que se vendeu para pagar uma dívida (fato comum nos primeiros séculos medievais).
 
Com a ascensão do Cristianismo, o direito também se cristianizou. Os advogados medievais, a partir do século XI, chegaram à conclusão que a escravidão era contrária ao espírito cristão. Isso para cristãos (e que não me venha nenhum fariseu acusar a Igreja de não legislar para não cristãos). Em contrapartida, por exemplo, foi o Islã quem difundiu largamente a escravidão. Vejamos isso com mais pormenor.
 
Começo com uma citação do grande historiador Fernand Braudel (1902-1985): “O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa. Foi o Islã, desde muito cedo em contato com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e de seus centros mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (...). O comércio de homens foi um fato geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islã, civilização escravista por excelência, não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o comércio de escravos”.10
 
Aqui chegamos à escravidão negra. Muitos séculos ANTES da chegada dos brancos europeus à África, tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam largamente o escravismo, exatamente como os berberes (e demais etnias muçulmanas). Os europeus do século XVI tinham verdadeiro pavor de deixar o litoral ou mesmo desembarcar de seus navios e avançar para longe da costa e capturar escravos. Estes eram trazidos pelos próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente, abastecidos por guerras entre as tribos, ou mesmo puro sequestro. Isso pode ser facilmente comprovado, por exemplo, com a descrição do império de Mali feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai. Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres negras (e escravas) eram crucificadas.11
 
Entrementes, a Igreja Católica, reiteradamente, condenava a escravidão. Há inúmeras bulas papais a respeito: Sicut Dudum (1435) – Eugênio IV manda libertar os escravos das ilhas Canárias; em 1462, Pio II instrui os bispos a pregarem contra o tratamento de escravos negros etíopes, e condena a escravidão como um “crime tremendo”; Paulo III, na bula Sublimus Dei (1537) recorda aos cristãos que os índios são livres por natureza (isto é, ao contrário dos negros, eles não praticavam a escravidão); em 1571 o dominicano Tomás de Mercado declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV (Cum Sicuti, de 1591) e Urbano VIII (Commissum nobis, de 1639) condenaram a escravidão. 12
 
Paro no século XVII. Há muito mais.13 Mas qual é o resumo da ópera? Devemos estudar o passado, não inventá-lo.
 

Notas

  • 1. Esse é o texto integral. Para o Jornal, por motivos de espaço, ele foi diminuído.
  • 2. Paris: Firmin Didot Frères, 1839. “Embora tenha caído em desuso o artigo da primitiva lei sobre a escravidão, que prescrevia aos brasileiros mandarem batizar seus negros novos dentro de um determinado prazo, deixou, entretanto, vestígios de seu objetivo moral no coração dos proprietários indígenas. É raro, com efeito, encontrar-se hoje em dia um negro que não seja cristão; por outro lado, do ponto de vista político, esse freio de uma religião tão tolerante torna-se também uma garantia para os senhores obrigados a dirigir uma centena de escravos reunidos. A observância desse costume é tanto mais fácil para o citadino quanto circulam nas ruas alguns velhos negros livres, corretores de profissão, professores dos princípios da religião católica e que são principalmente apreciados porque têm a vantagem de falar várias línguas africanas, o que facilita os progressos dos novos catecúmenos (...) É em geral o escravo mais antigo que serve de padrinho e nas casas ricas concede-se essa honra aos mais virtuoso. Entretanto, isso não acarreta nenhuma obrigação em relação ao escravo e o senhor se desobriga de seus escrúpulos mediante uma simples esmola oferecida à Igreja.” – Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil, Jean Baptiste Debret. Belo Horizonte: Itatiaia, 1978, Tomo II, Volume III, Prancha 8, p. 166.
  • 3. “Eu diria que 60% da população masculina do Congresso Nacional faz uso dos serviços das prostitutas, então acho que esses caras vão querer fazer uso desse serviço em ambientes mais seguros”. Internet.
  • 4. Folha de São Paulo, sexta, 18 de janeiro de 2013. Internet.
  • 6. “Não entregarás a seu senhor o servo que, tendo fugido dele, se acolher a ti” – Deuteronômio 23:15.
  • 7. “Porque são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como se vendem os escravos. Não te assenhorearás dele com rigor, mas do teu Deus terás temor.” – Levítico 25:42-43.
  • 8. “Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhum trabalho nele, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu boi, nem o teu jumento, nem animal algum teu, nem o estrangeiro que está dentro de tuas portas; para que o teu servo e a tua serva descansem como tu.” – Deuteronômio 5:14.
  • 9. “Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” – Gálatas 3:22-28.
  • 10. BRAUDEL, Fernand. Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 138.
  • 11. COSTA, Ricardo da. “A expansão árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (sécs. VII-XVI)”. In: NISHIKAWA, Taise Ferreira da Conceição. História Medieval: História II. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009, p. 34-53. 
  • 13. Indico, como um excelente resumo da posição da Igreja, a leitura da Carta Apostólica In Supremo, de 03 de dezembro de 1839, sobre a condenação da escravidão dos indígenas e do comércio dos negros. Site. Há também uma obra com fontes primárias sobre o tema: BALMES, Jaime. A Igreja Católica em face da escravidão. São Paulo: Centro Brasileiro de Fomento Cultural, 1988 (agradeço ao Prof. Samuel Cardoso Santana pela indicação).
 FONTE

sábado, 10 de agosto de 2013

Desvendando Jean Wyllys e as intenções dos "tolerantes"

Não me lembro ao certo como me chegou o vídeo que reproduzo abaixo, mas vários trechos me pareceram interessantes. Alguns dos comentaristas do vídeo acusam seus autores de distorcer informações, manipular e tirar do contexto as falas dos envolvidos, etc. Mas o que mais me chamou atenção foi o pronunciamento de um dos senhores retratados no vídeo quanto à suas intenções com relação ao cristianismo. A meu ver, trata-se de um trecho impossível de ser editado, sendo assim, peço que o leitor assista e tire suas próprias conclusões:

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Outro problema advindo da entrevista do Papa Francisco:

A situação dos casais em 2ª união

Era de se esperar que a entrevista do Papa Francisco aos jornalistas produziria outros problemas que não só os relacionados aos gays. E quando digo problemas, não me refiro apenas aqueles causados pela mídia anticristã que busca a todo custo distorcer ou interpretar as respostas do Papa de modo a coincidirem com sua agenda. Também me refiro aos católicos de boa vontade, que por pouca instrução (como o caso de minha mãe) ou por se encontrarem em situações delicadas, acabariam tomando essas respostas como uma espécie de "mudança da Igreja".
 
Papa concede entrevista à jornalistas
 

E é o que vem acontecendo desde então. Infelizmente.

Em minhas andanças pela "blogosfera" católica, acabei me deparando com uma postagem que muito me chamou a atenção. Não divulgarei o nome do blog nem o nome de sua autora pois não tenho autorização para tal, tampouco gostaria de expô-la por qualquer motivo que seja. Apenas citarei seu caso como exemplo de problema decorrente da entrevista do Papa aos jornalistas.

A blogueira católica postou um artigo onde comenta as declarações do Santo Padre ao jornalista Gian Guido Vecchi, do Corriere dela Sera, sobre os casais em segunda união. O jornalista fez a seguinte pergunta ao Papa:

"Santo Padre, também nesta viagem falou várias vezes de misericórdia. A propósito do acesso aos sacramentos para os divorciados que voltaram a casar, há possibilidades que algo mude na disciplina da Igreja? Que esses sacramentos sejam uma ocasião para aproximar essas pessoas, em vez de uma barreira que os separa dos outros fiéis?"

O Papa, por sua vez, deu a seguinte reposta:

"Este é um tema que sempre pedem. A misericórdia é maior do que aquele caso que o senhor põe. Eu creio que este seja o tempo da misericórdia. Esta mudança de época e também os muitos problemas da Igreja – como um testemunho não bom de alguns padres, problemas mesmo de corrupção na Igreja, também o problema do clericalismo, só para exemplificar – deixaram muitos feridos, muitos feridos. E a Igreja é Mãe: deve ir curar os feridos, com misericórdia. Mas, se o Senhor não se cansa de perdoar, nós não temos outra escolha além desta: em primeiro lugar, curar os feridos. É mãe, a Igreja, e deve seguir por esse caminho de misericórdia. E encontrar uma misericórdia para todos. Mas eu acho que, quando o filho pródigo voltou para casa, o pai não lhe disse: «Mas ouça, ponha-se cômodo: o que você fez com o dinheiro?» Não! Ele fez festa! Talvez depois, quando o filho quis falar, ele falou. A Igreja deve fazer assim. Quando há pessoas... não se limitar a esperar por elas, mas sair ao seu encontro! Esta é a misericórdia. E eu penso que este seja um kairós: este tempo é um kairós de misericórdia. Mas o primeiro que teve esta intuição foi João Paulo II: quando ele começou com Faustina Kowalska, com a Divina Misericórdia... tinha algo em mente, ele intuíra que era uma necessidade deste tempo. Relativamente ao problema da Comunhão para as pessoas em segunda união – já que os divorciados podem ir à Comunhão, não há problema – mas, quando eles vivem em segunda união, não podem. Eu acho que é necessário estudar isso na totalidade da pastoral do matrimônio. E por isso é um problema. Mas os próprios ortodoxos – e aqui abro um parêntese – têm uma prática diferente. Eles seguem a teologia da economia, como eles dizem, e dão uma segunda possibilidade, permitem-no. Mas eu acho que este problema – e fecho o parêntese – deve ser estudado no quadro da pastoral do matrimônio. E, para isso, temos duas coisas: primeira, um dos temas a consultar a estes oito cardeais do Conselho dos Cardeais, com quem nos reuniremos nos dias 1, 2 e 3 de outubro, é como avançar na pastoral do matrimônio, e este problema será lançado lá. E uma segunda coisa: esteve comigo, quinze dias atrás, o secretário do Sínodo dos Bispos, para ver o tema do próximo Sínodo. O tema seria antropológico, mas olhando-o de um lado e de outro, indo e vindo, encontramos este tema antropológico: a fé como ajuda no planejamento da pessoa, mas na família para se debruçar depois sobre a pastoral do matrimônio. Estamos a caminho de uma pastoral do matrimônio um pouco mais profunda. E este é um problema de todos, porque há muitos, não? Por exemplo – digo apenas um – o cardeal Quarracino, meu predecessor, dizia que para ele metade dos matrimônios são nulos. Mas dizia isso, porquê? Porque casam-se sem maturidade, casam-se sem notarem que é para toda a vida, ou casam-se porque socialmente se devem casar. E com isso tem a ver a própria pastoral do matrimônio. E também o problema judicial da nulidade dos matrimônios: isso deve ser revisto, porque os Tribunais eclesiásticos não são suficientes para isso. É complexo o problema da pastoral do matrimônio. Obrigado!"

Os destaques na resposta do Papa foram feitos pela autora do blog. Na postagem em questão, a blogueira conta aos leitores sobre sua delicada situação, isto é, a situação de um casal em 2ª união. Conta também sobre a tristeza e dor por não poder receber o Santíssimo Sacramento da Eucaristia por conta de sua situação. Mas então, qual o motivo de postar a entrevista do Papa?
 
literatura sobre o assunto
Acontece que a blogueira - assim como "quase todo mundo" - viu na resposta do Papa uma luz de esperança com relação à situação destes casais. Em outras palavras, passaram a vislumbrar a possibilidade da Igreja na pessoa do Papa Francisco revogar a proibição de receber a Santa Comunhão aos casais em 2ª união. A autora, inclusive, pede aos leitores do blog que façam uma corrente de oração para que o Papa Francisco resolva essa situação para eles, acabando com tanta angústia e sofrimento.
 
Mas qual seria o problema de se rezar por essa causa?
 
Antes de dar prosseguimento a este artigo, gostaria de dizer à blogueira que passa por tão difícil situação, assim como a tantos outros católicos que vivem o mesmo problema, que não quero passar a imagem de fariseu hipócrita a condenar os irmãos. Longe de mim! Na verdade imagino o quão difícil para mim seria viver esse tipo de situação e, conhecendo minha covardia, o quão mais difícil seria corrigi-la. Sei do grande número de pessoas que sofrem por não ter tido "sorte" no casamento, sofrimento ainda maior quando o católico "separado" não tem culpa alguma da separação, isto é, quando quer manter o casamento mas é praticamente abandonado pelo cônjuge. Para ser sincero, tenho uma amiga que está passando por isso nesse exato momento.
 
Após dar as devidas explicações quanto à intenção deste artigo, posso prosseguir.
 
O problema da "segunda união" não está na simples opinião ou vontade de um Papa, tampouco em uma simples norma disciplinar ou em costume da Igreja, mas em sua doutrina!
 
Para fundamentar minha explicação, usarei o excelente livro do Cônego José Luiz Marinho Villac, intitulado "Esclarecendo dúvidas correntes dos católicos de hoje*", que traz um problema idêntico ao enfrentado por estes irmãos. No livro há a carta de uma católica que, após explicar as dificuldades enfrentadas em seu casamento e sua postura (honrosa) em muitos momentos, conta que acabou por se separar de seu marido, contraindo uma "segunda união" na esfera civil. Mesmo sofrendo, seu casamento lhe deu quatro filhos e alguns netos por ela muito amados. No entanto, chegou ao ponto de ter de se separar e agora, vive com outra pessoa em "segunda união". Essa senhora também expressara sua angústia por não poder receber os sacramentos e perguntava ao padre como resolver essa situação.
 
O Cônego Villac explica que quando um matrimônio se torna insustentável no campo da convivência entre os cônjuges, é lícito e permitido que se separem, até mesmo chegando ao ponto de realizar o chamado "divórcio" no âmbito civil, caso seja necessário por conta da manutenção/auxílio de uma das partes (pensão, bens, etc.). No entanto isso jamais concederá ao católico o "direito" de se casar novamente, posto que segundo a doutrina católica o matrimônio é indissolúvel e uma nova união será considerada uma união pecaminosa, uma vida em estado de pecado mortal, de ofensa permanente a Deus, que coloca em risco a salvação eterna da própria alma. (trecho em destaque retirado do livro).
 
A doutrina católica quanto à indissolubilidade do matrimônio fundamenta-se na Sagrada Escritura, onde o Próprio Cristo afirma que "o que Deus uniu, o homem não há de separar". Quando questionado sobre a permissão contida na Lei Mosaica do marido repudiar sua esposa em alguns casos para casar novamente, Nosso Senhor explica que isso lhes era permitido por conta de "sua dureza de coração". Portanto, não é que Deus tenha mudado de opinião, mas como nos mostra Nosso Senhor, antes Deus "tolerava" (embora isso já lhe ofendesse) por conta de o homem ainda não ter conhecido a Cristo e seu evangelho, mas que de ali em diante já não toleraria tal ofensa.
 
E como resolver tão dolorosa situação?
 
Cônego Villac adverte sobre a existência de uma pastoral progressista dentro da Igreja que pretende fazer concessões, porém esclarece que sua resposta será baseada na Doutrina Católica Integral, que não pode ser alterada. Em seguida, de maneira extremamente paternal e caridosa, orienta a senhora autora da carta a tomar certas atitudes que para as "mentes modernas" seriam consideradas medidas totalmente impensáveis, beirando a loucura ou o absurdo, mas que para aquele que queira viver a Fé integral da Igreja saberá ser o único agir correto e conforme à Fé Católica.
 
Explica que, antes de mais nada, o católico deve fazer de tudo para manter seu casamento, muitas vezes suportando as dificuldades por amor à Deus e oferecendo à Ele esses sofrimentos. Quando a convivência torna-se impossível e a única alternativa possível é a separação, igualmente o católico deve oferecer mais este sofrimento à Deus. A vida sozinho novamente constituíra causa de grande sofrimento ao católico separado e é bem provável que ele conheça pessoas interessantes ou volte a se apaixonar (todos estamos sujeitos à isso, inclusive os casados). Mas diante de tamanho problema a posição a ser tomada pelo católico é, uma vez casado sacramentalmente, permanecer só, direcionando sua vida para ser preenchida por outros meios, como a oração e demais atividades voltadas à união com Deus, o amor e carinho dos filhos e netos (no caso da sra. da carta) e principalmente, oferecendo tão difícil e doloroso sacrifício à Deus, sabendo que ele em sua infinita misericórdia e justiça não deixará de recompensá-la no Paraíso, afinal, o cristão católico deve saber que não devemos buscar a felicidade nesse mundo, mas no que há de vir.
 
E no caso da senhora da carta e daqueles que já estão vivendo em segunda união?
 
Cônego Villac orienta para o que os "modernos" considerariam "absurdo impossível": Como já foi dado um passo além, primeiramente, deve-se começar desde já a implorar a Deus, com a intercessão da Santíssima Virgem Maria, para que obtenha forças para as atitudes a se tomar em seguida. Então, conversar com a pessoa a quem agora está unida e lhe propor que desde então vivam como irmãos, dormindo em quartos separados, enquanto rezam e estudam como proceder a uma separação de fato, que no seu termo final deve incluir também a separação legal perante as leis civis. (trecho em destaque retirado do livro).
 
A pergunta é: qual católico hoje em dia estaria disposto a fazer tamanho sacrifício por Cristo e pela salvação de sua alma? E não faço essa pergunta com ironia ou com o espírito daquele ditado "pimenta nos olhos dos outros..." Não! Sinceramente imagino o quão dificílimo e dolorosíssimo seria ter que tomar essa atitude. Porém, de acordo com a doutrina católica, é a única segura a ser tomada.
 
É obvio que Cônego Villac não aborda esse tema de maneira fria ou simplista como pode parecer, eu é que tive de resumir as respostas para não alongar muito esse artigo. Na verdade ele trata desse tema e de responder à essa senhora de maneira muito amável e caridosa, porém, como um pai a orientar seu filho para o melhor, não diz aquilo que o filho quer ouvir, mas aquilo que ele deve dizer.
 
Alguns dirão: - "tá, mas o Papa pode mudar isso".
 
Como vimos, essa doutrina está fundamentada nos Evangelhos e nas palavras do próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. Também está fundamentada na Sagrada Tradição da Igreja que ao longo de seus 2 mil anos assim acreditou e assim ensinou, inclusive por meio do Sagrado Magistério dos Papas ao longo destes dois milênios.
 
Santos já derramaram seu sangue por isso, cismas já ocorreram por isso, basta vermos o caso do Rei Henrique VIII que pediu ao Papa a anulação de seu casamento para contrair segunda união: após a recusa do Papa por tal pedido se tratar de algo impossível a ser autorizado (já que constitui um pecado), o rei Henrique VIII se separou da Igreja Católica levando consigo toda a Igreja da Inglaterra, dando origem ao que hoje conhecemos como "Igreja" Anglicana. Alguns santos se negaram a tomar parte em tal pecado e se mantiveram ao lado da Igreja Católica, tendo o martírio como prêmio por sua escolha. Foi o caso de São João Fisher e São Tomás More, decapitados por sua fidelidade à Cristo, à Igreja e sua doutrina.
 
E após tudo o que vimos, poderá o Papa mudar a doutrina da Igreja nesse ponto?
 
Vejamos o que disse o Cardeal Joseph Ratzinger, elevado à Cátedra de Pedro como Papa Bento XVI, sobre a ação do Papa na Igreja:
 
"...o papa não é um monarca absoluto cuja vontade é lei, mas sim o guardião da autêntica Tradição e, por isso, o primeiro fiador da obediência. Ele não pode fazer o que quiser, e justamente por isso pode se opor àqueles que pretendem fazer o que querem”. (prefácio do livro "O desenvolvimento orgânico da liturgia. Os princípios da reforma litúrgica e a sua relação com o Movimento Litúrgico do século XX antes do Concílio Vaticano II")
 
Mas e se, ainda assim, o Papa resolver mudar a doutrina católica nesse ponto?
 
Primeiramente, acredito que isso não acontecerá, uma vez que o Papa têm a assistência do Divino Espírito Santo e que portanto não poderia autorizar algo que colocaria em risco a salvação das almas de milhões de católicos.
 
Mas, caso ainda assim o fizesse, não o seria de maneira infalível (Ex Cathedra), como nos manda crer o Dogma da Infalibilidade Papal. Seria apenas em caráter "pessoal", "pastoral". E com relação à isso, qual a postura a ser tomada?
 
A postura seria aquela ensinada pelo Apóstolo dos Gentios, São Paulo, em sua Epistola aos Gálatas:
 
"Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema" (Epístola de São Paulo aos Gálatas, cap. 1, vers. 8)

Rezemos por nossos irmãos que vivem em situação tão difícil e angustiante, para que a Virgem Santíssima interceda por eles e que Deus Nosso Senhor lhes possa dar coragem e força necessárias para corrigir a situação em que vivem.
 
Rezemos pelo Papa!
 
*          *          *          *          *          *          *          *          *          *          *
 
* O livro "Esclarecendo dúvidas correntes dos católicos de hoje" do Cônego José Luiz Marinho Villac é uma excelente ferramenta para o católico que queira aprofundar sua Fé de maneira simples e direta, por meio de perguntas e respostas, sempre abordando - como o próprio nome do livro indica - dúvidas comuns aos católicos de hoje.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Exemplo de "católico a sua maneira": vocalista da banda Rosa de Saron

Em meus tempos de retorno ao Catolicismo muitos me falavam de uma "banda católica" chamada Rosa de Saron. Houve tempo em que eu achava possível haver banda de "rock católico", mas isso é outra história para um outro post. O interessante a se observar é que tal banda influencia muitos "jovens católicos" (alguns nem tão jovens assim) e pelo jeito goza de bastante prestígio entre os clérigos brasileiros, haja vista que chegou a "cantar na Missa" do Papa Francisco no encerramento da Jornada Mundial da Juventude.
 
Pois bem, essa banda ao participar em programa da "catolicíssima" rede globo pôde demonstrar o nível do catolicismo jovem brasileiro. As respostas do vocalista da banda formam um verdadeiro festival de grosserias e ignorância acerca da Fé que estes rapazes dizem professar.

O vocalista da Banda Rosa de Saron, modelo de católico atual

Confesso que além da tristeza por saber que estes são os "modelos" de católico que temos atualmente, também senti vergonha alheia pelos delírios expressados pelo vocalista em tão curto espaço de tempo.
 
A seguir publico um vídeo/montagem que fizeram de um trecho da entrevista dessa banda, assim como do Reverendo Padre Paulo Ricardo corrigindo o vocalista por suas declarações equivocadas (e heréticas). Gostaria de encontrar o vídeo completo do Padre Paulo, não sei exatamente de qual vídeo retiraram os trechos em que ele faz essa correção, mesmo assim é interessante vê-lo denunciar os erros deste que é um dos principais "ídolos católicos brasucas" e que reflete a mentalidade reinante entre os católicos de nossos dias.
 
Mais triste ainda foi observar nos comentários desse vídeo alguns ditos "católicos" criticando o Padre e defendendo o cantor, inclusive demonstrando que para eles pouco importam as doutrinas e ensinamentos transmitidos pelo Padre. Alguns chegaram a "combater" Padre Paulo e o ensino da Igreja com trechos de letras de uma das músicas da banda em questão.
 
Sagrada Escritura, Sagrada Tradição, o Magistério da Igreja, os ensinamentos dos padres da Igreja e toda a patrística, as bulas e encíclicas papais, as definições dogmáticas, os manuais de teologia... para quê? Estudar o Catecismo? Para quê?
 
Para quê tudo isso se temos as "letras católicas" da Banda Rosa de Saron?
 
É caros leitores, infelizmente é esse o nível de catolicismo da Juventude Brasileira.
 
E ainda me olham admirados quando falo de crise na Igreja.
 
Segue o Vídeo:
 

sábado, 3 de agosto de 2013

A "derrapada" do Papa e a gravíssima e catastrófica crise na Igreja

Antes de mais nada, gostaria de adiantar aos nossos leitores que este post se trata mais de um desabafo do que propriamente um artigo, portanto, peço desculpas aqueles que possivelmente possam se sentir ofendidos com o que escreverei. Advertências feitas, segue o texto.
 
Raio atinge o Vaticano no dia exato em que o Santo Padre Bento XVI renunciou. Seria um sinal dos Céus quanto ao período vivido pela Igreja de Cristo?
 
 
Na visita apostólica de Sua Santidade o Papa Francisco ao Brasil por conta da Jornada Mundial da Juventude, todos os católicos conscientes que a Igreja e a sociedade atual enfrentam uma terrível crise e que o catolicismo não se limita à dancinhas, gritinhos, gingados e "flash mob´s", estes católicos esperavam do Santo Padre uma condenação explícita ao aborto (sim, pois estávamos na iminência de aprovação pela presidente Dilma do PLC 3 /2013 que tem como objetivo principal, facilitar o aborto no Brasil). Muito bem, a condenação não veio e a diabólica lei foi sancionada pela presidente na última quinta-feira.
 
Diante dessa omissão, podemos levantar duas hipóteses:
 
1ª: O Santo Padre não sabia da real situação brasileira, isto é, a CNBB e/ou os organizadores da JMJ omitiram, esconderam do Papa que a presidente naquele momento tinha em sua mesa uma lei iníqua para ser por ela sancionada.
 
2ª: O Papa sabia de tudo mas preferiu se calar para evitar embaraços e constrangimentos diante das autoridades civis brasileiras e para que a Jornada transcorresse tranquilamente, sem maiores problemas.
 
Sinceramente, penso (e espero) que a 2ª hipótese não seja a verdadeira, uma vez que o Santo Padre já demonstrou por diversas vezes ser um homem firme, além de nos ter dito em mais de uma ocasião que por Cristo devemos "nadar contra a corrente". Agora, caso essa hipótese corresponda à realidade, seria uma triste omissão. Alguns católicos modernos que pensam ser o papa imune à equívocos ou erros. A esse católicos, peço que se lembrem que o 1º Papa - São Pedro - negou Nosso Senhor Jesus Cristo por 3 vezes. O Papa é infalível somente quando se pronuncia Ex Cathedra, isto é, quando usa o poder da Chaves dado por Cristo e se pronuncia de forma dogmática, irrevogável e definitiva.
 
Mas, como disse, ACREDITO de coração que o Santo Padre não sabia da real situação brasileira, portanto não pôde agir de modo a influenciar para que essa lei não fosse aprovada, ou ao menos que os católicos e demais brasileiro soubessem o que estava para acontecer. Sendo assim, o que nos resta pensar é: CNBB e/ou organizadores da JMJ esconderam isso do Papa!
 
Um indício de que essa deve ter sido a postura da CNBB foi a omissão de incontáveis bispos e a lamentável nota por ela divulgada. Tivemos algumas poucas e honrosas exceções de corajosos bispos que se manifestaram, como Dom Antônio Rossi Keller e Dom Celso Marchiori (ver AQUI), além de outros pouquíssimos que aqui não me recordo, mas que certamente serão recompensados por DEUS Nosso Senhor já que tiveram o próprio DEUS por testemunha.
 
Agora explicarei o porquê deste meu post se tratar de um desabafo, assim como do porquê deste artigo se falar de uma suposta "derrapada" do Papa e principalmente, da gravíssima e catastrófica crise da Igreja.
 
Fui visitar minha mãe, católica que vai à Missa todos os domingos, que vive a assistir "Canção Nova, TV Aparecida, Rede Vida", etc., que é "ministra extraordinária da eucaristia" e então, depois de conversarmos sobre outros assuntos, lhe disse:
 
- "Mãe, a senhora lembra de quando há dois anos lhe adverti sobre não votar na sra. Dilma pois ela legalizaria o aborto no Brasil? Pois é, ela acaba de aprovar mais uma lei favorável ao aborto".
 
Então, sem qualquer constrangimento ou peso na consciência, minha mãe respondeu:
 
- "Oxi meu filho, problema dela, eu não sou a favor do aborto, não tenho nada a ver com isso!"
 
Tentei argumentar falando da doutrina católica, da cumplicidade dos que votaram em Dilma por ser um presidente apenas representante de quem nele votou, etc. Além disso, falei das condenações dos Papas, do catecismo, etc... Foi então que minha mãe me deu a seguinte reposta:
 
- "Filho, pelo jeito você não viu nada do papa. Ele disse para os jornalistas quando perguntaram sobre os gays: quem sou eu pra julgar? Então a gente não pode julgar os gays, nem quem faz o aborto, a gente tem que rezar, Deus manda a gente não julgar, foi isso que o papa falou".
 
Me sentindo extremamente triste, preferi vir embora e encerrar a discussão ali.
 
Esse diálogo que tive com minha mãe serviu para, de uma só vez, demonstrar como é tremenda a crise na Igreja, assim como foi infeliz a resposta do Santo Padre aos jornalistas. Explico:
 
Papa Francisco responde à jornalistas dentro do avião
 
Primeiramente, porque minha mãe em momento algum demonstrou ter noção do que significa uma lei que favorece o aborto ou mesmo o que seja o aborto: o assassinato cruel de um bebê indefeso em pleno ventre materno.
 
Segundo, porque minha mãe não consegue compreender que um católico é cúmplice e corresponsável por seu candidato eleito aprovar leis contrárias à Lei de Deus.
 
Terceiro, que a Igreja já condenou diversas vezes o comunismo e proibiu um católico de defender candidatos ou ideias dessa ideologia anticristã e que essas condenações e proibições valem até hoje.
 
Quarto, que todo cristão católico tem responsabilidade quanto aos acontecimentos em nossa sociedade, principalmente aqueles que confrontam as Leis de Deus. A crise na Igreja é tão grande, que para os católicos pouco importa que milhões de inocentes sejam assassinados, que blasfêmias e sacrilégios sejam cometidos diariamente, inclusive pelos próprios católicos, o que importa é que milhões de católicos se reúnam para sorrir e dançar, "isso é ser Igreja".
 
Quanto à "derrapada" do Papa, também explico:
 
A grande mídia aproveitou a resposta ambígua do Santo Padre justamente para agir conforme seus interesses. Segundo eles, a resposta do Papa abriu caminho para que todo homossexual assuma sua homossexualidade, em outras palavras, manifeste seu "orgulho gay". Quando algum simples leigo católico o questionar, ele responderá:
 
- "Ora, mas se até o Papa diz "quem sou eu pra julgar", você que não é ninguém vai querer me julgar?"
 
E as mídias, manipuladoras dos mais simples e menos instruídos nesse momento já está agindo de modo a infundir na cabeça do povão essa maneira de pensar. Um exemplo disso é minha própria mãe, que a partir de agora acha que não podemos reprovar tal conduta pois até o Papa disse isso.
 
Além do foi exposto acima, outra coisa posso acrescentar: com a resposta do Santo Padre, dá a impressão de que ele a Igreja católica estão mudando de opinião e, consequentemente, os papas e a Igreja de antes eram "retrógrados", "intransigentes", que pregavam ódio aos gays e que o Papa atual, de tão "humilde" que é, está mudando a posição da Igreja.
 
Devemos lembrar à todo católico, primeiramente, que uma resposta dada pelo Papa numa simples entrevista informal não tem o peso de um pronunciamento infalível ou dogmático.  Segundo, que a doutrina católica com relação ao pecado do homossexualismo já está expressa no Catecismo, a saber:
 
2357 A homossexualidade designa as relações entre homens ou mulheres, que experimentam uma atracção sexual exclusiva ou predominante para pessoas do mesmo sexo. Tem-se revestido de formas muito variadas, através dos séculos e das culturas. A sua génese psíquica continua em grande parte por explicar. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves (103) a Tradição sempre declarou que «os actos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados» (104). São contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados.
 
A Igreja CONDENA veementemente esse pecado e ninguém, nem mesmo um Papa, poderá dizer o contrário. No entanto, deve ficar claro que a Igreja condena o PECADO do homossexualismo, isto é, a PRÁTICA do ato homossexual e seu incentivo. Mas JAMAIS condena o PECADOR. Vejamos o parágrafo seguinte do Catecismo:
 
2358. Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.
 
Portanto, aquilo que o Papa Francisco disse sobre acolhe-los e bem tratá-los está expresso na Doutrina Católica. Ao contrário do que a Mídia mentirosa e manipuladora quis mostrar, não há novidade alguma com relação a isso. Então onde está a "derrapada" do Papa?
 
O Santo Padre falou apenas da misericórdia para com o pecador, mas omitiu a CONDENAÇÃO da Igreja para com o pecado. E assim, tanto a mídia inimiga da Igreja quanto os católicos simples agora acreditam que a Igreja "mudou seu posicionamento com relação aos gays".
 
Caros irmãos, rezemos pelo Santo Padre o Papa Francisco. Rezemos e atendamos aquilo que ele mesmo nos pede. Rezemos por ele. Francisco é nosso Papa. Bergoglio é um homem simples, porém a impressão que nos passa é a de que ainda não se deu conta totalmente do papel que possui e da posição que ocupa. Quando era Bergoglio, podia ter certas posturas e dizer certas coisas. Agora, como Francisco, Papa, o cuidado deve ser redobrado, uma vez que os inimigos da Igreja estão na espreita esperando qualquer deslize para ela atacar.
 
Finalizo este desabafo - antes que me acusem - reafirmando todo o meu amor filial e veneração ao Papa, sucessor de Pedro, Vigário de Cristo na terra.
 
Rezemos pelo Santo Padre o Papa Francisco. Rezemos pela Santa Igreja Católica para que saia dessa que parece ser a pior crise de seus 2 mil anos. Rezemos por nosso irmão católicos que parecem estar vivendo um sono profundo, ou sonho, o sonho do país (ou mundo) das maravilhas.
 
Rezemos pela Igreja de Cristo, fora da qual não há salvação.
 
Rezemos